Crise do Diesel no RS: 142 Prefeituras Sem Combustível para Serviços Essenciais; Agrotóxicos e Preços Globais Pressionam

Escassez de diesel paralisa serviços públicos em centenas de prefeituras gaúchas, com setor agropecuário e guerra no Oriente Médio como principais causas.

A falta de óleo diesel já atinge 142 prefeituras do Rio Grande do Sul, representando 29% dos municípios do estado. Essa situação compromete a prestação de serviços públicos essenciais, como o transporte de pacientes, e a realização de obras.

O levantamento, realizado pela Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs), indica que o problema pode ser ainda maisSgrave;rio, já que 315 governos municipais responderam a um questionário. Desses, 45% relataram a falta do combustível, evidenciando uma crise generalizada.

A Famurs expressou preocupação com a continuidade do cenário, alertando para o risco de impacto em outras áreas sensíveis caso a escassez persista. Prefeitos já estão sendo forçados a priorizar atendimentos na área da saúde, enquanto outras atividades dependentes de maquinário pesado começam a ser suspensas.

Demanda da Agropecuária e Mercado à Vista Agravam a Situação

Segundo Eduardo Melo, sócio diretor da consultoria Raion, especializada no mercado de combustíveis, o Rio Grande do Sul tem se destacado pela restrição de oferta de diesel no mercado nacional. A dinâmica da demanda da agropecuária é apontada como um dos principais fatores, dada a forte ligação da região com o agronegócio e a necessidade de maquinário agrícola.

Melo explica que a escassez atinge primeiramente as empresas que compram diesel no mercado à vista, ou seja, sem contratos de longo prazo com distribuidoras. Isso inclui produtores rurais de médio e pequeno porte, que muitas vezes dependem de postos de combustível sem bandeira e de TRRs (Transportadoras Revendedoras Retalhistas).

Esses fornecedores menores, que garantem a capilaridade para atender o pequeno produtor, estão enfrentando dificuldades em repor seus estoques. A disparada das cotações do petróleo e, consequentemente, do preço do diesel importado, intensifica a pressão sobre esses elos da cadeia de suprimentos.

Conflitos Globais e Vulnerabilidade dos Municípios Pequenos

A escalada global de preços, influenciada pela guerra entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã, que já entra em sua quarta semana, contribui para a instabilidade no fornecimento e nos preços do diesel. A ameaça do Irã de fechar o Estreito de Ormuz, caso as ameaças de Donald Trump se concretizem, adiciona um elemento de incerteza ao cenário energético mundial.

O consultor alerta que a situação das prefeituras pode variar dependendo de seus fornecedores. Municípios menores, que não possuem volume suficiente para fechar contratos diretos com grandes distribuidoras, acabam recorrendo a postos de combustível ou TRRs. Essa dependência de elos intermediários torna essas administrações municipais mais vulneráveis à escassez e aos aumentos de preço.

A falta de diesel para serviços públicos no Rio Grande do Sul é um reflexo complexo de fatores internos e externos, exigindo atenção tanto do setor produtivo quanto das esferas governamentais para mitigar os impactos na população.

Redação Portal DBC

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