Estreito de Ormuz Prestes a Reabrir? EUA e Irã Dão Sinais Misto de Resolução, Avalia Genoa Capital

Genoa Capital prevê reabertura do Estreito de Ormuz em breve, citando sinais de desgaste iraniano e interesses políticos dos EUA.

O conflito no Oriente Médio elevou o Estreito de Ormuz a um ponto crítico para os mercados globais. A grande questão que investidores e gestores tentam decifrar é a duração dessa tensão e seus impactos no fornecimento de petróleo. André Raduan, fundador e gestor da Genoa Capital, sugere que a resolução do impasse pode estar mais próxima do que o temor inicial indicava.

Segundo a análise da Genoa Capital, o Irã parece estar sentindo os efeitos do conflito. Raduan observa uma redução no número de drones e mísseis disparados pelo país, o que aponta para um real desgaste militar.

A lógica econômica também joga contra a prolongação do conflito. O Irã, que depende de rotas que passam pelo Estreito de Ormuz, sofreria danos significativos se mantivesse o canal fechado por um período extenso. A própria sobrevivência econômica do país está atrelada à normalidade dessas vias de transporte.

Do lado americano, o governo de Donald Trump possui claros incentivos políticos para encerrar a crise energética. Com eleições de meio de mandato se aproximando e a popularidade do presidente em baixa, a solução para a questão do petróleo se torna uma prioridade para a Casa Branca. A Genoa Capital acredita que Trump está bastante disposto a negociar para resolver a situação.

A leitura da Genoa Capital indica que o Estreito de Ormuz deve ser reaberto em um prazo de um a dois meses. Essa projeção foi apresentada durante o programa Stock Pickers, onde Raduan discutiu os impactos do choque de petróleo nos mercados globais e a posição do Brasil nesse cenário de instabilidade.

Petróleo a US$ 100: O Clássico Choque de Oferta e a Resposta dos Mercados

Com o preço do barril de petróleo flertando com os US$ 100, o mercado global se depara com o que economistas chamam de choque de oferta tradicional. Essa dinâmica se caracteriza pela alta da inflação em paralelo a uma desaceleração da atividade econômica. O consumidor, forçado a gastar mais com gasolina, tende a reduzir seus gastos em outras áreas, como restaurantes e varejo, gerando um efeito cascata na cadeia produtiva.

No entanto, Raduan relativiza o pânico generalizado. Ele explica que, em episódios como este, os bancos centrais frequentemente adotam uma postura de “look through”, ou seja, buscam suavizar a convergência inflacionária sem apertar os juros de forma agressiva. A exceção, segundo ele, são os bancos centrais europeus, que já lidam com inflação acima da meta há algum tempo e podem ter menor tolerância a novas altas.

O Cenário de Preços do Petróleo e a Estratégia da Genoa Capital

A expectativa da Genoa Capital é de que o preço do petróleo se mantenha na faixa de US$ 80 a US$ 90 no curto prazo. Para o médio prazo, a projeção é de uma queda para US$ 60 ou US$ 70. Esse cenário, segundo o gestor, é suficiente para que os mercados consigam “passar por cima” do choque de oferta.

Quando a curva futura do petróleo começa a se inverter, os bancos centrais conseguem vislumbrar uma saída da crise e sentem menos necessidade de aumentar as taxas de juros de maneira drástica. “Eu fico menos preocupado”, afirmou Raduan, demonstrando otimismo com a capacidade de adaptação dos mercados.

Diante desse cenário, a estratégia da Genoa Capital é manter uma abordagem simples e cautelosa. A gestora aposta em menos alavancagem, com foco em juros e moedas. Há também uma redução nas posições em commodities, combinada com outras apostas direcionais mais conservadoras. O objetivo é evitar riscos desnecessários em um ambiente de incerteza.

Redação Portal DBC

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