Argentina em Ebulição: Greve Geral Paralisa o País com Voos Cancelados e Protestos Contra Reforma Trabalhista de Milei

Argentina enfrenta greve geral com impacto massivo em voos e transporte público, enquanto debate sobre reforma trabalhista avança.

A Argentina foi palco nesta quinta-feira da quarta greve geral convocada contra o governo do presidente Javier Milei. A paralisação de 24 horas, que começou à meia-noite, teve forte adesão em todo o país, afetando de forma significativa o transporte aéreo e terrestre, além de serviços bancários e comerciais.

O movimento sindical contesta a reforma trabalhista proposta pelo governo, que inclui a ampliação da jornada de trabalho para até 12 horas e a flexibilização de diversas leis trabalhistas, medidas consideradas pelo governo como essenciais para a modernização da economia argentina.

A greve geral, organizada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT), coincidiu com o debate do projeto de lei na Câmara dos Deputados, após sua aprovação no Senado. A central sindical estima uma adesão de cerca de 90% das atividades, impactando os principais centros urbanos com a paralisação de sindicatos de transporte, portuários, bancários, do comércio e do setor público.

Impacto imediato na aviação e transporte

A paralisação teve reflexos imediatos no setor aéreo. A Aerolíneas Argentinas anunciou o cancelamento de 255 voos, o que afetou aproximadamente 31 mil passageiros e gerou um prejuízo estimado em US$ 3 milhões. No Brasil, a suspensão de voos entre Argentina e os aeroportos de Galeão (Rio de Janeiro) e Guarulhos (São Paulo) chegou a 62, entre chegadas e partidas.

Além dos voos, trens e metrôs deixaram de operar, bancos fecharam as portas e a atividade comercial e produtiva foi drasticamente reduzida. Jogos da Liga Profissional de Futebol também foram suspensos, demonstrando a amplitude da paralisação.

Detalhes da reforma trabalhista em debate

O projeto de reforma trabalhista em discussão no Congresso argentino propõe uma série de mudanças significativas. Entre os pontos mais polêmicos estão a redução de indenizações por demissão, a flexibilização das regras de contratação, alterações no sistema de férias, a possibilidade de pagamento de salários em moeda estrangeira e a limitação do direito de greve.

A ampliação da jornada padrão de oito para 12 horas é um dos pontos que mais geram revolta entre os trabalhadores e sindicatos. A proposta visa, segundo o governo, aumentar a produtividade e atrair investimentos, enquanto os críticos apontam para um retrocesso nos direitos trabalhistas.

Protestos e confrontos em Buenos Aires

Milhares de pessoas se reuniram nas imediações do Congresso Nacional em Buenos Aires para protestar contra a reforma trabalhista. Inicialmente pacífico, o ato registrou confrontos entre manifestantes e a polícia. Garrafas e pedras foram arremessadas contra o cordão policial, que respondeu com o uso de canhões de água e gás lacrimogêneo.

Os incidentes, embora breves, evidenciaram a tensão social. Na semana anterior, outra manifestação contra a reforma terminou com violência e dezenas de detenções. O governo, por sua vez, minimizou os efeitos da greve, com o chefe de Gabinete, Manuel Adorni, afirmando que a paralisação é “perversa” por impedir quem quer trabalhar.

Apoio do FMI e cenário econômico

Em meio à greve e aos protestos, o Fundo Monetário Internacional (FMI) manifestou apoio à reforma trabalhista argentina. O órgão internacional pede, no entanto, que o governo “mitigue os custos de transição” decorrentes da abertura econômica. O FMI considera o projeto importante para reduzir a informalidade e criar empregos.

A greve ocorre em um contexto de retração da atividade industrial na Argentina. Fontes sindicais apontam para o fechamento de cerca de 21 mil empresas e a perda de aproximadamente 300 mil empregos desde dezembro de 2023. Um exemplo recente é o anúncio do fechamento da fábrica da Fate, principal fabricante de pneus do país, com a demissão de mais de 900 trabalhadores.

Enquanto a Câmara dos Deputados prossegue com o debate do projeto, a CGT afirma que manterá a mobilização caso a proposta seja aprovada. A situação na Argentina segue tensa, com o futuro dos direitos trabalhistas em jogo e a população dividida entre o apoio às reformas e a defesa das conquistas sociais.

Redação Portal DBC

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