Poupança perde R$ 327,6 bilhões em 5 anos: Investidor foge da baixa rentabilidade e busca renda fixa mais atrativa
Poupança em declínio: O que está levando investidores a buscar alternativas na renda fixa após perda bilionária?
A caderneta de poupança, por décadas o porto seguro do investidor brasileiro, tem visto seu espaço diminuir drasticamente. Em um período de cinco anos, a aplicação perdeu impressionantes R$ 327,6 bilhões. Essa debandada não se deve a um aumento repentino no apetite por risco, mas sim a uma combinação de fatores estruturais e conjunturais que tornaram outras opções de renda fixa mais vantajosas.
A alta persistente da taxa Selic tem evidenciado a remuneração intrinsecamente baixa da poupança, incapaz de acompanhar tanto o ciclo de juros quanto a inflação. Paralelamente, o avanço da digitalização e a maior transparência das plataformas de investimento democratizaram o acesso a alternativas que, sem exigir grandes mudanças de perfil, oferecem retornos superiores.
Esse cenário de realocação de capital foi amplamente destacado por especialistas do mercado financeiro. Conforme informações divulgadas por fontes especializadas, o investidor tem migrado de forma racional para produtos que, mantendo a segurança, entregam um desempenho mais alinhado ao ambiente macroeconômico atual. Acompanhe os detalhes dessa transformação.
A ascensão da renda fixa: CDBs, LCIs, LCAs e debêntures ganham espaço
A migração de capital da poupança para outras modalidades de renda fixa é um movimento claro e racional. Segundo Gustavo Assis, presidente da Asset Bank, produtos como o Tesouro Selic, CDBs com liquidez diária, LCIs e LCAs isentas de imposto de renda passaram a cumprir o papel de preservação de capital e liquidez com uma remuneração mais atrativa.
A digitalização e a facilidade de comparação entre plataformas reduziram o custo de acesso a esses investimentos, enfraquecendo o papel da poupança como aplicação automática. Dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) reforçam essa tendência.
Entre janeiro de 2024 e novembro de 2025, enquanto o número de contas de poupança cresceu 12%, o saldo total investido avançou apenas 3,88%. Em contrapartida, as contas de investidores em CDBs aumentaram 33,9%, com um crescimento de volume de 42,7%. LCIs e LCAs também apresentaram expansão significativa em número de contas e volume investido.
Debêntures incentivadas e fundos estruturados: Novos horizontes para o investidor
Um dos destaques dessa migração são as debêntures incentivadas, isentas de imposto de renda. Elas registraram um crescimento de 24,17% em número de contas desde janeiro de 2024, com o volume investido aumentando 43,7%. Esse tipo de investimento tem atraído investidores que buscam rentabilidade superior com benefícios fiscais.
Edgar Araújo, presidente da Azumi Investimentos, explica que a migração é uma resposta ao “novo preço do dinheiro”, com a taxa de juros em patamar elevado. Ele aponta que, além de CDBs e LCIs/LCAs, os investidores têm buscado fundos estruturados, como os FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios), que permitem acesso a carteiras de crédito diversificadas.
No entanto, essa migração exige mais disciplina e atenção. “É fundamental avaliar risco de crédito do emissor, garantias, estrutura jurídica, liquidez e prazo dos papéis, porque maior rentabilidade não vem sem maior responsabilidade na análise”, alerta Araújo.
Segurança e liquidez: Atributos da poupança ainda valorizados, mas não exclusivos
Isabela Perez, head de RI da Rio Bravo Investimentos, reitera que a rentabilidade é o principal motor da perda de atratividade da poupança. “Principalmente em um ambiente com a Selic tão alta, outros produtos ficam muito mais atrativos”, afirma. Ela ressalta que, mesmo produtos tributados, como o Tesouro Direto e fundos de renda fixa, mantêm um perfil conservador e oferecem retornos mais expressivos.
A popularização de plataformas digitais e do open finance facilitou o acesso e a comparação, tornando mais simples para o investidor encontrar alternativas. “Hoje, por que deixar o dinheiro em um rendimento tão inferior se hoje tenho a mesma facilidade, em dois cliques consigo ter uma remuneração que segue o CDI em várias plataformas?”, questiona Isabela.
Embora a segurança (24%) e a facilidade de aplicar (20%) ainda sejam os principais fatores que levam investidores a escolherem a poupança, segundo dados da Anbima, esses atributos já são observados em outras opções de investimento que não existiam há alguns anos.
A poupança ainda tem seu lugar? Especialistas analisam
Apesar do cenário desfavorável, especialistas concordam que a poupança ainda pode ser uma opção para perfis específicos. Para quem prioriza **simplicidade absoluta e liquidez imediata**, especialmente para pequenos valores ou reserva transacional, a caderneta pode ser “útil”.
Contudo, para quem busca expandir ou mesmo preservar patrimônio em um mercado financeiro mais maduro e competitivo, a poupança deixou de ser o instrumento central. “O investidor conservador mais informado percebeu que é possível manter previsibilidade e proteção de capital utilizando instrumentos que acompanham melhor o ciclo econômico”, pontua Assis.
Isabela, da Rio Bravo, vê na poupança um aspecto positivo na disciplina de guardar dinheiro recorrentemente. “De toda forma, mesmo esse perfil conservador consegue uma aplicação semelhante em termos de segurança e facilidade, e rendendo muito mais”, conclui.
