Libertado Especialista em Petróleo Venezuelano-Americano Após Detenção que Gerou Alerta Internacional
Venezuela libera especialista em petróleo americano após 4 dias de detenção, gerando preocupação internacional e questionamentos sobre o sistema judicial
A Venezuela libertou Evanan Romero, um renomado consultor de petróleo com cidadania americana, após quatro dias de detenção. Sua prisão na cidade de Maracaibo, na última sexta-feira, levantou preocupações sobre os riscos enfrentados por figuras ligadas à indústria e à oposição no país, especialmente em um momento em que o governo busca reativar seu setor petrolífero.
Romero, de 86 anos, é um consultor experiente para empresas internacionais de petróleo e também atua como assessor da líder opositora María Corina Machado. Sua libertação ocorreu na terça-feira, e ele foi transferido para uma clínica particular, mas permaneceu sob custódia devido a uma disputa judicial antiga, datada de 2010, sobre suposta fraude. As autoridades venezuelanas haviam denunciado o caso à Interpol, conforme relatos de fontes anônimas que discutem assuntos privados.
A falta de um sistema judicial independente e confiável na Venezuela dificulta a determinação da natureza das prisões, tornando incerto se são motivadas politicamente ou se têm base legal legítima. Este caso se soma a outras prisões de cidadãos americanos ou com dupla nacionalidade ocorridas recentemente no país, aumentando a tensão diplomática.
Contexto de Prisões e Relações Diplomáticas
Evanan Romero não é o primeiro cidadão americano a ser detido na Venezuela após a recente captura, pelos Estados Unidos, do ex-presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, no início de janeiro. Pelo menos outro cidadão com dupla nacionalidade foi preso no mês passado, mas foi posteriormente libertado e retornou aos EUA. Em 2023, outro cidadão americano-venezuelano, José Ignacio Moreno Suárez, advogado da mineradora Gold Reserve, foi preso e permanece detido.
A Venezuela afirma ter libertado mais de 800 pessoas como um “gesto de paz”, mas organizações independentes relatam que apenas metade delas pôde ser verificada. Cerca de 800 indivíduos ainda permanecem presos, de acordo com a ONG local Justicia, Encuentro y Perdón. O Departamento de Estado dos EUA, que mantém um alerta de “não viajar” para a Venezuela, não comentou imediatamente o caso de Romero.
Riscos Persistentes para a Indústria Petrolífera
A detenção de Romero evidencia que, apesar de uma abordagem aparentemente mais cautelosa da nova liderança em Caracas, a “campanha de repressão continua”, segundo Geoff Ramsey, do Atlantic Council. Este cenário ocorre em um momento delicado, com os Estados Unidos afrouxando sanções, mas mantendo um controle sobre a receita do petróleo venezuelano, enquanto Delcy Rodríguez, ex-vice-presidente, consolida poder.
Empresas petrolíferas americanas e europeias, como a Chevron, BP, Eni, Repsol e Shell, receberam autorização para operar no país. A forma como o governo dos EUA responderá ao caso Romero é incerta, dada a importância estratégica do setor petrolífero venezuelano para os planos americanos. A expectativa é que Washington pressione por garantias de que prisões arbitrárias não prejudicarão investimentos futuros.
Legado de um Especialista em Petróleo
Evanan Romero possui uma longa e destacada carreira na indústria petrolífera venezuelana. Ele foi um dos fundadores do Intevep, o braço de pesquisa da estatal Petróleos de Venezuela SA (PDVSA), e serviu como vice-ministro do petróleo no final da década de 1990, além de ter integrado o conselho da PDVSA. Sua formação na Universidade de Tulsa, nos EUA, reflete a trajetória de muitos profissionais venezuelanos que impulsionaram o país a se tornar um dos maiores produtores de petróleo do mundo.
A indústria petrolífera venezuelana, que atingiu seu auge após a nacionalização na década de 1970, entrou em declínio com as expropriações iniciadas pelo ex-presidente Hugo Chávez em 1999. Atualmente, a produção é apenas um terço do que era na década de 1990, evidenciando os desafios históricos e atuais do setor.
