Fim da Escala 6×1 no Varejo: XP Investimentos Alerta para Impacto de Até 18% no Lucro Líquido de Empresas da Bolsa

XP Investimentos Analisa Potencial Fim da Escala 6×1 e Seus Reflexos Para Varejistas Listadas na Bolsa de Valores

O debate sobre a possível reformulação da jornada de trabalho no Brasil, que inclui o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal para 40 horas, está ganhando tração em Brasília. A XP Investimentos divulgou uma análise detalhada sobre como essas mudanças podem impactar financeiramente o setor varejista, especialmente aquelas companhias que já operam com margens mais apertadas.

A proposta, considerada uma prioridade pelo governo, foca em três pontos principais: a transição da escala 6×1 para a 5×2, a diminuição da jornada semanal para 40 horas, possivelmente com um período de adaptação, e a manutenção dos salários atuais sem compensações automáticas para os empregadores. Essas mudanças, se aprovadas, podem gerar custos adicionais significativos para as empresas.

Segundo a análise da XP, caso as empresas do varejo enfrentem um aumento de 10% nos custos trabalhistas e não consigam repassar integralmente esses valores aos consumidores, o efeito médio pode ser uma queda de 8% no Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) e uma redução de até 18% no lucro líquido. Conforme informação divulgada pela XP Investimentos, o tema pode ser levado ao Congresso ainda em maio, visando a vinculação com o Dia do Trabalhador.

Impactos Variados no Setor Varejista

A XP aponta que os impactos da potencial mudança na jornada de trabalho serão sentidos de forma diferente entre as empresas. Grupos com forte presença internacional, como Smart Fit e Mercado Livre, ou aqueles com margens operacionais mais robustas, como Vivara, Track&Field, Vulcabras e Lojas Renner, devem ser menos afetados.

Por outro lado, varejistas de setores como alimentação e farmácia, que historicamente operam com margens mais baixas e demandam uma grande quantidade de mão de obra, podem enfrentar pressões mais intensas. Empresas com maior nível de endividamento dentro desses setores podem sentir o impacto de forma ainda mais acentuada.

Custos Adicionais e Repasse ao Consumidor

A necessidade de contratar mais funcionários ou pagar horas extras para cobrir a redução da jornada semanal é um dos principais pontos de atenção. A XP Investimentos estima que, mesmo com um período de transição, o repasse integral desses custos ao consumidor será um desafio considerável em um cenário de alta competição e demanda ainda pressionada.

A discussão sobre a renovação da desoneração da folha de pagamentos surge como um possível atenuante para o impacto financeiro. No entanto, segundo fontes consultadas pela XP, o governo não demonstra apoio a essa medida, o que aumenta a incerteza sobre o custo final para as empresas do setor varejista.

Empresas Já Testam Novas Escalas

Apesar dos desafios, algumas empresas do varejo já iniciaram testes com a escala 5×2, como é o caso de RD Saúde, Panvel e GPA. Essas iniciativas podem indicar uma adaptação gradual do setor às novas regulamentações trabalhistas, mas a redução para 40 horas semanais ainda representa um ponto de atenção.

Projeções da XP Investimentos

As projeções da XP Investimentos destacam a magnitude do impacto potencial, com estimativas de queda significativa no Ebitda e no lucro líquido caso os custos trabalhistas aumentem e não sejam compensados por reajustes de preços. A análise sublinha a importância de as empresas se prepararem para esses cenários e buscarem estratégias para mitigar os efeitos.

Redação Portal DBC

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