Após tombo por conflito no Irã, Bradesco BBI aposta em Bolsa brasileira: “história favorece os corajosos”
Bradesco BBI vê otimismo na Bolsa brasileira mesmo com tensões globais, apostando em “corajosos” para lucrar.
A recente queda de 5% do MSCI Brazil, acentuada pelo conflito no Irã, criou uma oportunidade rara no mercado brasileiro, segundo o Bradesco BBI. Em meio à volatilidade internacional, o banco acredita que a **Bolsa brasileira** pode se destacar, seguindo a filosofia de que “a história favorece os corajosos”, conforme apurado em reuniões com gestores locais.
O Ibovespa sentiu o impacto, registrando a maior baixa do ano com uma queda de 3,28% em um único dia. Essa aversão ao risco global corrigiu um rali recente impulsionado por investidores estrangeiros, mas o Bradesco BBI enxerga um cenário promissor à frente.
O Brasil apresenta um conjunto de fatores que o posicionam de forma vantajosa. O país é **relativamente protegido de conflitos globais**, beneficia-se de **preços de petróleo mais altos** e possui os **juros mais elevados do mundo**, o que sustenta o real. Além disso, investidores globais estão com posições defensivas, abrindo espaço para aumentar sua exposição.
Fluxo estrangeiro deve ganhar força e impulsionar a Bolsa
O Bradesco BBI aponta que os investidores estrangeiros ainda estão com baixa alocação em mercados emergentes. Esse capital represado tende a fluir para o Brasil, especialmente com a continuidade do ciclo de cortes na taxa de juros. O **custo de capital percebido por investidores internacionais** é menor, tornando o atual valuation da Bolsa brasileira mais atrativo do que aparenta.
A expectativa é que essa retomada do apetite externo não se limite aos grandes ETFs (fundos de índice), mas também inclua gestores ativos e locais. Isso reforçaria um movimento de diversificação nas alocações globais, beneficiando diretamente o mercado brasileiro.
Investidor local começa a retornar, servindo de gatilho para alta
Um ponto crucial destacado pelo BBI é a desaceleração dos resgates em fundos locais. Essa redução na pressão vendedora, que marcou parte do ano anterior, pode funcionar como um gatilho para um “melt-up”, um cenário onde os preços sobem rapidamente devido à recomposição de portfólios e à busca por performance.
Apesar do cenário favorável, gestores brasileiros ainda se mostram excessivamente defensivos. O início do ciclo de cortes de juros, a melhora gradual no humor político e a expectativa de novos fluxos de capital criam um ambiente propício para uma mudança de postura.
BBI amplia lista de oportunidades e foca em preços atrativos
Diante desse cenário, o Bradesco BBI expandiu sua lista de recomendações de alta. Entre os alvos preferidos estão **ações sensíveis a juros**, que foram historicamente penalizadas, **estatais (SoEs)** com catalisadores próximos, **fintechs “órfãs de ETF”** que sofreram com a saída de capital passivo, e **small e mid caps** negociando com descontos relevantes.
O banco ressalta que, apesar da proximidade de eleições e da volatilidade inerente, **preços mais fortes** estão empurrando preocupações políticas para segundo plano. A disputa presidencial mais equilibrada também reduz cenários extremos, permitindo que o mercado volte a ser guiado pelos fundamentos e pelas oportunidades de precificação.
O BBI também menciona as frustrações de gestores com posições internacionais, como a Argentina, que sofre com baixa liquidez, e o Chile, que, apesar de atrativo, carece de convicção em catalisadores. O México, por sua vez, segue em compasso de espera.
