Juros Altos e Dívidas Corporativas: CEO da BR Partners Alerta para “Explosão” no Brasil, Mas Vê Tsunami de Capital Estrangeiro Represado
Juros insustentáveis ameaçam empresas brasileiras, mas otimismo paira sobre capital estrangeiro
O ambiente corporativo no Brasil enfrenta uma escalada de dificuldades, com empresas saudáveis sendo levadas à recuperação judicial devido ao peso de dívidas corrigidas por juros básicos de 15% ao ano. Ricardo Lacerda, sócio fundador e CEO do BR Partners, expressa profunda preocupação com a trajetória atual da economia.
Lacerda destaca que a atual taxa de juros, mesmo após um corte de 0,25 ponto percentual pelo Banco Central para 14,75%, é insustentável em longo prazo. Ele adverte que essa situação pode levar a um colapso econômico no país, afetando companhias de grande porte.
Apesar do cenário adverso, o CEO do BR Partners vislumbra um futuro promissor com a potencial entrada massiva de capital estrangeiro no Brasil. A avaliação foi feita durante participação no programa Stock Pickers, com a presença do analista Matheus Guimarães, do Research da XP.
Empresas saudáveis em risco pela alta taxa de juros
Segundo Ricardo Lacerda, o patamar de juros a 15% ao ano é um fardo pesado para qualquer empresa, independentemente de sua saúde operacional. Ele cita exemplos de companhias como Braskem (BRKM5), GPA (PCAR3), Ambipar (AMBP3), Oncoclínicas (ONCO3), Cosan (CSAN3) e Raízen (RAIZ4).
Essas empresas, conforme o executivo, são **operacionalmente sólidas**, mas o **excesso de endividamento**, combinado com os juros elevados, as leva a uma situação delicada, exigindo processos de reestruturação. Lacerda reconhece que o Banco Central toma decisões com base nas melhores informações, mas critica a demora no início do ciclo de corte de juros.
O CEO do BR Partners acredita que o ciclo de queda dos juros será **tímido e curto**, o que agrava o quadro e dificulta a recuperação das empresas endividadas. A política monetária, para ele, precisa de ajustes mais expressivos para aliviar a pressão sobre o setor produtivo.
Capital estrangeiro: um “tsunami” represado aguarda o Brasil
Em contrapartida ao cenário de juros altos, Lacerda aponta um fenômeno **”fascinante”**: o retorno expressivo de capital estrangeiro ao Brasil, já em 2025. Mesmo com um ambiente fiscal ainda considerado instável, o país se torna mais atraente em termos relativos.
A **Europa está estagnada**, a **China enfrenta riscos geopolíticos** e a **Índia apresenta múltiplos elevados**, tornando o Brasil uma alternativa mais interessante para investidores internacionais. Lacerda estima que apenas uma pequena fração do capital disponível para investimento no país já tenha sido alocada.
Ele ressalta que, com um cenário um pouco mais favorável, o Brasil pode experimentar um **ganho excepcional** com a entrada desses recursos. O volume de negociações na B3 em fevereiro, que registrou o segundo maior volume diário da história com R$ 39,2 bilhões em ADTV, mesmo com o feriado de Carnaval, corrobora essa visão.
BR Partners busca ativamente investidores globais
Para capturar esse interesse externo, o BR Partners realizou uma ação incomum para um banco de médio porte: listou suas ações na Nasdaq, através de uma listagem técnica, sem oferta pública. Essa estratégia visa atrair fundos internacionais focados em small caps financeiras.
Atualmente, os dois maiores acionistas do banco são fundos internacionais desse segmento. Matheus Guimarães, analista do Research da XP, reforça essa percepção, relatando **interesse “real” por parte de investidores nos Estados Unidos** em discutir desde ações na bolsa até operações de crédito estruturado no Brasil.
Um dos maiores hedge funds do mundo destacou que a **volatilidade do câmbio brasileiro** nos últimos 12 a 24 meses ficou abaixo da registrada no G7. Além disso, o prêmio de risco exigido do Brasil já não se justifica pelo atual patamar de inflação, indicando uma oportunidade de investimento.
Juros reais brasileiros ainda entre os mais altos do mundo
Apesar dos sinais de melhora e do otimismo com o capital estrangeiro, o Brasil ainda ostenta um dos maiores juros reais do mundo. Com a Selic em 14,75% e a inflação em patamares específicos, a taxa de juro real brasileira alcançou 9,51%, posicionando o país em segundo lugar em um ranking das 40 maiores economias globais, atrás apenas da Turquia.
Essa realidade, embora desafiadora para as empresas locais, pode ser um fator de atração para investidores estrangeiros que buscam retornos elevados em mercados emergentes. A dinâmica entre juros altos e a busca por rentabilidade global define o atual cenário econômico brasileiro.
