Coca-Cola e Panini: Promoção de figurinhas para Copa 2026 causa furtos em supermercados e suspensão de vendas no Brasil
Supermercados no Brasil enfrentam onda de furtos de rótulos da Coca-Cola em promoção de figurinhas da Copa 2026, levando a perdas e suspensão de compras.
Uma campanha promocional ousada da The Coca-Cola Company, em parceria com a Panini, para a Copa do Mundo FIFA 2026, iniciada em abril, está gerando dor de cabeça para supermercados brasileiros. A ação, que esconde figurinhas colecionáveis sob os rótulos de embalagens selecionadas de Coca-Cola Original e Coca-Cola Zero Açúcar, rapidamente se tornou um sucesso entre colecionadores e fãs de futebol, mas também abriu portas para práticas irregulares e prejuízos significativos no varejo.
Relatos chocantes surgiram nas redes sociais, com consumidores encontrando garrafas de 600 ml nas prateleiras completamente sem seus rótulos originais. Em alguns estabelecimentos, a situação chegou a um ponto crítico, com a maioria das unidades disponíveis violadas, tornando a venda dos produtos impossibilitada. O problema já foi identificado em diversas redes de supermercados em São Paulo, incluindo unidades do Assaí Atacadista e Sonda Supermercados em São Caetano do Sul, além de estabelecimentos menores na região do Sacomã, zona sul da capital paulista.
Conforme informação divulgada pelo Seu Crédito Digital, a campanha faz parte de uma iniciativa global da Coca-Cola e Panini, visando preparar os mercados para a Copa do Mundo FIFA 2026, que ocorrerá nos Estados Unidos, Canadá e México. A meta é distribuir mais de 1 bilhão de figurinhas em mercados selecionados mundialmente entre 15 de abril e 15 de junho. No Brasil, as figurinhas, conhecidas como “caras de jogo”, estão escondidas na parte interna dos rótulos das embalagens promocionais, com as garrafas de 600 ml sendo as mais comuns, embora algumas regiões também recebam embalagens de 2,5 litros.
Furtos de rótulos geram prejuízo e desorganização nas lojas
O principal problema enfrentado pelos comerciantes é a retirada dos rótulos diretamente nas gôndolas. Consumidores estariam abrindo ou rasgando os adesivos para tentar descobrir se as garrafas da Coca-Cola continham as cobiçadas figurinhas raras, sem efetuar a compra do refrigerante. Essa prática resulta em um prejuízo imediato para os supermercados, pois as garrafas da Coca-Cola com rótulos violados perdem seu valor comercial e, em muitos casos, precisam ser descartadas.
Funcionários de mercados afetados relatam um aumento considerável na desorganização das prateleiras, um desperdício de produtos e a necessidade urgente de reforçar a fiscalização nos corredores de bebidas. Em uma tentativa de coibir a prática, uma unidade da rede Oxxo chegou a utilizar plástico adesivo ao redor das embalagens para dificultar a remoção dos rótulos. Diante desse cenário, comerciantes menores optaram por interromper temporariamente a compra das versões promocionais da The Coca-Cola Company para evitar novos prejuízos.
Supermercados implementam medidas emergenciais para conter perdas
O aumento expressivo dos furtos levou parte do setor varejista a adotar medidas emergenciais para tentar conter os danos. Entre as principais ações implementadas pelos estabelecimentos estão o uso de embalagens extras, como plásticos e fitas adesivas, para impedir a fácil remoção dos rótulos, e um monitoramento reforçado em corredores específicos, especialmente nas áreas de bebidas e produtos promocionais.
Alguns estabelecimentos também relataram a restrição na exposição, reduzindo a quantidade de garrafas promocionais expostas simultaneamente nas gôndolas. Além disso, pequenos comerciantes afirmaram que preferiram suspender temporariamente a compra dos produtos participantes da campanha até que a situação seja normalizada, uma medida drástica para proteger seus negócios.
Promoções com brindes escondidos já causaram transtornos semelhantes
Especialistas do varejo apontam que promoções que envolvem brindes escondidos em embalagens frequentemente aumentam o risco de violação de produtos nos pontos de venda. Situações semelhantes já ocorreram em campanhas anteriores, como as que envolviam brindes em produtos de beleza e alimentos. Em ações de grande alcance popular, o comportamento impulsivo de uma parcela dos consumidores pode gerar impactos operacionais relevantes para supermercados e distribuidoras.
A viralização da campanha nas redes sociais, especialmente no TikTok, Instagram e X, contribuiu diretamente para o aumento da procura pelas garrafas promocionais. Vídeos de consumidores buscando figurinhas específicas ou exibindo coleções completas impulsionaram a corrida pelas embalagens participantes, alimentados pelo efeito de escassez e pela possibilidade de encontrar cromos mais raros. Especialistas em marketing avaliam que campanhas associadas a grandes eventos esportivos geram forte engajamento emocional, principalmente quando envolvem colecionismo e recompensas instantâneas.
Coca-Cola aposta em experiência digital para complementar a campanha
Complementando a campanha física, a Coca-Cola adicionou recursos digitais para a promoção da Copa do Mundo de 2026. Através de QR Codes nas embalagens, os consumidores podem acessar experiências online, incluindo a criação de figurinhas virtuais personalizadas. O site oficial da marca ainda oferece ferramentas para localizar pontos de troca e encontros de colecionadores em diversas regiões, seguindo a tendência de integração entre experiências físicas e digitais.
Representantes do setor supermercadista afirmam que, embora ações promocionais aumentem o fluxo de clientes e as vendas, elas exigem um planejamento adicional de segurança. Pequenos mercados, em particular, sentem os prejuízos de forma mais acentuada, devido à menor estrutura para controle de furtos e monitoramento interno. A proximidade da Copa do Mundo FIFA 2026 já movimenta o mercado brasileiro com ações temáticas, e a expectativa é que, apesar dos transtornos, o interesse pelas embalagens promocionais continue crescendo.
