Golpe do Patrimônio Idoso: Familiares e Criminosos Roubam Aposentadorias e Bens em Fraudes Financeiras
Violência patrimonial contra idosos: um crime silencioso que afeta aposentadorias e bens, com familiares entre os principais agressores.
A violência contra idosos vai muito além de agressões físicas ou psicológicas. Um tipo de crime que cresce de forma silenciosa no Brasil é a **violência patrimonial**, caracterizada pelo uso indevido de dinheiro, imóveis, aposentadorias e outros bens sem o consentimento do idoso.
Os números reforçam a preocupação. Conforme dados da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos, em 2025, uma em cada três denúncias de violência contra idosos registradas pelo Disque 100 estava relacionada a questões patrimoniais. Somente naquele ano foram cerca de **59 mil registros** sobre esse tipo de abuso.
O aumento dos golpes digitais, a maior circulação de dinheiro em meios eletrônicos e a vulnerabilidade física ou cognitiva de parte da população acima dos 60 anos ajudam a explicar esse cenário. Mas especialistas alertam que muitos dos prejuízos acontecem dentro da própria família, conforme informação divulgada pela fonte.
O que configura violência patrimonial contra idosos?
A violência patrimonial ocorre quando alguém utiliza, administra ou se apropria dos bens, rendimentos ou patrimônio de uma pessoa idosa de forma indevida. Essa prática pode envolver a apropriação de renda ou do patrimônio, estelionato, furto, roubo, extorsão, e também a indução do idoso a se endividar ou a realizar transações financeiras prejudiciais.
Além de configurar violação dos direitos da pessoa idosa, muitos desses atos podem resultar em responsabilização civil e criminal para os agressores. É fundamental que a sociedade esteja atenta a esses sinais para proteger nossos idosos.
O abuso financeiro muitas vezes começa dentro de casa
Embora golpes praticados por criminosos sejam cada vez mais comuns, especialistas afirmam que boa parte da violência patrimonial acontece no ambiente familiar. A advogada Regina Beatriz Tavares da Silva, presidente da Associação de Direito de Família e das Sucessões (ADFAS), explica que o processo geralmente começa de maneira discreta.
Um dos filhos, netos ou outro parente passa a assumir a administração das finanças sob o argumento de ajudar o idoso nas tarefas do dia a dia. Aos poucos, essa relação pode evoluir para um **controle quase absoluto** sobre contas bancárias, aposentadorias e patrimônio, deixando o idoso sem noção de seus recursos.
Sinais de alerta para identificar a violência patrimonial
Nem sempre o abuso financeiro é percebido imediatamente. Alguns comportamentos, porém, podem indicar que algo está errado e merecem atenção. O **isolamento do idoso**, por exemplo, onde um familiar o afasta dos demais, criando conflitos e desconfiança, é um sinal preocupante.
Outro ponto de atenção é o **controle excessivo das finanças**, com outra pessoa assumindo totalmente o acesso a contas, cartões, documentos e pagamentos. Mudanças inesperadas no patrimônio, como venda de imóveis ou movimentações financeiras elevadas sem explicação clara, também são alertas importantes.
Alterações em documentos, como assinatura de procurações amplas, contratos de doação ou mudanças em testamentos feitas sob pressão, podem indicar abuso. A falta de transparência sobre a aposentadoria, investimentos ou movimentações bancárias também é um forte indício de que algo não vai bem.
Aposentadoria e golpes digitais: alvos frequentes
Os benefícios pagos pelo INSS, como a **aposentadoria**, estão entre os patrimônios mais frequentemente explorados pelos abusadores. Isso acontece porque representam uma renda mensal garantida, tornando-se alvo tanto de criminosos quanto de familiares mal-intencionados. A antecipação de herança, como a doação de imóveis em vida, também pode trazer riscos se não for bem planejada.
Nos últimos anos, o crescimento das fraudes eletrônicas tornou a proteção patrimonial ainda mais desafiadora. Golpes como **falso atendimento bancário**, links falsos para roubar senhas, **Pix fraudulento** e falsas centrais de suporte que solicitam instalação de aplicativos para acesso remoto ao celular da vítima se tornaram comuns.
A baixa familiaridade com recursos digitais aumenta a exposição de muitos idosos a esse tipo de fraude. Por isso, é crucial que familiares e cuidadores estejam atentos e orientem os idosos sobre os perigos online.
Projeto de lei busca ampliar a proteção patrimonial
Diante do aumento dos casos, a Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei nº 6.380/2025, que cria o Programa Nacional de Proteção Patrimonial da Pessoa Idosa (Protege+). A proposta ainda precisa concluir sua tramitação no Congresso Nacional antes de entrar em vigor.
Entre as medidas previstas estão a obrigação de instituições financeiras e cartórios comunicarem operações consideradas atípicas ou de alto risco. Especialistas apontam desafios na implementação prática, como a definição clara de órgãos responsáveis e a garantia de investigações rápidas e eficazes.
Como proteger o patrimônio de uma pessoa idosa
Algumas medidas simples ajudam a reduzir significativamente os riscos de violência patrimonial. É fundamental **evitar compartilhar senhas** bancárias e revisar movimentações financeiras regularmente. Desconfiar de pressões para vender imóveis, fazer empréstimos ou assinar documentos rapidamente é essencial.
Procurar **orientação jurídica** antes de realizar doações, transferências patrimoniais ou emitir procurações é altamente recomendável. Manter o **diálogo entre familiares** aberto e transparente reduz conflitos e dificulta situações de manipulação, protegendo o patrimônio e a dignidade do idoso.
Quem suspeitar de violência patrimonial contra uma pessoa idosa pode buscar ajuda por diferentes canais, como o Disque 100, delegacias especializadas e o Ministério Público. Quanto mais cedo a denúncia for realizada, maiores são as chances de interromper o abuso e preservar o patrimônio da vítima.
