Brasil Perde Mais que Jogo na Copa: A Estratégia Esquecida do Soft Power Futebolístico Brasileiro
Futebol Brasileiro: Além da Derrota em Campo, Uma Estratégia de Influência Perdida
A recente eliminação do Brasil na Copa do Mundo de 2026 reacende debates sobre a CBF, o técnico e a preparação da seleção. Críticas sobre organização, liderança e decadência técnica são recorrentes. No entanto, a perda mais significativa transcende o placar, residindo na negligência de um dos maiores ativos de projeção internacional do país: o futebol como fonte de soft power.
O futebol brasileiro, por décadas, foi sinônimo de beleza, criatividade e vitória, projetando o país globalmente antes mesmo de muitos conhecerem suas belezas naturais ou sua complexidade econômica. Nomes como Pelé, Garrincha e Ronaldo abriram portas e criaram simpatia internacionalmente, estabelecendo uma conexão afetiva espontânea.
Essa percepção é reforçada por experiências como a vivida em uma viagem à Cisjordânia, onde, em meio a tensões políticas, brasileiros eram vistos torcendo com entusiasmo pela Seleção Canarinho. Essa admiração genuína, conforme relatado na fonte original, representava um reconhecimento internacional que não dependia de embaixadas ou campanhas oficiais, mas de uma conexão emocional universal.
Futebol como Ferramenta de Poder Brando: Um Ativo Subutilizado
A crítica de que o Brasil deveria ser reconhecido por sua ciência e tecnologia, e não pelo futebol, parte de uma premissa equivocada. Nações como os Estados Unidos, o Reino Unido e a Coreia do Sul utilizam múltiplos ativos, como cultura, tecnologia e entretenimento, para projetar sua influência global. O Brasil, por outro lado, parece envergonhar-se de suas vantagens, tratando o futebol como mero folclore.
O futebol é uma linguagem universal, capaz de criar identificação entre pessoas de diferentes origens. Em um mundo fragmentado, ele ainda oferece uma gramática comum de emoção e pertencimento. A perda do protagonismo em campo, portanto, simboliza uma perda maior: a de não capitalizar esse fenômeno cultural como estratégia de influência global.
A Língua Portuguesa: Outro Ativo Estratégico Ignorado
O descuido com o potencial do futebol reflete uma tendência mais ampla de desvalorização de ativos estratégicos. A língua portuguesa, com centenas de milhões de falantes globais, é outro exemplo. Apesar de ser idioma de literatura, comércio e ciência, raramente é tratada como instrumento de projeção internacional, ao contrário do que faz Portugal com o Instituto Camões.
O Brasil possui vantagens raras, incluindo uma cultura admirada, biodiversidade única, música reconhecida e uma sociedade que desperta simpatia. O problema não é a falta de ativos, mas a ausência de uma estratégia clara para utilizá-los de forma eficaz no cenário mundial.
Recuperar o Futebol é Mais que Vencer, é Reconectar com o Mundo
Recuperar o futebol brasileiro não se resume a voltar a vencer campeonatos. A derrota em campo é apenas um sintoma visível. A verdadeira perda reside em esquecer que o país detém um patrimônio imaterial imenso, capaz de gerar admiração e influência. Nenhum país sério desperdiça aquilo que o torna admirado globalmente, e o Brasil precisa urgentemente resgatar essa visão estratégica para seu futebol e seus outros ativos culturais.
