Sanções EUA-Irã 2026: Economista Alerta Sobre Inflação e Dívida Pública Ignorando Ameaças de Tarifas e Restrições
Economista Bruno Corano destaca que riscos globais de inflação e dívida pública são mais preocupantes que sanções EUA-Irã e tarifas sobre a China em 2026.
As sanções econômicas dos Estados Unidos contra o Irã, em vigor desde 1979, e as tarifas adicionais sobre produtos chineses, aplicadas desde 2018, continuam sendo temas de debate. No entanto, o economista Bruno Corano, em participação na BM&C News, avalia que o impacto político desses instrumentos é limitado e que os mercados deveriam direcionar sua atenção para outros fatores de maior relevância.
Corano argumenta que o foco deveria migrar para o risco de inflação, impulsionada por choques no preço do petróleo, e para o alto endividamento de grandes economias. Ele sugere que esses elementos representam ameaças mais estruturais para a estabilidade econômica global do que as medidas de pressão comercial e financeira em curso.
As análises oficiais dos EUA sobre as sanções ao Irã e as tarifas contra a China divergem, enfatizando os efeitos econômicos e a busca por mudanças comportamentais. Contudo, Corano mantém sua perspectiva de que a efetividade prática dessas ações é questionável, especialmente diante da complexa interdependência econômica global.
Sanções ao Irã: Um Histórico de Pressão com Efetividade Limitada
O regime de sanções ao Irã é um dos mais antigos e abrangentes implementados pelos Estados Unidos. Administrado por órgãos como o Departamento do Tesouro e o Departamento de Estado, o objetivo é restringir as receitas de petróleo iraniano e seu acesso ao sistema financeiro internacional. Essas medidas visam, segundo fontes oficiais, negar recursos para programas nucleares, de mísseis balísticos, apoio a grupos considerados terroristas e atividades desestabilizadoras na região.
Em 2018, após a saída dos EUA do Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA), as sanções nucleares foram integralmente restabelecidas, impactando setores como energia, transporte marítimo e transações com o Banco Central do Irã. Apesar da severidade do arcabouço sancionatório, Bruno Corano avalia que as sanções “nunca tiveram de fato efeito prático” sobre o comportamento de Teerã.
China: O Dilema Americano na Aplicação de Sanções Secundárias
A China desempenha um papel crucial como principal parceiro econômico do Irã, especialmente na importação de petróleo. Washington enfrenta um dilema ao considerar a aplicação de sanções secundárias contra empresas que negociam com Teerã, incluindo companhias chinesas. Pressionar esses terceiros poderia afetar significativamente a relação econômica com a China, um dos maiores parceiros comerciais dos próprios EUA.
Essa interdependência econômica leva os Estados Unidos a “pisarem em ovos” ao ameaçar impor sanções a quem negocia com o Irã. A relação entre EUA e China, embora não seja de afeto, é marcada por uma dependência mútua que limita a margem de manobra americana. Autoridades norte-americanas, contudo, sustentam que as restrições financeiras e os custos reputacionais das sanções secundárias ainda aumentam o custo de operar com o Irã, limitando os benefícios para Teerã.
Tarifas EUA-China: Ruído com Efetividade Estrutural Questionada
Desde 2018, os EUA têm imposto tarifas adicionais sobre centenas de bilhões de dólares em produtos chineses, como resposta a práticas comerciais consideradas desleais. Apesar de um acordo de “Fase Um” em 2020, a maior parte dessas tarifas permanece em vigor, com revisões periódicas para sua manutenção, modificação ou revogação.
Bruno Corano compara as ameaças de novas tarifas com a disputa de 2018-2019, descrevendo-a como “muito ruído e pouca efetividade em termos de mudança estrutural”. Documentos oficiais dos EUA, por outro lado, defendem as tarifas como um instrumento central de pressão para alterar práticas comerciais chinesas, reconhecendo seus efeitos econômicos.
Estreito de Ormuz e Dívida Pública: Os Verdadeiros Drivers de Risco
O economista destaca que o verdadeiro risco para a inflação global reside em potenciais choques de energia ligados ao Estreito de Ormuz, considerado o gargalo de petróleo mais importante do mundo. Interrupções nesse estreito, por onde transitava cerca de 21% do consumo mundial de petróleo em 2018, teriam um impacto significativo nos preços globais de energia.
Qualquer aumento de tensão na região, mesmo sem um bloqueio efetivo, tende a elevar o prêmio de risco no preço do petróleo, gerando pressão inflacionária global. Esse elo entre geopolítica, energia e inflação é central para a precificação de ativos, mas muitas vezes ofuscado por comunicados focados em segurança.
Além da inflação, Corano aponta o alto endividamento de países como Brasil, China e Estados Unidos como um risco que merece mais atenção dos investidores. O FMI tem alertado sobre o aumento da dívida pública em economias avançadas e emergentes, que gera menor espaço fiscal para respostas a choques, maior sensibilidade a altas nas taxas de juros e risco de reprecificação súbita de ativos.
Em suma, a combinação de inflação elevada e dívida alta representa um risco mais estrutural para os preços de ativos do que a retórica sobre sanções e tarifas, segundo a análise de Bruno Corano, divulgada pela BM&C News.
