Braskem Busca Alívio Financeiro: Petroquímica Pede Recuperação Extrajudicial para Renegociar Dívida de R$ 54 Bilhões

Braskem entra com pedido de recuperação extrajudicial para renegociar dívida bilionária e busca estabilidade financeira.

A gigante petroquímica Braskem deu um passo significativo em sua estratégia financeira ao protocolar um pedido de recuperação extrajudicial na Justiça de São Paulo. O objetivo principal é renegociar uma dívida expressiva, estimada em cerca de R$ 54 bilhões, com foco principal em obrigações denominadas em dólares.

Este movimento marca o início de uma nova fase nas negociações da companhia com seus credores, buscando um ambiente jurídico que facilite a reestruturação de seus compromissos financeiros. A recuperação extrajudicial é um mecanismo que permite à empresa dialogar diretamente com quem lhe deve dinheiro, sem a necessidade de passar por todo o rito de um processo de recuperação judicial tradicional.

Conforme divulgado pela BM&C News, a recuperação extrajudicial da Braskem abrange obrigações financeiras quirografárias que somam aproximadamente US$ 10,9 bilhões. A empresa informou que busca, com este procedimento, criar um arcabouço legal para negociar e implementar a reestruturação desses passivos. É importante ressaltar que este processo tem um escopo estritamente financeiro, não afetando, portanto, os acordos e compromissos da companhia com seus fornecedores, clientes e outros parceiros de negócio, que permanecem em vigor e sendo honrados normalmente.

Como funciona a recuperação extrajudicial da Braskem?

A recuperação extrajudicial funciona como uma ponte para que empresas em dificuldade possam negociar suas dívidas diretamente com seus credores. Diferente da recuperação judicial, o acordo final precisa ser homologado pela Justiça para ter validade legal. No caso da Braskem, o primeiro passo é conseguir a adesão de pelo menos um terço dos credores envolvidos no procedimento.

Após obter essa adesão inicial, a empresa terá um prazo de 90 dias para apresentar e obter a aprovação de um plano de reestruturação. Essa etapa crítica exigirá a maioria dos votos dos credores para que o plano seja validado. Entre os principais credores da Braskem, estão grandes instituições financeiras como BNDES, Banco do Brasil, Itaú Unibanco, Bradesco e Santander, além de outros detentores de títulos.

Por que a Braskem recorreu à Justiça?

As negociações diretas com os credores vinham ocorrendo nas últimas semanas, mas não se chegou a um acordo definitivo sobre um formato de reestruturação. Alternativas como uma possível capitalização da empresa e o uso de ativos como garantia foram consideradas, mas sem sucesso na conclusão.

A Braskem já havia obtido, anteriormente, uma tutela judicial que suspendeu por 60 dias certas execuções e bloqueios de bens. Essa proteção, concedida pela 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo diante das pressões sobre a liquidez da companhia, estava próxima do fim, o que tornou a recuperação extrajudicial uma opção mais urgente.

Situação financeira da petroquímica em foco

Apesar dos desafios relacionados ao endividamento, a Braskem apresentou um resultado positivo no segundo trimestre de 2026, registrando um lucro de R$ 3,33 bilhões, o que reverteu um prejuízo anterior. Contudo, a estrutura de capital da empresa continua sendo o ponto central das discussões com os credores. A agência de classificação de risco Fitch rebaixou a nota de crédito da petroquímica de C para RD, indicando inadimplência restrita, após a empresa não honrar o pagamento de juros de certas obrigações financeiras.

Nos Estados Unidos, a Braskem e suas controladas já haviam buscado, em junho, o reconhecimento de uma tutela judicial brasileira. A Justiça americana concedeu preliminarmente uma suspensão de medidas de cobrança, com duração similar à proteção obtida no Brasil. Com a recuperação extrajudicial, as negociações agora dependem da adesão dos credores e da subsequente homologação judicial do plano que definirá as novas condições para o pagamento das obrigações financeiras da Braskem.

Editor

Entusiasta ao marketing online, apaixonado por crédito e finanças pessoais