Braskem: De Odebrecht à IG4, a Jornada de Controle em Meio à Crise e os Próximos Passos do Novo Acordo

Braskem: A Reviravolta no Controle Acionário e o Desafio Financeiro da IG4 Sol

A maior petroquímica da América Latina, a Braskem, passou por uma significativa mudança em seu controle acionário, saindo das mãos da antiga Odebrecht (agora Novonor) para a entrada do fundo Shine I, assessorado pela IG4 Sol. Essa transação, ocorrida em meio a um cenário de crise financeira, envolveu dívidas, garantias e uma complexa reestruturação que agora coloca a IG4 diante de seu maior desafio.

A operação não foi uma simples compra direta, mas sim um intrincado processo que envolveu a aquisição de créditos contra a Novonor, garantidos por ações da Braskem. Conforme divulgado pelo BM&C News, a IG4 não apenas comprou a Braskem, mas orquestrou uma série de movimentações financeiras para assumir a participação que garantia o controle da companhia.

O resultado é uma nova configuração de controle compartilhado entre o Shine I e a Petrobras. No entanto, é crucial notar que essa mudança de controle não representou uma entrada direta de capital novo no caixa da Braskem, o que agora se torna um ponto central na tese de investimento da IG4, especialmente diante da recuperação extrajudicial em curso.

O Caminho da Novonor para a Perda do Controle da Braskem

A Novonor, antiga Odebrecht, vinha enfrentando anos de dificuldades em sua estrutura de endividamento. Como parte dessa estratégia de reestruturação, ações da Braskem, detidas pela NSP Investimentos, ligada ao grupo, foram oferecidas como garantia para diversos créditos bancários.

O ponto de virada ocorreu em dezembro de 2025, quando o Shine I Fundo de Investimento em Direitos Creditórios assinou um acordo vinculante com bancos credores. Este acordo visava a aquisição de créditos contra empresas do grupo Novonor, tendo como um dos principais ativos as ações da Braskem.

Esse movimento foi o primeiro passo formal para a alteração do controle da petroquímica, abrindo caminho para a reestruturação que se seguiria nos meses posteriores, conforme detalhado pelo BM&C News.

Shine I Assume o Controle via Aquisição de Ações e Debêntures

Em abril de 2026, a estrutura definitiva da operação foi formalizada entre Novonor, NSP Investimentos e os fundos Shine. A NSP concordou em transferir ao Shine I FIP um pacote significativo de ações da Braskem.

Este pacote representava aproximadamente 50,1108% das ações com direito a voto e 34,3234% do capital total da Braskem. Em contrapartida, o FIP entregou à NSP debêntures emitidas pela própria NSP, que foram incorporadas à estrutura da transação.

A conclusão desta etapa da operação ocorreu em 3 de junho de 2026, marcando o fim de um ciclo para a Novonor e o início de uma nova era para a Braskem sob a nova gestão, de acordo com informações divulgadas pelo BM&C News.

Petrobras: Um Novo Parceiro no Controle Compartilhado

A Petrobras, que já possuía participação na Braskem, optou por não exercer seus direitos de preferência e tag along na operação de mudança de controle. Em vez disso, a estatal firmou um novo acordo de acionistas com o Shine I FIP em 23 de abril.

Este acordo estabeleceu um controle compartilhado da Braskem entre as duas partes, formalizado com a conclusão da transação em junho. A partir daí, Petrobras e Shine I passaram a dividir as decisões estratégicas da companhia.

Atualmente, a Petrobras mantém 36,15% do capital total e 47,03% do capital votante da Braskem. Apesar do Shine I deter a maioria das ações ordinárias, o acordo societário garante um controle conjunto, e não isolado, da petroquímica.

IG4 Sol: Apostando na Crise para a Reestruturação

A IG4 se posiciona como uma gestora especializada em situações especiais e empresas que necessitam de reestruturação financeira e operacional. Sua estratégia declarada inclui uma atuação direta na governança, revisão de planos de negócios e reestruturação de dívidas.

Essa abordagem se refletiu na Braskem com a nomeação de novos executivos em junho. Hélcio Tokeshi, da IG4 Capital, assumiu como CEO, e Carlos Brandão tornou-se CFO e diretor de Relações com Investidores. Integrantes indicados pelo Shine I também foram eleitos para o Conselho de Administração.

A Braskem descreveu essa nova estrutura como uma união da experiência da IG4 em reestruturações com a presença mais ativa da Petrobras. A gestora, portanto, parece ter apostado justamente no cenário de crise, buscando ativos de qualidade em condições atrativas para recuperação, conforme relatado pelo BM&C News.

A Recuperação Extrajudicial: O Teste Crucial para a Nova Gestão

Menos de três meses após a conclusão da transferência de controle, a Braskem entrou com pedido de recuperação extrajudicial envolvendo aproximadamente US$ 10,9 bilhões em obrigações financeiras. O plano prevê a possibilidade de capitalização de dívida e eventual suporte dos acionistas.

Este é o primeiro grande teste para a estratégia da IG4 na Braskem. A gestora assumiu a governança de uma companhia altamente endividada com uma tese de transformação. A recuperação extrajudicial dirá se essa mudança será acompanhada por capital adicional, redução efetiva do endividamento e a capacidade financeira necessária para sustentar a Braskem durante sua reestruturação.

A alta alavancagem da Braskem, que atingiu 18,18 vezes em março de 2026, já era conhecida no momento da transferência de controle, indicando que a IG4 apostou em uma empresa já em dificuldades. A capacidade de mobilização de recursos dos investidores finais por trás do Shine I será fundamental para o sucesso dessa empreitada.

Editor

Entusiasta ao marketing online, apaixonado por crédito e finanças pessoais