Caso Marielle: Rivaldo Barbosa e Giniton Lages Denunciados por Obstrução de Justiça e Associação Criminosa pelo MPF

MPF denuncia ex-chefes da Polícia Civil do Rio, Rivaldo Barbosa e Giniton Lages, por obstrução de justiça e associação criminosa no caso Marielle.

O Ministério Público Federal (MPF) apresentou uma nova denúncia contra o delegado Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil do Rio, e o também delegado Giniton Lages, além do comissário Marco Antonio Pinto Barros. As acusações de associação criminosa e obstrução de justiça miram a atuação dos três na investigação do duplo homicídio da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, crime que completa oito anos em março.

A denúncia, apresentada ao Supremo Tribunal Federal (STF), detalha como os acusados teriam agido para garantir a impunidade de crimes cometidos por organizações criminosas no Rio de Janeiro. Essa é a segunda vez que Rivaldo Barbosa é alvo de denúncia do MPF no caso, após ter sido apontado como um dos mandantes do crime.

Conforme informação divulgada pela Agência O Globo, a nova acusação é resultado de investigações do Inquérito 4.954, que apura crimes de associação criminosa e obstrução de justiça. A atuação do grupo, segundo o MPF, envolvia o desaparecimento e ocultação de provas, além da avocação de inquéritos e a incriminação de inocentes, visando proteger milicianos e contraventores.

Rivaldo Barbosa, apontado como mentor intelectual, agora enfrenta novas acusações

Rivaldo Barbosa, que além de ser réu como um dos mandantes do assassinato de Marielle e Anderson, é agora acusado de liderar uma associação criminosa dentro da Polícia Civil. O MPF alega que o delegado, em sua gestão na Divisão de Homicídios e posteriormente como chefe da corporação, atuou para garantir a impunidade dos envolvidos no crime.

A estrutura criminosa, segundo a denúncia, controlava apurações de crimes ligados a milícias e contraventores, especialmente em disputas por território e atividades ilícitas. O modus operandi incluía a manipulação de provas e a sabotagem de investigações conduzidas por delegados externos ao grupo.

Giniton Lages e Marco Antonio Pinto Barros também denunciados

O delegado Giniton Lages e o comissário Marco Antonio Pinto Barros são acusados de integrar a mesma associação criminosa liderada por Rivaldo Barbosa. A participação deles teria sido fundamental para a obstrução das investigações do duplo homicídio e da tentativa de homicídio da assessora Fernanda Chaves.

O MPF busca a condenação dos três pelos crimes de associação criminosa e obstrução de justiça, além da manutenção de medidas cautelares e a perda dos cargos públicos. A acusação também pede indenização por dano moral coletivo devido ao impacto negativo da organização no sistema investigativo do estado.

Próximos passos no julgamento dos mandantes e a continuidade das investigações

A primeira denúncia contra os apontados como mandantes do crime, incluindo os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão, conselheiro e ex-deputado federal, respectivamente, tem julgamento marcado para o dia 24 de março, após o carnaval. A denúncia que agora envolve Rivaldo, Giniton e Marco Antonio demonstra a complexidade das investigações e a persistência do MPF em desvendar todas as camadas de envolvimento e obstrução no caso Marielle.

A atuação da associação criminosa, conforme detalhado pelo MPF, aproveitou-se de um contexto de “mercantilização de homicídios” no Rio de Janeiro. A investigação busca não apenas punir os executores e mandantes, mas também desarticular a rede de proteção e corrupção que permitiu a impunidade por tanto tempo.

Redação Portal DBC

Estou aqui para trazer para você o melhor conteúdo, na hora certa.