CEO da B3 Aposta em Reabertura do Mercado de IPOs em 2026: Empresas Bilionárias e Investidores Estrangeiros no Radar

CEO da B3 prevê reabertura do mercado de IPOs em 2026, com foco em infraestrutura e atração de capital estrangeiro

O mercado brasileiro de ofertas públicas iniciais de ações (IPOs) pode estar prestes a viver um novo ciclo. Segundo Gilson Finkelsztain, presidente da B3, a bolsa de valores brasileira, há uma expectativa clara de que o mercado se reabra ainda este ano, encerrando um período de mais de quatro anos de inatividade nesse segmento.

Essa projeção otimista foi compartilhada pelo executivo em um encontro com jornalistas, onde ele destacou os setores e os fatores que devem impulsionar essa retomada. A perspectiva é que as primeiras companhias a buscarem o mercado sejam aquelas já consolidadas, especialmente no promissor setor de infraestrutura.

A expectativa é que essas operações possam movimentar valores na casa dos bilhões, atraindo tanto o capital nacional quanto o internacional. A informação foi divulgada por Camille Bocanegra.

Infraestrutura e Interesse Estrangeiro Lideram a Retomada de IPOs

A reabertura do mercado local para IPOs, conforme antecipado por Finkelsztain, deve ser significativamente impulsionada pelo renovado interesse de investidores estrangeiros. Essa tendência segue o movimento recente de companhias brasileiras buscando o mercado internacional, como o banco digital PicPay, que realizou sua oferta de ações nos Estados Unidos no final de janeiro.

O presidente da B3 ressalta que, embora algumas empresas optem por listar suas ações no exterior, a tendência é que a maioria comece a considerar a abertura de capital no Brasil. “Hoje, a maioria das empresas que abrem capital lá fora devem pensar em ter um BDR disponível aqui”, afirmou Finkelsztain, sugerindo que a abertura de capital no mercado local deve se tornar a opção preferencial.

Ele também mencionou a fintech Agibank como outra empresa que estaria na fila para lançar suas ações no mercado norte-americano, tendo publicado recentemente o prospecto preliminar para listagem na NYSE. Esse movimento global pode sinalizar uma maior confiança no ecossistema financeiro brasileiro.

Desafios Eleitorais e Juros Elevados Podem Moderar o Ritmo dos IPOs

Apesar do otimismo geral, Gilson Finkelsztain não deixou de apontar os desafios que podem influenciar o volume e o ritmo das ofertas de IPOs em 2026. O ano eleitoral no Brasil, com a consequente incerteza política, e a taxa básica de juros ainda em patamares elevados, atualmente em 15% ao ano, são fatores que podem atenuar o potencial de novas listagens.

O executivo acredita que uma redução significativa nos juros, visando um patamar de um dígito para 2027, seria um catalisador importante para atrair mais investidores para a renda variável. “Se conseguirmos mirar em juro de 1 dígito para 2027, o investidor poderia vir com mais força para renda variável”, pontuou.

Expectativas e Potencial de Companhias para Novas Ofertas

Ao ser questionado sobre o número de IPOs esperados para 2026, Finkelsztain demonstrou cautela com previsões exatas, relembrando uma ocasião em 2020 quando sua previsão de nenhum IPO se contrapôs a mais de 20 ofertas realizadas naquele ano. Atualmente, ele estima que existam entre 10 e 15 empresas brasileiras com potencial para realizar IPOs ou follow-ons neste ano.

A B3, por sua vez, tem se fortalecido para atender a essa demanda. Recentemente, a empresa lançou a Trillia, uma nova unidade de negócios focada em inteligência de dados, resultado de aquisições estratégicas que já respondem por 10% da receita da companhia. Essa movimentação demonstra o compromisso da B3 em inovar e oferecer soluções avançadas para o mercado financeiro.

O cenário para 2026, embora apresente desafios, mostra um **mercado de IPOs com potencial de reabertura**, impulsionado por setores fortes e pela busca por capital, com a B3 se preparando para receber novas empresas.

Redação Portal DBC

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