EUA consideram operação secreta no Irã para controlar urânio enriquecido em meio a conflito militar, aponta reportagem
EUA e Israel avaliam ação militar para assegurar urânio iraniano, conforme reportagem da Axios
Autoridades dos Estados Unidos e de Israel discutiram a possibilidade de uma operação com forças especiais dentro do Irã. O objetivo seria garantir o controle de estoques de urânio enriquecido do país. A informação foi divulgada pelo site Axios, levantando novas preocupações sobre o envolvimento americano no conflito.
A missão hipotética poderia envolver forças dos Estados Unidos, de Israel, ou uma operação conjunta entre os dois países. O plano visa assegurar o material nuclear iraniano em um momento de crescente tensão militar na região, iniciado no fim de fevereiro.
Questionado sobre a possibilidade, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou em entrevista à ABC que “tudo está sobre a mesa”. A declaração sinaliza uma flexibilidade na abordagem americana em relação ao conflito e ao material nuclear iraniano.
O debate sobre uma operação desse tipo ocorre em paralelo ao aumento da apreensão em Washington. Há um temor crescente sobre um possível maior envolvimento militar dos EUA na guerra em curso, sem uma estratégia clara de saída definida.
Trump não descarta envio de tropas terrestres e define condições para intervenção
Donald Trump não descartou a possibilidade de enviar tropas terrestres ao Irã desde o início dos ataques aéreos americanos contra alvos iranianos. No entanto, ele indicou que tal medida só seria considerada em circunstâncias específicas.
Em declarações a repórteres a bordo do Air Force One, o presidente afirmou que enviaria tropas apenas por “uma razão muito boa”. Ele acrescentou que isso só ocorreria caso as forças militares iranianas estivessem “tão devastadas que não conseguiriam lutar no terreno”.
Trump também mencionou que uma operação para garantir os estoques de urânio enriquecido poderia ocorrer “mais adiante”. Ele ressaltou, contudo, que tal ação não está prevista no momento atual do plano militar. Autoridades do governo reforçam que nenhuma opção foi retirada da mesa.
Preocupação no Congresso e impacto na opinião pública americana
A perspectiva de uma ampliação do conflito já gera inquietação no Congresso dos Estados Unidos. Parlamentares temem que a participação americana se aprofunde sem uma estratégia clara de retirada, o que poderia levar a um conflito prolongado.
“Quando você começa a colocar botas no terreno, e essas tropas podem precisar de reforço, isso começa a parecer um conflito de longo prazo”, alertou o senador republicano Thom Tillis em entrevista à CNN. A declaração reflete o receio de uma escalada sem fim à vista.
O debate ocorre em meio a uma crescente pressão política sobre a Casa Branca. Pesquisas recentes indicam um aumento na desaprovação pública à condução da guerra, evidenciando o descontentamento popular com a política externa atual.
Conflito já gerou baixas americanas e Israel vê o urânio como objetivo estratégico
O atual conflito já resultou em baixas para as forças americanas. Seis militares mortos em ataques no Kuwait tiveram seus corpos repatriados no fim de semana. Uma cerimônia foi realizada na base aérea de Dover, em Delaware, com a presença de Donald Trump.
Um sétimo militar americano morreu após um ataque contra tropas dos EUA na Arábia Saudita, aumentando o custo humano do envolvimento na região. As perdas militares intensificam o debate sobre a estratégia americana.
Autoridades israelenses também confirmaram que garantir o controle do urânio enriquecido iraniano é um objetivo estratégico da operação militar. Segundo o embaixador de Israel nos Estados Unidos, Michael Leiter, será necessário criar condições militares favoráveis para que forças consigam acessar e remover o material nuclear.
Mesmo um uso limitado de tropas terrestres poderia elevar significativamente o nível do conflito. Isso ampliaria o risco político para o governo americano, inclusive entre setores do Partido Republicano tradicionalmente contrários a intervenções militares prolongadas.
