Fed Sinaliza Alívio de Capital: Crédito Imobiliário nos EUA Ganha Novo Impulso com Mudanças Regulatórias

Fed prepara terreno para facilitar crédito imobiliário nos EUA com ajustes em regras de capital para bancos

O Federal Reserve (Fed) dos Estados Unidos está sinalizando uma mudança significativa em suas regulamentações. A intenção é aliviar as exigências de capital impostas aos bancos, com o objetivo principal de **estimular a concessão de crédito imobiliário** no país. A notícia foi divulgada nesta segunda-feira (16) por Michelle Bowman, vice-presidente do Fed responsável pela supervisão bancária, conforme reportagem do Financial Times.

Essa iniciativa surge em um contexto de pressão por parte do governo de Donald Trump, que busca uma revisão das normas prudenciais. A Casa Branca argumenta que essas regras, consideradas excessivamente rigorosas, estariam afastando o crédito do sistema bancário tradicional, direcionando-o para outras instituições. A proposta do Fed é **recalibrar essas normas**, tornando-as mais adequadas para as operações ligadas ao mercado de hipotecas.

Michelle Bowman detalhou que o banco central está avaliando duas alterações regulatórias cruciais. O objetivo é **aumentar o interesse dos bancos na originação e gestão de financiamentos habitacionais**. A autoridade acredita que essas mudanças podem reverter uma tendência observada nos últimos 15 anos: a migração da atividade hipotecária para instituições financeiras não bancárias. Conforme informação divulgada pelo Financial Times, a participação dos bancos na concessão de novos financiamentos residenciais caiu de 60% em 2008 para apenas 35% em 2023, enquanto empresas como Rocket Mortgage e CrossCountry Mortgage expandiram sua atuação.

Exigências de capital desproporcionais sob análise

De acordo com Bowman, o **tratamento regulatório atual impõe exigências de capital que não condizem com o risco real das operações hipotecárias**, tornando a atividade menos atrativa para os grandes bancos. Um dos pontos centrais em discussão é como tratar os chamados direitos de administração de hipotecas. Esses ativos permanecem com os bancos mesmo após a venda dos empréstimos a entidades como Fannie Mae e Freddie Mac.

Atualmente, esses direitos podem ter uma ponderação de risco de 250% para fins de cálculo de capital regulatório. O Fed estuda a possibilidade de **eliminar a obrigação de deduzir esses ativos do capital** e também revisar a metodologia de cálculo de risco. Outra mudança em estudo é permitir que o capital exigido para uma operação hipotecária **varie conforme o risco específico**, levando em conta, por exemplo, a relação entre o valor do empréstimo e o valor do imóvel. Essa prática, aliás, já é comum em outras jurisdições internacionais.

Busca por estabilidade financeira e maior oferta de crédito

A discussão sobre as regras de capital para o crédito imobiliário também acontece no âmbito das **normas internacionais de Basileia**. O setor financeiro vinha criticando a forma como essas regras estavam sendo implementadas nos EUA. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, já defendeu a modernização do arcabouço de capital para evitar a chamada “arbitragem regulatória”, que seria o movimento de crédito para instituições com menor supervisão.

Michelle Bowman assegurou que o **aumento da participação dos bancos no crédito imobiliário não comprometerá a solidez do sistema financeiro**. Para o Fed, é perfeitamente possível conciliar uma maior oferta de crédito com a manutenção da estabilidade bancária. As potenciais mudanças ainda passarão por consulta pública e deliberação formal do banco central.

Impactos esperados no mercado financeiro

A sinalização do Fed representa um indicativo de que a autoridade monetária pode adotar uma **postura mais favorável ao setor financeiro**. Essa mudança regulatória tem potencial para impactar positivamente o crédito imobiliário, o mercado de hipotecas e, consequentemente, as ações de bancos listados em Wall Street. A expectativa é de um **novo fôlego para o mercado imobiliário americano**.

Redação Portal DBC

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