Geração Z Adota “Cadeados” Digitais para Celulares e Expõe Tendência Viral nas Redes Sociais

Jovens da Geração Z buscam ‘desintoxicação digital’ com bloqueadores físicos de aplicativos, um fenômeno que ganha força nas redes sociais.

Em meio a um crescente movimento de busca por bem-estar e saúde mental, a Geração Z encontrou uma solução inesperada para o vício em smartphones: dispositivos físicos que funcionam como “cadeados” para celulares. A tendência, ironicamente, se populariza através das mesmas redes sociais que buscam combater.

O objetivo é criar barreiras tangíveis para o acesso impulsivo a aplicativos considerados mais viciantes, como TikTok e Instagram, sem a necessidade de abandonar completamente o dispositivo. Essa busca por controle reflete uma preocupação com a qualidade do sono, a capacidade de concentração e o bem-estar geral.

Produtos como o cartão Bloom e o tijolo Brick oferecem uma abordagem física para limitar o tempo de tela, transformando o ato de desbloquear aplicativos em uma decisão mais consciente. Conforme informações divulgadas pela Fortune, essa nova onda de produtos surge em um momento de maior debate sobre os efeitos do uso excessivo de smartphones na saúde mental.

A Ascensão dos Bloqueadores Físicos de Apps

Empresas como a Bloom, fundada por estudantes universitários, lançaram dispositivos que se integram a aplicativos para bloquear o acesso a apps selecionados por períodos definidos. O cartão Bloom, por exemplo, requer que o usuário encoste o dispositivo no celular para liberar o acesso, criando uma pausa intencional.

Giancarlo Novelli, cofundador da Bloom, compara a atual relação com os smartphones à época em que fumar era socialmente aceito, antes de seus malefícios serem amplamente comprovados. Ele destaca que aplicativos de vídeo curto, com mecanismos que liberam hormônios de bem-estar, funcionam como “uma máquina caça-níquel no bolso”, tornando o vício mais insidioso.

Estudos, como um de 2025 da Universidade de Alberta, associam o uso de redes sociais a problemas como depressão e ansiedade, embora o padrão de uso individual seja um fator determinante. A advogada e influenciadora Kristian del Rosario relata melhorias na produtividade desde que passou a usar o Brick, um concorrente da Bloom.

Criando Barreiras para o “Doomscrolling”

Del Rosario explica que o dispositivo físico adiciona uma camada extra de resistência ao impulso de abrir aplicativos automaticamente, algo que o recurso nativo do iPhone, por exemplo, não oferece da mesma maneira. “Como precisa encostar o celular no dispositivo para desbloquear os apps, isso ajuda a criar uma barreira física e a resistir à tentação nos momentos em que mais precisa de foco”, contou à Fortune.

TJ Driver, fundador da Brick, afirma que a intenção é transformar o “doomscrolling” automático em uma decisão mais consciente. Ao adicionar um pequeno momento de intencionalidade, o usuário ganha um instante para reavaliar se realmente deseja acessar um app ou se prefere permanecer presente em suas atividades.

Para Del Rosario, a flexibilidade de manter mensagens ativas enquanto bloqueia redes sociais é um diferencial importante, permitindo a comunicação com clientes. Ela também observa que o dispositivo a auxiliou a reorganizar sua rotina noturna, substituindo o hábito de rolar feeds infinitos por momentos de relaxamento.

O Apelo Analógico da Geração Z

A popularidade de dispositivos como Bloom e Brick também se alinha com a preferência da Geração Z por elementos analógicos em um mundo cada vez mais digital. O apreço por discos de vinil, cartões escritos à mão e outros itens tangíveis reflete um desejo de reduzir o tempo de tela e resgatar uma conexão com o “mundo real”.

Essa tendência surge enquanto o debate sobre a natureza viciante das redes sociais continua. Adam Mosseri, chefe do Instagram, já se manifestou sobre o tema, diferenciando “dependência clínica” de uso “problemático” durante um julgamento contra a Meta.

Kristian del Rosario enfatiza que, independentemente da classificação, é evidente que os jovens enfrentam dificuldades em reduzir o tempo de tela, mesmo quando desejam. “A Geração Z, de modo geral, é muito obcecada com o celular, e isso vem do fato de que é por ele que a gente consome informação, descobre o que está acontecendo no mundo”, disse.

Eficácia e Controvérsias

Apesar do sucesso em vendas, com a Bloom relatando mais de 60 mil unidades vendidas, a real eficácia desses dispositivos ainda gera debate. A ironia de descobrir esses produtos online e discuti-los em redes sociais levanta questionamentos sobre a sinceridade de influenciadores que os promovem.

O colunista Alex Kirshner, da Slate, expressou ceticismo, sugerindo que posts sobre o uso de bloqueadores podem ser “conversa fiada” por contradizerem a própria mensagem de desapego digital. A promoção online desses dispositivos, por si só, pode minar a intenção de reduzir o tempo de tela.

Giancarlo Novelli, contudo, acredita que as redes sociais em si não são o problema principal, mas sim o hábito automático de acesso. Ele vê as plataformas como ferramentas valiosas de comunicação e, paradoxalmente, úteis para disseminar a mensagem sobre a importância de gerenciar o tempo de tela. “Não existe problema com a rede social em si, desde que haja regulação. A questão é: como você regula isso da melhor forma possível para você mesmo?”, concluiu.

Redação Portal DBC

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