Gleisi Hoffman Acusa Presidente da CPMI do INSS de “Golpe” em Votação que Quebrou Sigilos de “Lulinha”
Gleisi Hoffman denuncia “golpe” na CPMI do INSS em votação que atingiu “Lulinha”; governo promete recurso
A ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffman (PT), fez fortes acusações contra o presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (PSD-MG), na tarde desta quinta-feira. Segundo a ministra, Viana teria aplicado um “golpe” na votação que resultou na quebra dos sigilos bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Gleisi Hoffman defendeu a atuação da base aliada do governo e confirmou que haverá um recurso contra a decisão tomada na comissão. A parlamentar declarou que a votação foi conduzida de forma irregular, desconsiderando a maioria presente e a intenção da base governista.
A declaração foi feita em meio a um clima de tensão e confusão na CPMI, que aprovou um pacote de requerimentos com pedidos de prisão, novas convocações e quebra de sigilos de investigados. A forma como a votação ocorreu gerou protestos e discussões acaloradas entre os membros da comissão, conforme apurado pela Agência O Globo.
Pacote de Requerimentos e Quebra de Sigilo de “Lulinha”
A sessão desta quinta-feira foi marcada pela aprovação de diversos requerimentos importantes para as investigações da CPMI do INSS. Entre eles, destacam-se a quebra de sigilo bancário e fiscal de Lulinha e de Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do empresário Daniel Vorcaro. Também foram aprovados pedidos de prisão, novas convocações e solicitações de informações a órgãos públicos e empresas que estão sob investigação.
A solicitação para a quebra de sigilo do filho do presidente Lula foi justificada pela suspeita de que ele teria atuado como sócio oculto de Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. Antunes é apontado como um dos operadores centrais das fraudes investigadas no instituto.
Contagem de Votos Gera Confusão e Protestos
A polêmica se instalou no momento da votação, quando o presidente da CPMI, Carlos Viana, solicitou que os parlamentares contrários ao pacote de requerimentos se levantassem. Ele, então, contou apenas sete parlamentares de um quórum total de 31 e anunciou a aprovação dos itens. Esta forma de votação simbólica, sem a contagem individual dos votos, gerou uma confusão generalizada entre os presentes, com relatos de empurrões e discussões acirradas.
Deputados como Rogério Correia (PT-MG), Paulo Pimenta (PT-RS) e Alencar Santana (PT-SP) foram vistos cobrando a verificação dos votos diretamente na mesa do presidente do colegiado. A ação demonstra a insatisfação da base governista com o procedimento adotado.
Recursos e Representações Prometidas pelo Governo
Após a votação, o deputado Paulo Pimenta solicitou a anulação da votação por erro material na contagem. Ele afirmou que, caso o pedido não fosse atendido, recorreria ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para reverter a decisão. No entanto, o senador Carlos Viana rejeitou o pedido, argumentando que a votação simbólica é prevista no regimento interno da Casa.
O líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), também anunciou que irá recorrer a Davi Alcolumbre para buscar a anulação da sessão por irregularidades na aprovação dos requerimentos. Além disso, parlamentares petistas informaram que apresentarão uma representação no Conselho de Ética contra o senador Carlos Viana, visando apurar a conduta do presidente da CPMI.
