Guerra no Irã completa 3 semanas: Trump sem plano claro e mundo em tensão

Guerra Irã-EUA entra na terceira semana sem clareza sobre os próximos passos de Trump, gerando apreensão global e alta no petróleo.

A guerra entre Estados Unidos e Irã, que já completa três semanas, intensifica a pressão sobre o presidente americano Donald Trump para definir um plano de saída. No entanto, as declarações do líder, que mudam com frequência sobre os motivos que levaram ao conflito, deixam aliados e adversários em um estado de incerteza quanto ao futuro das operações.

O Irã, por sua vez, tem demonstrado pouca inclinação em acompanhar os movimentos de Trump, que transita entre a expectativa de um fim rápido da guerra e pedidos de ajuda a aliados europeus e do Golfo. Esses países relutam em se envolver, enquanto nações como a Rússia parecem se beneficiar da instabilidade gerada.

Essa falta de clareza foi evidenciada em uma recente ligação com líderes do G7, onde Trump foi questionado repetidamente sobre seus objetivos finais. Ele evitou detalhar as metas, mas assegurou que tinha vários em mente e desejava o fim do conflito em breve. As últimas 48 horas apenas aprofundaram a confusão entre aliados considerados firmes, conforme informações divulgadas pela Bloomberg.

Aliados pressionam por definição de objetivos e Trump mantém discurso ambíguo

Durante uma conversa com líderes do G7, Donald Trump foi pressionado a esclarecer seus objetivos na guerra contra o Irã. Segundo fontes familiarizadas com a conversa, o presidente americano afirmou que não podia discutir os objetivos naquele momento, mas indicou ter várias metas em mente e desejar o fim do conflito em breve. Essa ambiguidade tem gerado desconforto entre os aliados.

A situação se tornou mais confusa após Trump declarar à Fox News que a guerra terminaria quando ele “sentisse isso nos ossos”, e que os EUA poderiam bombardear “só por diversão”. Essas declarações, segundo a Bloomberg, pintam um quadro de perplexidade, com poucos dispostos a atender ao apelo americano para mobilizar recursos e ajudar a reabrir o Estreito de Ormuz, crucial para o transporte de petróleo e gás natural liquefeito.

Países como Índia e Turquia buscam estabelecer canais de comunicação paralelos com o Irã para garantir a passagem segura de seus navios. Até mesmo o Japão, geralmente alinhado aos EUA, expressou relutância em participar dos esforços de escolta, citando “altos obstáculos”. Essa falta de consulta prévia por parte dos EUA sobre o início da guerra, em 28 de fevereiro, tem gerado descontentamento.

Impacto econômico e político: petróleo em alta e eleições americanas em risco

As forças iranianas continuam a disparar mísseis e drones contra alvos no Oriente Médio, apesar dos ataques americanos e israelenses e das declarações de vitória de Trump. O controle iraniano sobre o transporte no estreito levou o preço do petróleo a mais de US$ 100 por barril, afetando economias globais e as perspectivas políticas de Trump em casa, especialmente em um ano de eleições de meio de mandato.

Um conselheiro do presidente chegou a defender publicamente que Trump declarasse vitória e encerrasse os combates. A Casa Branca, no entanto, reiterou que a campanha foi planejada para durar de quatro a seis semanas e que está adiantada em relação ao cronograma. Kevin Hassett, diretor do Conselho Econômico Nacional, previu um “grande choque positivo” para a economia global após o fim do conflito.

A coalizão política de Trump também demonstra sinais de desgaste. David Sacks, encarregado de inteligência artificial no governo, sugeriu que “devemos tentar encontrar uma saída”, argumentando que o exército iraniano já foi degradado e que seria um bom momento para declarar vitória, o que seria bem recebido pelos mercados.

Estratégias divergentes: Irã busca dissuasão, EUA visam degradação militar

Autoridades europeias, falando anonimamente, veem a escalada militar americana como um possível pico de atuação, desenhado para degradar as capacidades remanescentes do Irã. Embora considerem exageradas as afirmações de Trump sobre a destruição da capacidade militar iraniana, veem a retórica como um preparo para declarar a operação concluída.

Victoria Coates, ex-vice-assessora de segurança nacional de Trump, destacou que há “fortes incentivos, de todos os lados, para encerrar rapidamente a fase militar da missão” e que Trump detém a “alavancagem dominante para definir os termos de qualquer negociação”.

No entanto, um alto funcionário do Golfo Árabe alertou que a alta sustentada do petróleo pode forçar Trump a parar de lutar e declarar vitória, deixando os aliados regionais a lidar com um Irã ferido e enfurecido. O Irã, por sua vez, acredita que pode resistir por mais tempo que Trump, apesar dos crescentes danos.

Esforços diplomáticos tímidos e incertezas sobre o fim do conflito

Apesar das declarações de vitória de Trump, o Irã continua a disparar mísseis e drones, mantendo o controle sobre o Estreito de Ormuz e elevando os preços do petróleo. A Agência Internacional de Energia alertou que a guerra pode representar a maior interrupção de oferta da história do mercado global de petróleo, com preços de gasolina nos EUA já em forte alta.

Países como Omã, Arábia Saudita e Turquia buscam reduzir tensões e estabilizar o transporte pelo estreito, enquanto governos europeus tentam manter canais indiretos com o Irã. As primeiras exigências iranianas em negociações envolvem compensações e garantias contra ataques futuros, ambas provavelmente inaceitáveis para a Casa Branca.

Especialistas como Vali Nasr, da Universidade Johns Hopkins, apontam que a guerra saiu do controle de Trump, tornando-se mais longa e confusa. A falta de consulta significativa aos países do Golfo gerou frustração, e a incerteza sobre o fim do conflito persiste, com a possibilidade de que Trump decida encerrar a guerra ao atingir seus objetivos ou suportar dor suficiente, como sugerido por Elliott Abrams, ex-representante especial do governo Trump para o Irã.

Redação Portal DBC

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