Haddad revela plano para ‘melhorar contas públicas’ e cita aposentadoria militar e supersalários como alvos

Haddad sinaliza caminhos para aprimorar a saúde fiscal do Brasil, com foco em reformas estruturais e corte de privilégios, buscando equilíbrio sem sacrificar os mais vulneráveis.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, apresentou nesta segunda-feira (23) uma visão clara sobre as possibilidades de aprimoramento das contas públicas do Brasil. Em sua fala, ele destacou áreas específicas que podem ser alvo de ajustes para alcançar um maior equilíbrio fiscal, sem comprometer o bem-estar social.

Haddad ressaltou que, se o próximo governo mantiver o mesmo empenho fiscal deste mandato, será possível assegurar a estabilidade econômica e uma trajetória favorável para a dívida pública do país. Essa perspectiva foi compartilhada durante uma aula magna na Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP.

Ao se posicionar contra medidas drásticas que possam prejudicar a população, o ministro comparou a atuação do gestor fiscal a uma “chave de fenda”, capaz de corrigir desajustes pontuais, em contraste com uma “serra elétrica”, que causaria danos generalizados. A estratégia visa proteger as camadas mais pobres da sociedade.

Aposentadoria militar, emendas e supersalários na mira para ajuste fiscal

Fernando Haddad identificou a reforma da aposentadoria dos militares, a gestão das emendas parlamentares e a revisão dos chamados supersalários no funcionalismo público como frentes de atuação com potencial para gerar um impacto positivo nas contas públicas. Essas medidas, segundo o ministro, são essenciais para um ajuste fiscal mais robusto.

O ministro enfatizou que a adoção de uma abordagem cuidadosa, que preserve os direitos sociais e as bases de sustentação da economia, é fundamental para garantir um crescimento sustentável. “Serra elétrica vai machucar muita gente, como está acontecendo aí mundo afora. Não precisa disso”, declarou Haddad.

Gastos tributários e o legado do governo atual

Haddad apontou que a redução dos benefícios concedidos a empresários, conhecidos como gastos tributários, tem sido um dos pilares para aproximar as contas primárias do governo a um resultado próximo de zero. Isso representa uma melhora significativa em relação ao déficit primário de R$ 230 bilhões herdado em 2023.

O ministro demonstrou confiança na capacidade de equilibrar a responsabilidade fiscal com a preservação de direitos sociais importantes. “Não tenho receio do que precisa ser feito, do ponto de vista de preservação de direitos sociais importantes, que são caros a todos nós, mas, ao mesmo tempo, de dar uma resposta para a sustentabilidade fiscal”, afirmou.

Haddad rebate críticas de ‘gastão’ e ‘austericida’

O ministro da Fazenda criticou as visões divergentes que o descrevem, simultaneamente, como “gastão” pela direita e “austericida” pela esquerda. Ele argumentou que ambas as caracterizações estão equivocadas, pois as ações do governo foram pautadas na preservação dos direitos sociais.

Haddad explicou que, com o crescimento da economia, o gasto público como proporção do PIB diminuiu, mesmo com a manutenção de programas sociais essenciais. Essa dinâmica demonstra a eficiência da gestão fiscal adotada pelo governo atual. “Como a economia cresceu, esse gasto como proporção do PIB ficou um pouco menor”, concluiu.

Redação Portal DBC

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