Ibovespa Dispara e Bate Novos Recordes Impulsionado por Vale e Sinalização de Cortes de Juros do Copom; Dólar Cai
Ibovespa Conquista Novos Patamares Históricos com Forte Desempenho da Vale e Sinalizações do Copom
O Ibovespa demonstrou força nesta terça-feira, 3, alcançando novos recordes históricos e fechando em alta de 1,58%, aos 185.674,43 pontos. A bolsa brasileira superou seu pico anterior de fechamento, registrado na semana passada, impulsionada principalmente pelo desempenho expressivo das ações da mineradora Vale e pelas expectativas geradas pela ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).
A ata do Copom confirmou a sinalização de que o Banco Central iniciará um ciclo de cortes na taxa Selic em março, um fator que animou o mercado. Analistas interpretam a divulgação como um indicativo de que a política monetária mais restritiva está surtindo efeito na contenção da inflação, aproximando-a da meta estabelecida.
Paralelamente, o dólar comercial registrou queda de 0,15%, fechando a R$ 5,250, aliviando a pressão sobre a moeda após dois dias de altas. Os juros futuros (DIs) apresentaram um comportamento misto, mas com mais recuos ao longo da curva, refletindo o cenário de maior otimismo.
Vale Lidera Alta e Impulsiona o Ibovespa a Novos Recordes
A grande estrela do dia foi a mineradora **Vale (VALE3)**, cujas ações dispararam impressionantes 4,92%. Esse desempenho robusto ocorreu mesmo diante de uma baixa no preço do minério de ferro no mercado internacional, demonstrando a força específica da empresa no contexto atual do mercado brasileiro.
A alta da Vale foi fundamental para sustentar os recordes do Ibovespa, contribuindo significativamente para que o índice atingisse a máxima histórica intradiária de 187.333,83 pontos. A força das blue chips, como Vale, Itaú e Petrobras, foi essencial para ancorar o desempenho positivo da bolsa.
Ata do Copom Reforça Início de Cortes de Juros e Inflação Sob Controle
A ata da última reunião do Copom, divulgada nesta terça-feira, trouxe detalhes que reforçaram a expectativa de um ciclo de afrouxamento monetário a partir de março. O Banco Central indicou que a magnitude e a duração desses cortes dependerão da evolução dos dados econômicos.
O documento sinaliza que o BC percebe uma desaceleração gradual da economia e uma melhora na margem da inflação, com expectativas mais alinhadas à meta de 3%. Felipe Cima, analista da Manchester Investimentos, destacou que a ata confirmando os cortes de juros é um **sinal positivo**, pois o Banco Central projeta a inflação em 3,2% para o terceiro trimestre de 2027, próximo ao centro da meta.
Julio Barros, economista do Daycoval, observou que a ata manteve o tom do comunicado anterior, reconhecendo a resiliência do mercado de trabalho e a desaceleração gradual da economia, mas ainda com a inflação e expectativas distantes da meta. A principal indicação, contudo, foi o corte de juros na reunião de março.
Produção Industrial em Queda e Cenário Externo Misto
Em contrapartida, os dados da produção industrial em dezembro revelaram uma queda mais acentuada do que o esperado, recuando 1,2%, conforme divulgado pelo IBGE. A Confederação Nacional das Indústrias (CNI) projeta que a recuperação do setor virá a passos lentos, possivelmente após 2027, diante da perspectiva de juros ainda restritivos em 2026.
No cenário internacional, as bolsas de Nova York e Europa apresentaram um dia de volatilidade. Wall Street iniciou em alta, mas reverteu para perdas, com destaque para a fuga de investidores do setor de tecnologia. As bolsas europeias fecharam mistas. O ouro e a prata voltaram a subir, atuando como ativos de proteção.
Bancos e Outras Ações em Destaque
A temporada de balanços do quarto trimestre de 2025 ganha força, com o Santander (SANB11) divulgando seus resultados nesta quarta-feira. As ações do banco fecharam em queda de 2,39% no dia. Itaú Unibanco (ITUB4), que também divulgará seus números, fechou com leve alta de 0,57%. Bradesco (BBDC4) subiu 0,54% e Banco do Brasil (BBAS3) avançou 1,54%.
A Petrobras (PETR4) conseguiu se manter no campo positivo, com alta de 0,91%, impulsionada pela valorização do petróleo. Por outro lado, a Embraer (EMBJ3) tombou 1,53%, apesar do anúncio de um novo país comprador de suas aeronaves.
O fluxo de capital estrangeiro para a B3 em janeiro foi expressivo, somando R$ 26,3 bilhões, superando todo o valor registrado em 2025. Este forte ingresso de investimentos internacionais contribuiu para a sustentação do otimismo no mercado.
