Juros Futuros Disparam: IPCA-15 Surpreende e Pressiona Serviços, Mercado Reage com Alta Firme nas Taxas

Juros Futuros Sobe Forte com IPCA-15 Acima do Esperado e Serviços em Alta

As taxas dos Depósitos Interfinanceiros (DIs) fecharam a última sexta-feira com altas firmes, com destaque para os contratos de curto prazo. A pressão veio após a divulgação do IPCA-15 de fevereiro, que ficou significativamente acima das projeções do mercado, impulsionado principalmente pela alta nos preços de serviços.

No final da tarde, a taxa do DI para janeiro de 2028 atingiu 12,62%, representando uma alta de 14 pontos-base em relação ao fechamento anterior. Já na ponta mais longa da curva, o contrato para janeiro de 2035 registrou 13,325%, com uma elevação de 4 pontos-base.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que o IPCA-15, considerado uma prévia da inflação oficial, apresentou uma aceleração expressiva em fevereiro, chegando a 0,84%. Este número contrasta com os 0,20% registrados em janeiro e superou a mediana das projeções de economistas consultados pela Reuters, que esperavam 0,57%.

IPCA-15 de Fevereiro Supera Previsões com Forte Impacto dos Serviços

A análise da abertura do índice mostrou um cenário desfavorável. Os preços de serviços, que haviam subido 0,15% em janeiro, avançaram para 1,49% em fevereiro, segundo cálculos do banco Bmg. A taxa de serviços subjacentes também apresentou elevação, passando de 0,53% para 0,66% no mesmo período.

Segundo Flavio Serrano, economista-chefe do Bmg, o principal vilão foi o item passagens aéreas, que, após surpreender para baixo em meses anteriores, agora apresentou uma alta inesperada de 11,6%. “Nós esperávamos queda de 7% em passagens aéreas, mas veio alta de 11,6%”, comentou Serrano.

Além das passagens aéreas, o grupo educação, com uma alta de 5,20%, também contribuiu significativamente para o descompasso entre as expectativas do mercado e o resultado efetivo do IPCA-15. A média dos núcleos de inflação, medidos pelo Banco Central, subiu de 0,42% para 0,65%.

Mercado Reage com Ajustes na Curva de Juros Após Divulgação do Índice

A divulgação do IPCA-15, ocorrida logo na abertura do mercado de renda fixa, provocou ajustes imediatos na curva de DIs. Os agentes do mercado reagiram negativamente ao resultado, especialmente nos contratos de curto prazo, que sentiram o impacto com mais força.

Pouco após o anúncio do índice, a taxa do DI para janeiro de 2028 chegou a marcar 12,660%, uma alta de 18 pontos-base em relação ao dia anterior. Esse movimento indicou uma redução nas apostas de um corte de 50 pontos-base na taxa básica Selic em março pelo Banco Central, que atualmente está em 15%.

No entanto, nem todos os analistas veem uma mudança drástica no plano do Banco Central. Serrano, do Bmg, acredita que o IPCA-15 “só dá uma assustada” e que o cenário de corte de 50 pontos-base em março se mantém. Mariana Rodrigues, economista da SulAmerica Investimentos, destacou a alta inesperada em passagens aéreas e seguro voluntário de veículos como fatores que pressionaram os serviços.

Perspectivas para a Selic e Reflexos no Cenário Econômico

Laís Costa, analista da Empiricus Research, avalia que o resultado do IPCA-15 é ruim e deve alterar as projeções para o IPCA oficial em fevereiro e para o acumulado de 2026. Contudo, ela também acredita que isso não deve impedir o corte de 50 pontos-base na Selic em março, dada a ainda baixa inflação e os juros elevados.

Costa não vê um cenário diferente de três cortes consecutivos de 50 pontos-base. No entanto, a possibilidade de um corte de 75 pontos-base a partir da segunda reunião do ciclo de reduções da Selic perde força no radar do mercado. Essa cautela se reflete na volatilidade observada nos juros futuros.

Juros Futuros Divergem de Treasuries com Busca por Segurança Global

O avanço das taxas dos DIs no Brasil ocorreu em contramão ao movimento de recuo firme dos rendimentos dos Treasuries nos Estados Unidos. No cenário internacional, um dia marcado pela busca por segurança em meio a tensões geopolíticas, como as entre Estados Unidos e Irã, influenciou os mercados.

Às 16h35, o rendimento do Treasury de dois anos, que reflete as apostas para as taxas de juros de curto prazo nos EUA, apresentava queda de 7 pontos-base, atingindo 3,379%. O título de dez anos, referência global para decisões de investimento, caía 6 pontos-base, a 3,96%.

Redação Portal DBC

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