Lula questiona: ‘Tiros de Trump no Irã aumentam diesel no mundo? Por que pagamos o preço?’

Lula critica impacto global de conflitos e questiona responsabilidade de potências no aumento do diesel

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva levantou sérias preocupações nesta quarta-feira sobre os efeitos das ações militares dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã nos preços dos combustíveis em escala mundial. Lula questionou a justificativa para que outras nações, distantes desses conflitos, sejam penalizadas economicamente pelas decisões de poucos países.

As declarações foram feitas durante a cerimônia de entrega do 3º Prêmio Mulheres das Águas, onde o presidente aproveitou para comentar os desdobramentos econômicos da guerra. A alta do diesel, segundo Lula, é uma consequência direta das tensões geopolíticas, afetando a economia global.

“Vocês já se deram conta que os tiros que o Trump deu no Irã estão fazendo o óleo diesel aumentar no mundo inteiro? No mundo inteiro”, afirmou o presidente, destacando a interconexão entre eventos distantes e o cotidiano dos brasileiros. A informação foi divulgada pela Reuters.

Impacto direto nos trabalhadores e nos mais pobres

Lula enfatizou a injustiça de países como o Brasil, geograficamente distantes do Oriente Médio, arcarem com os custos de combustíveis elevados. “E nós, aqui, que não temos nada a ver com isso, que estamos a 14 mil km do Irã, que estamos longe do Líbano, que estamos longe de Israel, por que nós temos que pagar o preço do combustível?”, questionou o presidente.

Ele apontou que a Rússia pode ter se beneficiado da conjuntura atual, com a flexibilização de algumas restrições à venda de seu petróleo. Lula atribuiu essa situação à “irresponsabilidade” dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU: Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido.

Críticas à governança global e seus efeitos colaterais

“Eles decidiram que são donos do mundo. E resolveram atacar o que eles quiserem. E esse prejuízo está vitimando quem? Pense quem é que vai ser vítima disso?”, prosseguiu Lula em seu discurso. O presidente alertou que as consequências negativas recaem, mais uma vez, sobre os trabalhadores e os mais pobres.

“A vítima disso, outra vez, seremos os trabalhadores do mundo e os pobres do mundo. Porque toda desgraça causada pelos ricos arrebenta nas costas das pessoas que não têm nada a ver com isso”, concluiu, ressaltando o impacto desproporcional das crises econômicas globais sobre as populações vulneráveis.

Governo atua para evitar greve de caminhoneiros e reduzir custos

Em paralelo, o governo federal tem intensificado esforços para evitar uma greve de caminhoneiros, que poderia gerar custos políticos e econômicos significativos em um ano eleitoral. Foram anunciadas medidas como o endurecimento da fiscalização do cumprimento do frete mínimo.

Além disso, o governo busca negociar com os estados a redução do ICMS sobre os combustíveis. Essas ações visam mitigar os efeitos da alta dos preços e garantir a estabilidade econômica e logística no país, diante das incertezas do cenário internacional.

Redação Portal DBC

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