Ministro Márcio Elias dispara: “OMC virou leão sem dente” e critica protecionismo global que sufoca o Brasil
Protecionismo global cresce e OMC perde força, alerta ministro Márcio Elias
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Fernando Elias Rosa, fez um forte alerta sobre o cenário do comércio internacional. Em entrevista exclusiva ao BM&C Talks, ele destacou o aumento preocupante do protecionismo global e o consequente enfraquecimento da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Segundo o ministro, o mundo vive um momento de intensificação de barreiras comerciais, tanto tarifárias quanto não tarifárias. Essa nova realidade tem impactado negativamente a capacidade dos países de resolverem conflitos comerciais de forma multilateral, minando a efetividade dos acordos internacionais.
A avaliação do ministro Márcio Elias Rosa foi divulgada pelo BM&C NEWS e aponta para uma estratégia de grandes economias, como Estados Unidos, União Europeia e China, de usar subsídios, tarifas e restrições comerciais para proteger seus mercados internos em meio à disputa industrial global. Conforme o ministro, essa não é a direção que o Brasil deve seguir.
OMC: Um “leão sem dente” diante de barreiras comerciais crescentes
O ministro Márcio Elias Rosa ressaltou que a OMC se torna ainda mais necessária em um período de fragmentação do comércio internacional. Ele lamentou que as grandes potências tenham diminuído o patrocínio à organização, o que enfraqueceu sua capacidade de ação.
O ponto mais crítico, segundo o ministro, é o sistema de resolução de conflitos da OMC. Apesar de os painéis ainda existirem, eles perderam efetividade na prática. Elias Rosa comparou a organização a um “leão sem dente”, incapaz de gerar efeitos concretos em disputas comerciais.
Essa crítica surge em um contexto de aumento de barreiras, muitas vezes disfarçadas de justificativas ambientais. O ministro apontou que, em diversos casos, restrições associadas à sustentabilidade funcionam como verdadeiras barreiras comerciais, prejudicando países com indústria menos desenvolvida.
Impacto do protecionismo em países como o Brasil
Países como o Brasil e os membros do Mercosul são particularmente afetados por esse ambiente protecionista. O ministro explicou que a região possui uma estrutura industrial menos fortalecida e enfrenta maiores dificuldades para acessar novos mercados globais.
Elias Rosa citou um estudo do FMI, mencionado na entrevista, que aponta as grandes economias como as principais patrocinadoras de distorções no comércio internacional. Isso reforça a percepção de que o comércio global está cada vez mais condicionado por interesses industriais, tecnológicos e estratégicos.
Para o Brasil, esse cenário representa um duplo desafio. Por um lado, o país precisa se defender de práticas desleais e de barreiras que restrinjam o acesso de seus produtos. Por outro, é fundamental fortalecer a indústria nacional para competir em mercados mais exigentes.
Política industrial e comércio exterior: uma conexão vital
O ministro defendeu que a política industrial brasileira deve estar intrinsecamente ligada ao comércio exterior. Uma indústria robusta, segundo ele, precisa ser capaz de vender seus produtos tanto no mercado interno quanto no externo.
Ele exemplificou com setores de maior valor agregado, onde a demanda doméstica sozinha não é suficiente para sustentar cadeias produtivas. Por isso, a estratégia defendida pelo governo envolve uma combinação de produtividade, competitividade, acordos internacionais e sustentabilidade.
A fala do ministro Márcio Elias Rosa indica que o Brasil não deve responder ao protecionismo global apenas com o fechamento de mercado. A estratégia passa pelo fortalecimento da indústria, ampliação da inserção externa e a disputa por mercados com produtos mais competitivos e sustentáveis, conforme divulgado pelo BM&C NEWS.
