Mulheres na Ciência e Empreendedorismo: Superando Barreiras e Transformando o Futuro das Startups STEM
Empreendedorismo científico: o desafio e a força das mulheres em áreas STEM
A jornada para empreender na ciência, especialmente em áreas técnicas e de alta tecnologia (STEM), apresenta desafios únicos. Para mulheres, essa trajetória muitas vezes envolve superar barreiras estruturais e preconceitos de gênero, além de provar sua capacidade repetidamente em um campo dominado historicamente por homens.
No entanto, o cenário está mudando. Cada vez mais mulheres estão transformando conhecimento científico em negócios inovadores, criando startups de ponta e impulsionando a economia. Elas demonstram que a **curiosidade**, a capacidade de construção e o desejo de gerar **impacto real** são motores poderosos para o empreendedorismo.
Essas empreendedoras não apenas desenvolvem tecnologias, mas também constroem empresas capazes de levá-las ao mercado, criando produtos, definindo estratégias e escalando negócios. Essa dedicação, aliada a uma visão estratégica, está moldando o futuro da inovação no Brasil. Conforme informações divulgadas por Startups, a experiência de empreender na ciência, mesmo com os obstáculos, é uma fonte de aprendizado contínuo.
A maternidade como catalisadora de habilidades empreendedoras
Um dos mitos que ainda cercam a carreira feminina é a ideia de que a maternidade é um obstáculo intransponível para o sucesso profissional e empreendedor. Verônica, fundadora da Maravi, discorda veementemente dessa visão. Para ela, a experiência da maternidade, mesmo com filhos gêmeos, foi uma oportunidade de desenvolver novas **habilidades de gestão** e aprimorar suas competências interpessoais.
Ela compara a maternidade a um “pós-doc”, um período de investimento em saúde mental e desenvolvimento de competências. Verônica planejou sua licença-maternidade em conjunto com seus sócios, organizando o período de afastamento de forma estratégica. Ao retornar, ela conseguiu **priorizar tarefas** e delegar com mais eficiência, focando no que era mais estratégico para a empresa.
“Minha carreira melhorou muito depois desse momento, porque consegui focar no que era mais estratégico. Muitas mulheres têm essa ideia de que a licença vai prejudicar a carreira, mas o que são seis meses perto da sua trajetória profissional?”, pondera Verônica, destacando que a **gestão do tempo** e a capacidade de focar no essencial se tornaram ainda mais aguçadas.
Cases de sucesso: transformando ciência em negócios de impacto
Apesar dos desafios, muitas empreendedoras conseguem transformar conhecimento técnico em negócios inovadores, criando startups baseadas em pesquisa avançada e tecnologias de fronteira. Duda Franklin, engenheira biomédica e neurocientista, é um exemplo inspirador.
Ela fundou a orby.co, uma deeptech focada no desenvolvimento de sistemas de neuromodulação cerebral não invasiva. A tecnologia visa auxiliar na reabilitação funcional, ajudando pessoas a recuperar o controle motor e aliviar a dor. Duda sempre foi movida pela **curiosidade** e pelo desejo de construir, enxergando a ciência como um instrumento de transformação.
“Em algum momento percebi que, para gerar impacto de verdade, não bastava desenvolver a tecnologia. Era preciso construir uma empresa capaz de levá-la ao mundo, criando produto, mercado e escala”, afirma Duda, ressaltando a importância de **transcender o laboratório** para alcançar resultados concretos.
Superando o viés de gênero e a invisibilização na ciência e nos negócios
Em áreas altamente técnicas, como as STEM, mulheres jovens frequentemente enfrentam a subestimação de seu conhecimento e a necessidade de provar sua capacidade repetidamente. Duda Franklin relata que, além da questão de gênero, também enfrentou desafios relacionados à sua cor da pele.
“A invisibilização muitas vezes não é explícita. Ela aparece de forma mais sutil, como quando a sua presença em determinados espaços ainda é percebida como algo surpreendente, fora do padrão esperado”, explica Duda. Para ela, a estratégia para lidar com essas situações foi manter o **foco no rigor científico**.
“A ciência tem uma característica muito interessante: ela responde com evidências”, pontua a neurocientista, evidenciando como a **fundamentação científica** e a apresentação de dados concretos são ferramentas poderosas para combater preconceitos e construir credibilidade no mundo do empreendedorismo científico.
