Petrobras: JPMorgan eleva recomendação para compra e vê queda recente como oportunidade de ouro para investidores
JPMorgan reitera compra de ações da Petrobras e enxerga oportunidade em meio à volatilidade
O JPMorgan reafirmou sua confiança na Petrobras (PETR3; PETR4), mantendo a recomendação de compra (overweight) para os papéis da estatal. A instituição financeira destaca que a robusta geração de caixa da companhia se consolidou como um forte pilar de sustentação para o valor das ações, mesmo diante das recentes flutuações no mercado de petróleo.
Segundo os analistas do banco, as preocupações com o fluxo de caixa da Petrobras deixaram de ser um risco significativo. Isso se deve, em grande parte, à permanência dos preços do Brent bem acima do ponto de equilíbrio financeiro da empresa, garantindo margem operacional.
O cenário geopolítico atual levou a uma revisão substancial das premissas para o preço do petróleo Brent. O JPMorgan agora projeta um preço médio de US$ 85 por barril em 2026 e US$ 75 em 2027. Essa estimativa reflete a expectativa de uma normalização gradual das rotas de transporte marítimo e a manutenção de um prêmio de risco no mercado internacional, fatores que impactam a precificação do barril.
JPMorgan eleva projeção de Ebitda e preço-alvo da Petrobras
Mesmo considerando um cenário de maiores impostos sobre exportação e margens mais apertadas no refino, o JPMorgan elevou sua projeção de Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) da Petrobras para US$ 55,1 bilhões em 2026. Este valor é significativamente superior à estimativa anterior do banco, que era de US$ 42,5 bilhões, demonstrando um otimismo crescente.
Com a revisão do cenário e das projeções, o JPMorgan também ajustou o preço-alvo das American Depositary Receipts (ADRs) da Petrobras, negociadas na Bolsa de Nova York, para US$ 24. Anteriormente, o preço-alvo era de US$ 16,5, representando um aumento considerável e sinalizando um potencial de valorização expressivo para os investidores.
Queda recente das ações é vista como oportunidade de entrada
Na avaliação dos analistas do JPMorgan, a recente fraqueza apresentada pelas ações da Petrobras representa um ponto de entrada atrativo. A companhia, segundo o banco, está bem posicionada para capturar retornos elevados em um ambiente de petróleo mais sustentado e com a possibilidade de retomada do ciclo de corte de juros no Brasil, o que tende a beneficiar empresas de capital aberto.
O relatório aponta que, aos preços atuais, a Petrobras negocia a cerca de 3,3 vezes o EV/Ebitda estimado para 2026. Além disso, o rendimento de fluxo de caixa livre é de 11,3% e o dividend yield está em torno de 9% para o biênio 2026-2027, considerando um Brent a US$ 75 por barril. Esses indicadores reforçam a atratividade do papel, mesmo em um cenário mais conservador para o petróleo.
Riscos e melhorias na governança corporativa
Entre os riscos identificados para a Petrobras, o JPMorgan cita a eventual venda de combustíveis no mercado doméstico abaixo da paridade internacional, um aumento de investimentos superior ao esperado e um ritmo mais lento na entrada de novas plataformas de produção. No entanto, o banco avalia que a governança corporativa da companhia melhorou significativamente.
As regras mais claras para a política de preços, investimentos e remuneração aos acionistas são vistas como fatores positivos que ajudam a mitigar incertezas de médio prazo. Essa melhora na governança é um ponto crucial para a confiança dos investidores no longo prazo.
Citi eleva preço-alvo, mas mantém recomendação neutra
Em paralelo, o Citi também revisou suas projeções para a Petrobras, elevando o preço-alvo de suas ações, mas mantendo uma recomendação neutra. O banco ajustou seu modelo após os resultados do 4º trimestre de 2025 e para incorporar novas estimativas macroeconômicas e preços mais altos do petróleo.
O Citi elevou o preço-alvo para US$ 19,5/ADR e R$ 49,00 por papel PETR4, refletindo principalmente os preços mais altos do petróleo no curto prazo. Contudo, os analistas do Citi ponderam que o benefício para a Petrobras será limitado, devido à sua exposição restrita aos aumentos de preço do petróleo, focada principalmente no volume de exportação, e ao subsídio ao diesel. Esperam, ainda, preços estáveis para diesel e gasolina.
