Petróleo pode cair para US$ 60 com paz na Ucrânia e trégua com Irã, aponta análise do Citi

Análise do Citi projeta queda nos preços do petróleo com possíveis acordos de paz e redução de tensões com o Irã, impactando mercados globais.

Os preços do petróleo, que têm mostrado certa estabilidade nas últimas semanas, podem estar caminhando para uma desvalorização significativa. Uma análise divulgada pelo banco Citi sugere que um cenário de paz entre Rússia e Ucrânia, aliado a uma diminuição das tensões com o Irã, tem o potencial de derrubar os valores do barril de Brent e de seus derivados, como diesel e gasolina.

A hipótese central do Citi é que acordos diplomáticos com o Irã e um desfecho para o conflito entre Rússia e Ucrânia possam ocorrer até o meio do ano. Essa evolução geopolítica é vista como um fator chave para a redução da volatilidade e a consequente queda nos preços do petróleo bruto e de seus derivados no mercado internacional.

Conforme divulgado pelo Citi, a expectativa é que, caso essas condições se concretizem, os preços do Brent possam recuar para a faixa de **US$ 60 a US$ 62 por barril**. Adicionalmente, o banco projeta uma redução nos chamados “cracks” do diesel e da gasolina, que representam a diferença entre o preço do petróleo bruto e o valor dos produtos refinados, em valores que variariam entre **US$ 5 e US$ 10**.

OPEP+ e a resposta à estabilidade dos preços

Em um cenário onde as interrupções no fornecimento de petróleo russo mantenham o Brent na faixa de **US$ 65 a US$ 70 por barril** nos próximos meses, o Citi antecipa uma reação por parte da OPEP+. O grupo, liderado pela Arábia Saudita e Rússia, tenderia a aumentar sua produção, utilizando a capacidade ociosa disponível para suprir a demanda e possivelmente estabilizar os preços em patamares mais baixos.

Fontes ligadas à OPEP+ indicam que o grupo está inclinado a retomar o aumento da produção de petróleo a partir de abril. Essa decisão estaria alinhada com a preparação para o pico de demanda esperado durante o verão no hemisfério norte e com a necessidade de responder às pressões de preços impulsionadas pelas tensões geopolíticas envolvendo os Estados Unidos e o Irã.

China e a compra de petróleo com desconto

O relatório do Citi também destaca o papel da China no mercado de petróleo. O país asiático tem se beneficiado da compra de petróleo russo e iraniano com descontos significativos em relação aos benchmarks globais. Essa estratégia, tanto para fins de consumo quanto para estocagem, é vista como uma prática que deve continuar até 2026, desde que as sanções internacionais contra a Rússia e o Irã permaneçam em vigor.

Os futuros do petróleo Brent, uma das principais referências mundiais, fecharam em alta na última segunda-feira, cotados a **US$ 68,65 o barril**, um avanço de 90 centavos, ou 1,33%. Apesar dessa alta pontual, as projeções do Citi indicam que o cenário futuro pode trazer uma reversão dessa tendência, caso os fatores diplomáticos se concretizem.

Redação Portal DBC

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