Risco Fiscal, Dólar e IA: Gestor Revela os Maiores Perigos para Investidores em 2024 e Além
Entenda os principais riscos para seus investimentos com Francisco Utsch, da Kiron Capital, que alerta sobre o cenário fiscal brasileiro e o avanço da IA.
O cenário econômico atual apresenta desafios complexos para investidores, que precisam estar atentos a diversos fatores de risco. Francisco Utsch, sócio da Kiron Capital e com passagem pela Tarpon Investimentos, compartilhou suas análises sobre os principais pontos de atenção, incluindo a situação fiscal do Brasil, a dinâmica do dólar e o impacto global dos investimentos em inteligência artificial (IA).
Em entrevista ao programa Wall Street Cast, Utsch destacou que o avanço da dívida pública no Brasil e a possibilidade de deterioração fiscal são preocupações relevantes. Ele explicou que, sem mudanças significativas, a trajetória de crescimento do endividamento pode gerar efeitos negativos na inflação, nas taxas de juros de longo prazo e no câmbio, afetando empresas, investidores e consumidores.
Segundo o gestor, conforme informação divulgada pelo BM&C NEWS, a administração pública brasileira tem elevado a relação dívida/PIB e operado com um déficit nominal considerável. Essa persistência, alertou Utsch, pode tornar o endividamento mais difícil de controlar nos próximos anos. A reportagem completa sobre a análise do gestor está disponível no portal BM&C NEWS.
Ajuste Fiscal Brasileiro: Um Desafio Gerenciável?
Utsch delineou o ajuste fiscal em três pilares essenciais: controle de despesas públicas, aumento da arrecadação de impostos e a gestão do custo dos juros. Ele enfatizou que o controle de gastos deveria ser a prioridade na estratégia de melhora econômica do país.
A alternativa de aumentar impostos, segundo ele, já foi utilizada de forma expressiva nos anos recentes. Já a redução das despesas públicas, ao controlar a inflação, poderia abrir espaço para a queda dos juros. Essa combinação, na visão do gestor, traria um efeito positivo adicional sobre o déficit público.
Apesar dos riscos, Utsch se mostrou otimista quanto à capacidade de solução do quadro fiscal brasileiro. Ele acredita que, com uma boa gestão pública e coordenação institucional, uma melhora significativa pode ser observada em um horizonte de um ano e meio a dois anos. Uma reorganização das contas públicas, ressaltou, poderia levar a juros mais baixos e atrair mais investimentos para a economia.
Inflação e Câmbio: Sinais de Alerta para a Economia
Caso o ajuste fiscal não avance como esperado, Utsch apontou a inflação como um dos primeiros indicadores a serem observados. Ele explicou que, em uma situação de contas públicas deterioradas, a inflação tende a ser a principal válvula de escape.
Outro efeito direto seria a pressão sobre os juros de mercado, com as taxas de títulos de longo prazo se afastando da taxa básica. A desvalorização cambial também é uma possibilidade, lembrando períodos em que o dólar ultrapassou R$ 6 e os títulos públicos exigiam taxas próximas de 18% a 19% ao ano, indicando uma perda de referência fiscal pelo mercado.
Para o cidadão comum, um câmbio mais depreciado pode significar aumento da inflação, enquanto juros mais altos penalizam a população já exposta a endividamento e inadimplência. O cenário cambial também impulsiona o debate sobre a diversificação de investimentos para o exterior, com um produto global da Kiron Capital apresentando captação superior aos focados no mercado brasileiro.
Inteligência Artificial e Riscos Globais
No âmbito internacional, o gestor destacou o volume expressivo de capital direcionado à inteligência artificial (IA) como um risco global. Empresas americanas investiram centenas de bilhões de dólares em infraestrutura de IA, com projeções de novos trilhões nos próximos anos.
A preocupação de Utsch não reside na tecnologia em si, mas na possibilidade de uma parcela significativa desses investimentos não gerar o retorno esperado. Se a alocação se mostrar improdutiva, o mercado poderá enfrentar perdas e correções, com impactos em ações e crédito. Por enquanto, a demanda por IA supera a oferta, impulsionando os investimentos.
Outro risco geopolítico apontado é a situação em Taiwan, dada a sua importância na cadeia de semicondutores e as tensões entre China e Estados Unidos. Uma escalada do conflito na região pode afetar a economia mundial, especialmente em um ciclo de intensos investimentos em IA.
Mercado de Tecnologia: Valuation Alto, Mas Não Necessariamente uma Bolha
A valorização das empresas de tecnologia também foi tema de debate. Utsch reconhece que o mercado internacional já precifica muitos dos benefícios esperados com novas tecnologias. Ele descreveu o cenário como um “valuation alto”, mas evitou classificá-lo como uma “bolha”.
Como exemplo, citou a Nvidia, cujos resultados justificam parte de sua alta, mas que enfrenta um ambiente tecnológico em rápida mutação. A empresa compete com gigantes como Google e AMD, além de novas tecnologias de processamento que podem reconfigurar o mercado de semicondutores.
Diante da dificuldade em prever qual empresa liderará a próxima onda tecnológica, Utsch defende uma exposição mais ampla ao mercado, utilizando índices como o S&P 500, que incorporam empresas em ascensão e reduzem o peso das que perdem relevância. Essa estratégia busca mitigar o risco de apostar em uma única vencedora em um setor tão dinâmico. Acompanhar a dívida, inflação, câmbio e a eficiência dos investimentos em tecnologia será crucial para navegar nesse cenário.
