SpaceX: Morgan Stanley recomenda compra e projeta ações a US$ 300, apostando forte em IA
Morgan Stanley vê oportunidade de compra na SpaceX e define preço-alvo ambicioso de US$ 300 por ação, focando no potencial da inteligência artificial.
A recente estreia da SpaceX na bolsa de valores gerou grande expectativa, mas a forte desvalorização das ações após o IPO acendeu um debate entre investidores sobre o real valor da companhia. Apesar da correção expressiva, o Morgan Stanley se posiciona de forma otimista, recomendando a compra das ações e projetando um preço-alvo de US$ 300.
O banco de investimento acredita que o mercado tem subestimado o potencial da divisão de inteligência artificial (IA) da SpaceX, responsável por projetos como Grok e Cursor. Essa área, segundo o Morgan Stanley, representa uma das principais fontes de crescimento futuro para a empresa, e sua importância tem sido negligenciada pelos investidores.
Apesar da volatilidade recente, o consenso entre os principais bancos de investimento permanece positivo. Conforme dados compilados pela Bloomberg, aproximadamente 80% dos analistas que acompanham a empresa recomendam a compra das ações, com um preço-alvo médio em torno de US$ 232 por papel, indicando um potencial expressivo de valorização em relação às cotações atuais. A informação foi divulgada pelo portal Seu Crédito Digital.
Por que as ações da SpaceX sofreram desvalorização após o IPO?
A SpaceX realizou uma das maiores ofertas públicas iniciais (IPO) do ano, levantando cerca de US$ 86 bilhões. Inicialmente, as ações apresentaram forte valorização, acumulando alta próxima de 50% nos três primeiros pregões. Contudo, o movimento perdeu força nas semanas seguintes, com os papéis chegando a recuar cerca de 18% em relação ao preço inicial.
Embora correções após grandes IPOs não sejam incomuns, a intensidade da queda chamou a atenção, especialmente porque, segundo o Morgan Stanley, os fundamentos operacionais da companhia permaneceram inalterados nesse período. Essa desvalorização, para o banco, cria uma oportunidade para investidores de longo prazo.
Morgan Stanley mantém recomendação de compra e destaca IA
Mesmo diante da recente desvalorização, o Morgan Stanley manteve sua recomendação de compra e reiterou o preço-alvo de US$ 300. O analista Adam Jonas, responsável pela cobertura da empresa, aponta um descompasso entre o pessimismo atual dos investidores e o real potencial de crescimento da companhia.
Na visão do banco, o mercado está precificando um cenário excessivamente negativo, ignorando áreas que podem representar parcela significativa do valor da empresa. Jonas também ressalta que muitos investidores aguardam o término do período de lock-up, previsto para o próximo mês, o que pode aumentar a pressão sobre os preços.
O que é o período de lock-up e como ele afeta as ações?
O lock-up é um prazo após um IPO em que acionistas iniciais, fundadores e executivos ficam impedidos de vender suas ações. Ao final desse período, aumenta a possibilidade de entrada de um grande volume de papéis no mercado. Isso pode ampliar a oferta e pressionar temporariamente os preços, especialmente se investidores relevantes decidirem realizar lucros.
Por esse motivo, parte do mercado acredita que as ações da SpaceX ainda possam testar níveis próximos de US$ 100. Essa incerteza contribui para a volatilidade observada após a oferta pública inicial.
Inteligência artificial: o principal motor de valor para o Morgan Stanley
O principal argumento do Morgan Stanley para sua projeção otimista reside no segmento de inteligência artificial da SpaceX. Segundo Adam Jonas, mais de 50% do preço-alvo de US$ 300 decorre justamente da avaliação dessa divisão, que engloba projetos como Grok e Cursor.
O banco interpreta que muitos investidores focam apenas nos negócios ligados ao setor espacial e à conectividade, tratando os investimentos em IA como meras despesas. Ignoram, assim, o potencial de geração de receita futura que essa área pode proporcionar, criando uma distorção na precificação da companhia.
A desconfiança do mercado em relação à IA se deve, em parte, aos altos investimentos exigidos em infraestrutura, desenvolvimento de modelos e capacidade computacional. Além disso, a incerteza sobre o tempo necessário para obter retorno financeiro consistente leva alguns investidores a adotarem uma postura mais conservadora.
Ambiente econômico e riscos para investidores
A queda das ações da SpaceX não ocorreu isoladamente. O setor de tecnologia tem sofrido pressão diante de incertezas macroeconômicas, como inflação, aumento das taxas de juros e tensões geopolíticas. Empresas intensivas em tecnologia e inovação são mais sensíveis a esse cenário.
Apesar da visão favorável de parte de Wall Street, o investimento na SpaceX ainda está sujeito a riscos. A volatilidade típica de empresas recém-listadas e a execução da estratégia de inteligência artificial, que demanda altos investimentos e precisa demonstrar resultados, são fatores relevantes.
Também permanecem no radar possíveis impactos de mudanças no cenário econômico global, oscilações nas taxas de juros e o agravamento de tensões geopolíticas. Os próximos meses serão decisivos para determinar se a recente queda é uma correção temporária ou uma mudança mais duradoura na percepção do mercado.
