Tarcísio Confirma MDB na Vice e Deixa Lula Sem Apoio Crucial de Embalagem para 2026

A entrada do vice-governador Felício Ramuth no MDB, com articulação direta do governador Tarcísio de Freitas, tem fortes implicações políticas, especialmente para as pretensões do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de obter apoio do partido nacionalmente. A movimentação reforça a estratégia de Tarcísio de consolidar seu poder e controlar a própria sucessão em São Paulo, em um cenário disputado por outros grandes partidos.

A decisão do vice-governador de São Paulo, Felício Ramuth, de se filiar ao MDB, com o apoio explícito do governador Tarcísio de Freitas, tem um impacto significativo que vai além da sua própria trajetória política. Essa manobra insere um partido que tem sido cortejado pelo presidente Lula no círculo mais próximo do governo paulista.

A articulação, conforme apurado pelo jornal O Estado de S. Paulo, sugere que a intenção de Tarcísio é consolidar seu controle sobre a sucessão estadual, um processo que também atrai o interesse de legendas como o PL e o PSD.

Para membros do MDB em São Paulo, a inclusão de Ramuth na vice-governadoria do estado mais importante do Brasil praticamente encerra as esperanças de uma aliança do partido com Lula em âmbito nacional. A expectativa é que o MDB adote uma postura de neutralidade nas próximas eleições presidenciais. Conforme informação divulgada pelo Estadão Conteúdo, essa avaliação é compartilhada por emedebistas paulistas ouvidos pela publicação.

Rompimento com Kassab e Busca por Novo Palco

Felício Ramuth, que em 2022 deixou o PSDB para se filiar ao PSD com o objetivo de disputar o governo de São Paulo, acabou abrindo mão de sua candidatura para compor a chapa com Tarcísio. Essa decisão foi vista como uma aposta de Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, para quebrar a hegemonia tucana no estado, o que se concretizou com a vitória da chapa.

Ao longo do governo, Ramuth se consolidou como um vice leal e próximo ao governador, distanciando-se de Kassab. Com a proximidade das eleições, Tarcísio defendeu a permanência de Ramuth na chapa de reeleição, o que gerou um conflito com os planos de Kassab. O presidente do PSD almejava a vaga de vice para se viabilizar como possível sucessor de Tarcísio no futuro.

Fontes do Palácio dos Bandeirantes indicam que Kassab nutre o projeto pessoal de chegar ao governo de São Paulo, e a posição de vice em um segundo mandato de Tarcísio seria um trampolim importante para isso. Essa estratégia remete a 2004, quando Kassab articulou para ser vice de José Serra na disputa pela prefeitura de São Paulo, manobra que o levou ao comando da capital e ajudou a estruturar o PSD, que hoje lidera em número de prefeituras no país.

MDB como Nova Casa e Recado Político de Tarcísio

O impasse entre Kassab e Tarcísio, tratado internamente como uma divergência pessoal, culminou no rompimento desta semana. Ramuth, então, buscou outra legenda para viabilizar sua continuidade na chapa. A escolha pelo MDB, antecipada pelo Estadão, contou com o aval e a participação ativa de Tarcísio, que viu na filiação uma oportunidade de aproximar o partido de sua gestão, já que o MDB não ocupava cargos no primeiro escalão estadual.

Em vídeo anunciando a mudança, Ramuth destacou a dinâmica da política e a necessidade de clareza de rumo, afirmando que seguiria “sempre alinhado ao projeto liderado pelo governador Tarcísio”. A aproximação de Tarcísio com lideranças do MDB, como o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, e o deputado federal Baleia Rossi, já havia sido vista como decisiva para a vitória de Nunes na eleição municipal.

Controle da Sucessão e o Futuro do MDB

A filiação de Ramuth ao MDB é vista por integrantes do partido e do governo como um movimento de peso simbólico, que efetivamente enterra as chances de uma aliança do MDB com Lula. Além disso, a articulação envia um claro recado político de Tarcísio: o governador deseja **manter o controle sobre a escolha de seu vice** e, consequentemente, sobre sua sucessão.

O PL também tem interesse na vaga de vice, com o nome do presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), André do Prado, sendo ventilado. Contudo, Tarcísio demonstra o desejo de indicar alguém de sua total confiança, evitando negociações futuras.

A reeleição de Tarcísio o colocaria em seu segundo mandato, transformando o vice em um potencial sucessor natural, seguindo o modelo de Geraldo Alckmin e Mário Covas. Por isso, a escolha do vice é estratégica para o governador. Embora a permanência de Ramuth seja a tendência, interlocutores do governador afirmam que a decisão final ainda não está definida e deve ser confirmada mais perto do calendário eleitoral.

Redação Portal DBC

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