Tarifa dos EUA de 25% Agrava Perdas nas Exportações Brasileiras, CNI Alerta Para Competitividade da Indústria Nacional
Nova tarifa de 25% dos EUA sobre produtos brasileiros pode ampliar perdas e prejudicar a competitividade da indústria nacional, aponta a CNI.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) expressou profunda preocupação com a recente decisão dos Estados Unidos de impor uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. A medida, confirmada pelo governo americano, agrava um cenário de dificuldades que já vinha afetando o comércio bilateral, aumentando a insegurança para empresas de ambos os países.
Esta nova cobrança se soma a barreiras comerciais já existentes desde 2025, intensificando a pressão sobre os exportadores nacionais. A CNI alerta que a medida pode comprometer ainda mais a competitividade da indústria brasileira no mercado internacional, resultando em perdas ainda maiores.
As consequências da nova tarifa já começam a ser sentidas, com uma expressiva maioria dos estados brasileiros registrando queda nas exportações para os Estados Unidos no primeiro semestre. O presidente da CNI, Ricardo Alban, destacou a urgência em reverter essa situação e restabelecer a relação comercial bilateral.
Efeitos da Tarifa Já Impactam 20 Estados Brasileiros
Os efeitos das tarifas impostas pelos Estados Unidos já são visíveis nos resultados das exportações brasileiras. No primeiro semestre, 20 dos 27 estados brasileiros registraram uma redução em suas vendas para o mercado norte-americano. Essa queda reflete a diminuição de 8,7% nas exportações de bens industriais, com destaque para semimanufaturados de ferro e aço, ferro fundido bruto, pasta química de madeira, óleos de petróleo e semimanufaturados de outras ligas de aço.
Apesar do cenário desafiador, os Estados Unidos se mantiveram como o principal destino das exportações da indústria de transformação brasileira no período. No entanto, a nova tarifa de 25% promete intensificar essa tendência negativa, afetando diretamente a capacidade de competição das empresas nacionais.
Quedas Expressivas em Diversas Unidades da Federação
As perdas nas exportações para os Estados Unidos foram acentuadas em várias regiões do país. Rio Grande do Norte liderou a queda com um recuo de 72%, seguido por Alagoas (64,9%), Acre (62,8%) e Tocantins (52,1%). Outros estados como Amapá (41,2%), Ceará (36,9%), Sergipe (35,9%), Pernambuco (33,4%), Santa Catarina e Paraná (ambos com 32,9%) também apresentaram diminuições significativas.
Em contrapartida, sete unidades da Federação conseguiram apresentar crescimento em suas exportações. Rondônia se destacou com um avanço de 49,1%, seguida por Goiás (42,1%) e Distrito Federal (34,2%). Mato Grosso, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul e Paraíba também registraram altas em suas vendas para o mercado americano.
São Paulo Lidera Exportações, Mas Sofre Queda
São Paulo continua sendo o maior exportador brasileiro para os Estados Unidos, com vendas de US$ 6 bilhões no primeiro semestre. Contudo, o estado também sentiu o impacto da retração, com uma queda de 4,3% em relação ao ano anterior. O mercado americano representou 17,1% das exportações paulistas.
Em seguida, aparecem Rio de Janeiro (US$ 2,9 bilhões), Minas Gerais (US$ 1,9 bilhão) e Espírito Santo (US$ 1,4 bilhão). Estados como Sergipe (52,3% de suas exportações para os EUA), Ceará (33,4%) e Espírito Santo (27,5%) demonstram uma dependência maior do mercado americano, tornando-se mais vulneráveis às novas tarifas.
CNI Alerta Para Riscos e Necessidade de Reversão da Medida
A CNI reforça que a tarifa adicional de 25% eleva o risco de novas perdas, especialmente para os estados e setores mais dependentes do mercado dos Estados Unidos. A continuidade dessas barreiras comerciais pode afetar a capacidade de competição da indústria brasileira no cenário global. A entidade defende esforços para reverter a medida e retomar a relação comercial histórica entre Brasil e Estados Unidos.
