Tarifaço EUA: CNA Alerta que 36,5% das Exportações do Agronegócio Brasileiro Sofrem Risco com Nova Taxa de 25%
Novas tarifas americanas sobre produtos como madeira, arroz e açúcar podem encarecer vendas e impactar produtores brasileiros a partir de julho de 2026, segundo Confederação da Agricultura e Pecuária.
Uma nova tarifa comercial imposta pelos Estados Unidos representa um risco significativo para mais de um terço das exportações brasileiras do agronegócio destinadas ao mercado norte-americano. A cobrança adicional de 25% está prevista para entrar em vigor em 22 de julho de 2026, afetando produtos essenciais como madeira, arroz, uva, ovos e açúcar.
A estimativa alarmante é da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que aponta que 36,5% do valor exportado pelo setor aos Estados Unidos continuará sujeito a essa sobretaxa. Embora o governo americano tenha ampliado a lista de exceções, retirando pescados, mel e café solúvel, o impacto para produtores, cooperativas e exportadores brasileiros permanece considerável.
Os itens que permanecem sob a mira da tarifa movimentaram cerca de US$ 4,6 bilhões em vendas para os Estados Unidos durante o ano de 2025, conforme os cálculos da CNA. Na prática, essa tarifa encarece o produto brasileiro ao chegar ao mercado americano, forçando exportadores e compradores a decidir quem absorverá o custo adicional, seja o produtor brasileiro, o importador nos EUA ou o consumidor final. Essas informações foram divulgadas pela CNA.
Impacto Concreto: Quase US$ 5 Bilhões em Produtos Agropecuários Sob Nova Tarifa Americana
A decisão dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos importados do Brasil, após uma investigação comercial, mantém uma parcela relevante do agronegócio sob risco. O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) ampliou as exceções para 2.126 linhas tarifárias em comparação com a proposta inicial, o que foi positivo para muitos segmentos.
No entanto, a CNA estima que 36,5% das exportações do agronegócio brasileiro para os Estados Unidos estarão sujeitas à nova tarifa. Em termos práticos, isso significa que para cada US$ 100 vendidos pelo setor ao mercado americano, aproximadamente US$ 36,50 correspondem a produtos que podem ser impactados pela cobrança adicional. Os outros US$ 63,50 representam mercadorias incluídas nas exceções.
Essa divisão não se refere a toda a produção agropecuária brasileira, mas sim especificamente às exportações direcionadas aos Estados Unidos. A CNA tem atuado ativamente, participando de consultas públicas e audiências, apresentando argumentos técnicos para demonstrar que a competitividade do agronegócio brasileiro se baseia em produtividade, tecnologia e investimentos, e não em práticas comerciais desleais, como destacou Sueme Mori, diretora de Relações Internacionais da entidade.
Produtos Afetados e Isentos: Entenda Quais Cadeias Sentirão o Impacto
A lista de produtos que continuarão pagando a tarifa adicional de 25% inclui itens de grande importância para o agronegócio brasileiro. Entre eles estão madeira, arroz, uva, ovos e açúcar. Estes produtos, juntos, foram responsáveis por aproximadamente US$ 4,6 bilhões em vendas brasileiras aos Estados Unidos no ano de 2025, evidenciando o vulto do impacto potencial.
Por outro lado, a ampliação das exceções pelo governo americano beneficiou outros setores importantes. Pescados, mel e café solúvel foram retirados da lista de produtos sujeitos à sobretaxa, após a participação ativa de entidades brasileiras nas negociações. Essa exclusão é um alívio para esses segmentos específicos.
A dinâmica do impacto será desigual. Cadeias produtivas que dependem fortemente do mercado americano sentirão a pressão de forma mais acentuada. Empresas maiores podem ter mais recursos para renegociar contratos ou buscar novos mercados, enquanto pequenos produtores e indústrias mais dependentes de um único comprador podem enfrentar dificuldades maiores.
O Mecanismo da Tarifa e Seus Reflexos na Cadeia Produtiva Brasileira
Uma tarifa de importação é um imposto cobrado sobre mercadorias estrangeiras. Neste caso, a tarifa adicional de 25% visa encarecer produtos brasileiros no mercado americano. Formalmente, o importador nos Estados Unidos é quem recolhe o imposto, mas o custo pode ser repassado ao exportador brasileiro, que pode ter que reduzir seus preços, ou ao consumidor final americano.
Essa tarifa adicional geralmente se soma aos impostos já existentes, aumentando a carga tributária sobre o produto. Para o produtor rural brasileiro, o impacto pode não ser direto, mas se manifesta através da cadeia. Se uma indústria exportadora reduzir compras ou preços devido à tarifa, o produtor pode enfrentar negociações menos favoráveis ou redução na demanda.
O dólar pode oferecer algum alívio parcial, pois uma cotação mais alta para a moeda americana aumenta a receita em reais para os exportadores. Contudo, essa vantagem cambial pode ser neutralizada pelo aumento de custos de insumos importados e pela própria elevação da tarifa, que é substancial. A CNA ressalta que nem sempre a variação do câmbio será suficiente para compensar completamente o impacto da tarifa de 25%.
Perspectivas e Respostas: O que Esperar e Como o Brasil Pode Reagir
A possibilidade de revisão da medida existe, seja por negociação direta, por meio de acordos comerciais ou por decisão unilateral do governo americano. No entanto, não há garantia de que a tarifa será retirada. Enquanto a regra estiver em vigor, as empresas precisarão se adaptar ao novo cenário de custos.
O Brasil possui instrumentos para responder a medidas comerciais consideradas prejudiciais, como a aplicação de tarifas retaliatórias sobre produtos americanos. Contudo, uma retaliação também gera custos para empresas e consumidores brasileiros que utilizam esses produtos. Por isso, o governo avalia cuidadosamente o impacto econômico antes de adotar tais medidas.
Para os exportadores, a recomendação é clara: conferir a classificação exata das mercadorias, revisar contratos e buscar diversificar mercados. Para os produtores rurais, o diálogo com compradores e a cautela em decisões de produção são fundamentais. A CNA continuará acompanhando o caso e defendendo a retirada de produtos agropecuários da medida, buscando minimizar os impactos negativos para o setor.
