Taxas de Juros Longas no Brasil Caem com Sinais de Acordo EUA-Irã, Dólar Recua e Ibovespa Dispara

Mercado Financeiro Brasileiro Reage Positivamente a Possível Acordo entre EUA e Irã, com Queda nas Taxas de Juros de Longo Prazo e Alívio no Câmbio.

As taxas dos Depósitos Interfinanceiros (DIs) de longo prazo no Brasil apresentaram uma queda significativa nesta segunda-feira, impulsionadas por declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que reacenderam as esperanças de um acordo de paz com o Irã. Este movimento gerou um efeito cascata positivo nos mercados, com o dólar em baixa e o Ibovespa registrando alta recorde.

Inicialmente, o dia foi marcado pela apreensão dos investidores. O fracasso nas negociações de paz entre Estados Unidos e Irã no fim de semana, somado à ameaça de Trump de bloquear o Estreito de Ormuz e à resposta iraniana de retaliar vizinhos do Golfo Pérsico, pressionaram a curva a termo brasileira para cima, com altas expressivas em alguns vencimentos.

No entanto, uma reviravolta ocorreu no início da tarde, quando Trump anunciou que o Irã havia entrado em contato buscando um acordo, embora tenha reiterado que não aceitará um Irã com armas nucleares. Essa notícia foi o gatilho para uma mudança de sentimento global, com investidores buscando ativos de maior risco e aliviando a tensão geopolítica. Conforme informação divulgada pela Reuters, foi nesse cenário que os investidores se apegaram à possibilidade de um acordo, o que impulsionou o dólar para baixo ante o real e fez as taxas longas dos DIs virarem para o território negativo.

Impacto Direto nas Taxas de Juros e no Câmbio Brasileiro

A taxa do DI para janeiro de 2035, por exemplo, que havia chegado a marcar 13,560% no início do dia, encerrou a sessão regular em 13,41%, uma queda de 8 pontos-base em relação ao fechamento de sexta-feira. Já as taxas de curto prazo, como a do DI para janeiro de 2027, fecharam com leves altas, em 14,09%, mas bem abaixo das máximas registradas mais cedo.

Essa reversão nas taxas longas reflete a expectativa de menor aversão ao risco no cenário internacional. A queda no preço do petróleo, que cedeu para abaixo dos US$100 o barril no exterior, também contribuiu para o otimismo. O dólar, que chegou a subir, passou a oscilar abaixo dos R$5,00, demonstrando um alívio na pressão cambial.

Perspectivas para a Selic e Inflação Sobem

Apesar do alívio na curva de juros, o mercado continua projetando um corte de 25 pontos-base na taxa básica Selic, atualmente em 14,75% ao ano, no final do mês, em vez dos 50 pontos-base esperados anteriormente. O relatório Focus, divulgado no início do dia, manteve a mediana das projeções para a Selic em 12,50% ao fim deste ano.

Por outro lado, as projeções para a inflação em 2026 subiram. De acordo com o relatório Focus, a mediana das expectativas dos economistas para a inflação neste ano passou de 4,36% para 4,71%. Esse aumento reflete os efeitos dos eventos globais sobre os preços e se mantém bem acima da meta de 3% perseguida pelo Banco Central, indicando que a vigilância sobre a inflação continua sendo um fator importante para as decisões de política monetária.

Mercados Globais em Sintonia com o Discurso de Trump

Os comentários de Donald Trump não apenas impactaram o Brasil, mas também tiveram reflexos globais. A queda no rendimento do Treasury de dez anos, referência global para investimentos, para 4,297%, com recuo de 2 pontos-base, demonstra a busca por ativos mais seguros em meio à incerteza. A alta recorde do Ibovespa, impulsionada pela melhora no sentimento de risco, também é um indicativo desse movimento.

A seguir, confira o desempenho das principais taxas de DI no final da tarde desta segunda-feira, conforme divulgado pela Reuters:

Mês Ticker Taxa (% a.a.) Ajuste anterior (% a.a.) Variação (p.p.)
JAN/27 DI 14,09 14,063 0,027
JAN/28 DI 13,51 13,532 -0,022
JAN/29 DI 13,305 13,37 -0,065
JAN/30 DI 13,295 13,389 -0,094
JAN/31 DI 13,33 13,428 -0,098
JAN/35 DI 13,41 13,493 -0,083
Redação Portal DBC

Estou aqui para trazer para você o melhor conteúdo, na hora certa.