Trump x Bad Bunny: Críticas ao show latino podem custar votos hispânicos cruciais para republicanos em novembro

A polêmica apresentação de Bad Bunny no Super Bowl e a reação de Donald Trump acendem um alerta para o Partido Republicano sobre o apoio dos eleitores hispânicos. A crítica à performance em espanhol e ao conteúdo artístico pode ter consequências significativas nas eleições de novembro, especialmente em distritos com alta concentração de latinos.

O presidente Donald Trump direcionou críticas contundentes ao show de intervalo do Super Bowl, protagonizado pelo astro porto-riquenho Bad Bunny. A performance, que incluiu momentos em espanhol, foi chamada por Trump de “uma afronta à grandeza dos Estados Unidos” e “um tapa na cara” do país. Ele questionou a compreensão da letra e classificou a dança como “nojenta” e inadequada para crianças, gerando preocupação entre aliados republicanos hispânicos.

Essas declarações chegam em um momento delicado para o partido, que busca manter sua maioria na Câmara dos Deputados. A retórica de Trump contra a cultura latina, representada por Bad Bunny, pode alienar um eleitorado que tem sido fundamental para a coalizão republicana. A Reuters aponta que o apoio hispânico a Trump, que foi robusto em 2024, tem demonstrado sinais de enfraquecimento.

Especialistas e políticos latinos dentro do Partido Republicano veem a crítica a Bad Bunny como um erro estratégico. Eles argumentam que o partido deveria focar em questões econômicas e de imigração, em vez de se envolver em “batalhas culturais” que podem afastar eleitores. A Reuters consultou diversas fontes que indicam que a performance de Bad Bunny foi vista como uma celebração da cultura latina, e atacá-la pode ser contraproducente.

Descontentamento com a economia e a imigração minam o apoio latino a Trump

O apoio hispânico a Trump já vinha sofrendo abalos devido a fatores como a inflação, o descontentamento com tarifas de importação e as políticas de imigração mais rigorosas. Uma pesquisa do Pew Research Center em novembro de 2025 com mais de 5.000 eleitores latinos mostrou uma queda de 12 pontos percentuais entre aqueles que apoiaram Trump em 2024. O índice de aprovação do trabalho de Trump entre latinos que votaram nele caiu de 93% no início de seu segundo mandato para 81% dez meses depois.

Javier Palomarez, presidente do Conselho Empresarial Hispânico dos EUA, relatou que muitos proprietários de pequenas empresas sentem que Trump não conseguiu controlar os preços. Ele considera os comentários sobre Bad Bunny “mais um exemplo de um presidente que está lamentavelmente dando um tiro no próprio pé”. Segundo uma pesquisa interna de sua organização, a crença de que Trump era o melhor candidato para consertar a economia caiu de 70% para 40%.

Ramiro Cavazos, presidente da Câmara de Comércio Hispânica dos Estados Unidos, mencionou que empresas de propriedade de latinos em Minneapolis relataram uma queda de 70% nas vendas desde o início da repressão à imigração na região. Esses fatores econômicos e sociais, combinados com a retórica anti-imigração, podem pesar contra os republicanos em distritos com grande população hispânica, como Califórnia, Arizona e Colorado.

Aliados republicanos hispânicos pedem cautela e melhor comunicação

Apesar de alguns conservadores hispânicos não se sentirem ofendidos pelos comentários de Trump sobre Bad Bunny, muitos concordam que ele deveria ter “controlado sua boca e seu temperamento” e sido “menos impulsivo”. Denise Galvez Turros, cofundadora do Latinas for Trump, defendeu as críticas de Trump ao uso do espanhol por Bad Bunny, citando a dificuldade de entender a gíria porto-riquenha. No entanto, ela sugere que o partido precisa de uma comunicação mais eficaz com o eleitorado latino.

Uma fonte próxima à Casa Branca, que prefere não ser identificada, alertou que Trump precisa se envolver melhor com os eleitores latinos e negros, e que o episódio com Bad Bunny pode acelerar o retorno desses grupos aos candidatos democratas. Há planos para que Trump visite áreas de fronteira e regiões com grande população latina, buscando reverter essa tendência.

Vianca Rodriguez, ex-funcionária do governo Trump e ex-vice-diretora de comunicações hispânicas do Comitê Nacional Republicano, afirmou que a “batalha cultural” em torno de Bad Bunny pode causar mais danos do que benefícios. Ela aconselha os republicanos a não repetirem os erros dos democratas, que perderam parte significativa da população latina por se sentirem “desprezados”.

Estratégias para reconquistar o eleitorado latino

Estrategistas republicanos, como Mike Madrid, especialista em tendências eleitorais latinas, expressaram perplexidade com a postura de Trump, considerando “inacreditável” o partido dobrar a aposta em alienar eleitores cruciais para sua sobrevivência política. A Reuters destaca que os hispânicos são a maior minoria étnica nos EUA, representando cerca de um quinto da população.

Para combater a perda de apoio, a fonte próxima à Casa Branca sugere que Trump utilize mais porta-vozes em espanhol e aborde agressivamente as pautas de imigração e econômicas. A estratégia de campanha para as eleições de meio de mandato deve incluir viagens de Trump a distritos com grande concentração de latinos e em áreas de fronteira.

A mensagem para o Partido Republicano é clara: a retórica de Trump contra figuras culturais latinas como Bad Bunny pode ter um custo eleitoral alto. A habilidade do partido em se conectar com o eleitorado hispânico, especialmente em distritos-chave para a disputa pela Câmara dos Deputados, dependerá de sua capacidade de equilibrar sua base com a necessidade de atrair e reter um grupo demográfico cada vez mais influente na política americana.

Redação Portal DBC

Estou aqui para trazer para você o melhor conteúdo, na hora certa.