Desemprego em 2026: Brasil registra 5,4% no 2º trimestre, mas subutilização e desigualdades persistem em 13 estados
IBGE revela queda expressiva no desemprego no Brasil, mas alerta para subutilização e disparidades regionais
O Brasil registrou uma melhora significativa no mercado de trabalho no segundo trimestre de 2026. A taxa de desocupação, que mede o percentual de pessoas sem trabalho e procurando por ele, atingiu 5,4% entre abril e junho. Este é o menor índice registrado desde o início do ano, representando uma queda em relação aos 6,1% do primeiro trimestre.
A notícia traz um alívio para milhões de brasileiros, mas os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (14) também apontam para desafios persistentes. A subutilização da força de trabalho e as diferenças regionais no acesso a empregos de qualidade ainda são pontos de atenção.
A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) detalha que a queda no desemprego não se traduziu em um cenário perfeito. A análise completa dos dados permite entender melhor as nuances desse cenário e os próximos passos para a economia brasileira.
Desocupação em queda e mais brasileiros empregados
O número de pessoas desocupadas no Brasil diminuiu para 5,9 milhões no segundo trimestre de 2026. Isso representa uma redução de aproximadamente 718 mil pessoas em comparação com o trimestre anterior, quando o país contabilizava cerca de 6,6 milhões de desocupados. Na comparação anual, o contingente de desempregados encolheu em 392 mil pessoas.
Paralelamente, a população ocupada cresceu, alcançando 103,1 milhões de pessoas. Esse avanço corresponde a um aumento de 1,1% em relação ao trimestre anterior, o que se traduz em mais de 1 milhão de novos postos de trabalho. Comparado ao mesmo período de 2025, houve um acréscimo de cerca de 742 mil pessoas empregadas.
Subutilização da força de trabalho ainda é um desafio
Apesar da queda na taxa de desocupação tradicional, o indicador de subutilização da força de trabalho permaneceu em um patamar elevado, registrando 12,9% no período de abril a junho de 2026. Este índice é mais abrangente e inclui não apenas os desempregados, mas também os subocupados por insuficiência de horas e aqueles que poderiam trabalhar, mas não buscaram ativamente por emprego.
O país contava com cerca de 14,7 milhões de pessoas subutilizadas no segundo trimestre, uma redução de 10,1% em relação ao primeiro trimestre, quando esse número chegava a 16,3 milhões. A população subocupada por falta de horas trabalhadas ficou em aproximadamente 4,1 milhões de pessoas, mostrando que muitos trabalhadores ainda não conseguem ter suas jornadas de trabalho totalmente aproveitadas.
Desigualdade regional: 13 estados com queda, mas disparidades persistem
A análise regional dos dados da PNAD Contínua revelou que a taxa de desocupação apresentou queda estatisticamente significativa em 13 das 27 Unidades da Federação entre o primeiro e o segundo trimestre de 2026. No entanto, em outras 14 regiões, o cenário permaneceu estável.
Os maiores recuos foram observados no Rio Grande do Norte (1,9 ponto percentual) e no Acre e na Paraíba (ambos com 1,6 ponto percentual). Contudo, as diferenças estaduais continuam expressivas. O Amapá liderou o ranking de desemprego, com 9,8%, seguido pela Bahia (9,1%), Pernambuco e Piauí (ambos com 8,3%) e Sergipe (7,9%).
Na outra ponta, Santa Catarina apresentou a menor taxa de desocupação, com apenas 2,1%. Mato Grosso (2,2%), Espírito Santo (2,3%), Rondônia (2,6%) e Mato Grosso do Sul (2,7%) também se destacaram com baixos índices de desemprego.
Mulheres e grupos raciais/etários ainda enfrentam maiores desafios
A PNAD Contínua também evidenciou diferenças importantes entre grupos demográficos. No segundo trimestre de 2026, a taxa de desocupação foi de 4,6% entre os homens e 6,4% entre as mulheres, indicando que o público feminino ainda enfrenta maiores dificuldades em encontrar trabalho.
Por cor ou raça, o desemprego foi de 4,2% entre pessoas brancas, 6,9% entre pessoas pretas e 6,1% entre pessoas pardas. O nível de escolaridade também impacta a empregabilidade, com a taxa de desemprego atingindo 9,0% entre pessoas com ensino médio incompleto, em contraste com os 3,0% para aqueles com ensino superior completo.
