Banco Pleno: Do Sonho Digital à Liquidação pelo BC, entenda a trajetória do ex-Voiter e suas ligações com o Banco Master
Banco Pleno tem liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central; saiba os motivos e a história da instituição
O Banco Central do Brasil decretou, nesta quarta-feira (18), a liquidação extrajudicial do Banco Pleno. A instituição, que já passou por diversas reestruturações e mudanças de controle, vinha enfrentando um cenário de dificuldades operacionais e pressão de liquidez, o que culminou na decisão do regulador.
A trajetória do Banco Pleno é marcada por uma série de transformações. Antes de adotar o nome atual, a instituição operou como Banco Indusval, com foco em crédito corporativo e agronegócio. Posteriormente, buscou um reposicionamento como banco digital, adotando o nome Banco Voiter em 2019, mas a estratégia não obteve o sucesso esperado.
Em 2023, uma proposta de aquisição pela Capital Consig não se concretizou. Já no início de 2024, o banco foi incorporado ao conglomerado do Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro. A união, no entanto, foi breve e permeada por incertezas regulatórias. Em julho de 2025, o Banco Central autorizou a transferência do controle para Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Vorcaro, dando origem ao Banco Pleno.
A aposta no consignado e a dependência de captação
Ao assumir o controle do Banco Pleno, Augusto Lima apostou no crédito consignado como principal nicho de mercado, impulsionado pela operação do Credcesta, um cartão de benefício com forte atuação em diversos municípios. A estratégia visava garantir o crescimento da carteira e a previsibilidade de receitas, mas dependia diretamente da capacidade de captação contínua no mercado financeiro.
No entanto, dados do Banco Central revelam que, em setembro, o Banco Pleno possuía um passivo de aproximadamente R$ 6,8 bilhões. Desse total, cerca de R$ 5,2 bilhões estavam concentrados em Certificados de Depósito Bancário (CDBs), além de R$ 760 milhões em letras financeiras. Essa forte dependência de captação via depósitos a prazo se mostrou um ponto de fragilidade.
Aumento do risco e perda de confiança do mercado
Com o aumento da percepção de risco em relação à instituição, os papéis do Banco Pleno começaram a ser negociados no mercado secundário a taxas significativamente superiores ao CDI. Esse movimento indicava vendas forçadas por parte dos investidores e uma clara perda de confiança na solidez da operação.
Segundo estimativas do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), o banco possuía, até então, cerca de R$ 4,9 bilhões em depósitos elegíveis à cobertura do fundo, um indicativo da exposição de muitos poupadores à instituição.
Prisão de Augusto Lima e a busca por um comprador
O nome de Augusto Lima também ganhou destaque após sua prisão na operação Compliance Zero, que investiga supostas fraudes relacionadas ao Banco Master. Embora a prisão tenha sido posteriormente revogada, o episódio somou-se às dificuldades enfrentadas pelo Banco Pleno, que sempre afirmou operar dentro da legalidade e não ser alvo direto das investigações.
Diante do cenário adverso, o banco chegou a buscar um comprador. Segundo informações divulgadas pelo jornal Folha de S.Paulo, as negociações envolviam a possibilidade de um negócio casado com o Credcesta e a necessidade de aportes bilionários para estabilizar a instituição. Contudo, as conversas não avançaram e nenhum novo investidor foi anunciado.
Decisão do Banco Central e o fim da operação
A combinação de restrições regulatórias, dificuldades de captação, uma estrutura de passivos sob pressão e a deterioração da confiança do mercado levaram o Banco Central a tomar a decisão final de decretar a liquidação extrajudicial do Banco Pleno. A medida visa proteger os depositantes e o sistema financeiro como um todo.
