Banco Pleno é Liquidado pelo BC: Ex-sócio do Master Enfrenta Regime Especial, Entenda o Que Acontece com seu Dinheiro
BC decreta liquidação extrajudicial do Banco Pleno, instituição de ex-sócio do Master, e aciona FGC para ressarcir clientes.
O Banco Central (BC) anunciou nesta quarta-feira (18) a liquidação extrajudicial do Banco Pleno, anteriormente conhecido como Voiter. A instituição financeira, controlada por Augusto Ferreira Lima, que foi sócio do Banco Master, vinha apresentando uma deterioração em sua situação econômico-financeira, com crescentes dificuldades de liquidez e restrições para captação de recursos.
A decisão, assinada pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, visa a proteger o sistema financeiro e os depositantes. O ato oficial cita o comprometimento da situação econômico-financeira, a deterioração da liquidez, além de infrações às normas bancárias e inobservância das determinações da autoridade monetária como justificativas para a medida.
A liquidação atinge não apenas o Banco Pleno S.A., mas também a Pleno Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A., ambas integrantes do conglomerado financeiro Pleno. Conforme nota divulgada pelo Banco Central, o conglomerado representa uma parcela pequena do Sistema Financeiro Nacional, detendo cerca de 0,04% do ativo total e 0,05% das captações totais.
Conforme informação divulgada pelo Banco Central, a medida foi tomada devido ao comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, com deterioração da situação de liquidez, bem como por infringência às normas que disciplinam a atividade bancária e inobservância das determinações do Banco Central do Brasil.
Entenda a trajetória do Banco Pleno e seu controlador
Augusto Ferreira Lima, o controlador do Banco Pleno, construiu sua carreira no setor financeiro com foco em crédito consignado. Sua projeção no mercado aumentou significativamente após se tornar sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master. O Banco Pleno, originalmente Banco Voiter, foi incorporado ao conglomerado do Banco Master no início de 2024, mas essa união foi breve. Em julho de 2025, o Banco Central aprovou a transferência do controle para Augusto Ferreira Lima, marcando o início da operação sob a nova denominação.
O que é liquidação extrajudicial e como funciona o FGC
A liquidação extrajudicial é um regime de resolução aplicado pelo Banco Central quando não há perspectiva de recuperação da instituição financeira. Nesse processo, as operações do banco são interrompidas e ele é retirado do Sistema Financeiro Nacional de forma organizada. Todas as obrigações da instituição passam a ser consideradas vencidas.
O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) é acionado para ressarcir os investidores. O FGC é uma entidade privada que protege depositantes e investidores em casos de intervenção ou liquidação de instituições financeiras associadas. Ele garante a recuperação de depósitos e créditos de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, com um limite de R$ 1 milhão a cada quatro anos.
Como ficam os investimentos no Banco Pleno
Com a liquidação do Banco Pleno, os CDBs e outros investimentos elegíveis emitidos pela instituição passam a ser de responsabilidade do FGC para ressarcimento. O Fundo cobre valores de até R$ 250 mil por CPF, o que significa que poupadores com valores acima desse teto não terão a totalidade de seus recursos garantidos.
Dados do Banco Central de setembro indicavam um passivo de aproximadamente R$ 6,8 bilhões no Banco Pleno, sendo cerca de R$ 5,2 bilhões em CDBs e R$ 760 milhões em letras financeiras. Estimativas do FGC apontam para cerca de R$ 4,9 bilhões em depósitos elegíveis à cobertura.
Antes da decretação da liquidação, o Banco Pleno chegou a buscar um comprador, com negociações que envolviam a possibilidade de atrelar o negócio à operação do Credcesta, um cartão de benefício consignado. No entanto, as conversas não avançaram.
O processo de ressarcimento pelo FGC
O pagamento aos clientes do Banco Pleno pelo FGC tem início após a decretação oficial da liquidação pelo Banco Central. O fundo garante diversas modalidades de depósitos e investimentos, incluindo conta corrente, poupança, CDB, RDB, LCI, LCA, e letras de câmbio. O cálculo do valor a ser pago considera impostos como Imposto de Renda e IOF.
Durante o processo de intervenção, a liquidez de títulos como os CDBs pode ser temporariamente restringida, enquanto o interventor realiza a avaliação patrimonial completa do banco. O FGC provisiona os valores garantidos no momento da decretação da liquidação, agilizando o processo de ressarcimento aos investidores afetados pelo fim das operações do Banco Pleno.
