Copom corta Selic para 14,25%: Inflação, juros e riscos externos freiam apostas em novas quedas, alertam economistas

Copom reduz Selic para 14,25% ao ano, mas sinaliza cautela com inflação e riscos globais

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciou a redução da taxa Selic em 0,25 ponto percentual, fixando-a em 14,25% ao ano. A decisão, amplamente esperada pelo mercado, veio acompanhada de um comunicado que trouxe uma mensagem de cautela, devido à persistência da inflação elevada, expectativas desancoradas e os riscos externos intensificados pelo conflito no Oriente Médio.

Apesar da redução, o Banco Central destacou a aceleração da atividade econômica e a resiliência do mercado de trabalho, fatores que contribuem para uma demanda aquecida. A autoridade monetária reconheceu a piora do quadro inflacionário desde a última reunião, com os índices cheios e subjacentes se afastando ainda mais da meta estabelecida.

O cenário internacional, marcado pela indefinição sobre o conflito no Oriente Médio, também foi apontado como um fator de preocupação, com potencial para gerar volatilidade nos mercados globais e impactar preços de commodities. Conforme informação divulgada pelo BM&C NEWS, a comunicação do Copom gerou debates entre os especialistas sobre os próximos passos da política monetária.

Inflação desancorada e expectativas preocupam o Banco Central

O Banco Central admitiu que o quadro inflacionário se deteriorou, com as projeções de inflação para os próximos anos, segundo a pesquisa Focus, superando o objetivo da autoridade monetária. As expectativas do mercado continuam desancoradas, com projeções de 5,3% para 2026 e 4,1% para 2027, ambas acima da meta. A própria projeção do Copom para o fim de 2027 está em 3,7%, também acima do alvo.

Mesmo diante desse cenário, o Copom decidiu prosseguir com o processo de redução dos juros, mas sem assumir compromisso explícito com os próximos passos. A magnitude total do ciclo de calibração dos juros será definida com base em novas informações econômicas, deixando em aberto a possibilidade de novos cortes ou de uma pausa na flexibilização monetária.

Conflito no Oriente Médio e riscos fiscais no radar do Copom

O conflito no Oriente Médio ganhou destaque na análise do Copom, com a indefinição sobre o fim dos confrontos mantendo elevada a volatilidade nos mercados globais e podendo afetar diretamente os preços de ativos e commodities. Riscos de alta para a inflação incluem choques relacionados ao petróleo e possíveis impactos climáticos na produção agrícola e nos custos de energia, que podem gerar efeitos secundários e dificultar o trabalho da política monetária.

A preocupação com a política fiscal também foi expressa, com o comitê acompanhando os impactos das decisões fiscais sobre os ativos financeiros e a condução da política monetária. A possibilidade de estímulos ao consumo manterem a economia crescendo acima do potencial também foi incluída no balanço de riscos.

Especialistas analisam a comunicação cautelosa do Copom

Rafael Cardoso, economista-chefe do Banco Daycoval, avaliou que o Copom fez um diagnóstico correto da piora da inflação, da força da atividade econômica e das incertezas externas, mas encontrou espaço para seguir com a flexibilização monetária diante do aperto da Selic. Ele prevê continuidade do ciclo em ritmo de 0,25 ponto percentual por reunião.

Caio Megale, economista-chefe da XP, considerou que o comunicado trouxe elementos hawkish, apesar da redução da Selic. Para ele, ao reconhecer a aceleração da atividade e da inflação, o Copom sinalizou que o espaço para cortes adicionais está limitado. A XP projeta mais um corte de 0,25 ponto percentual em agosto, mas considera uma pausa uma possibilidade relevante.

Leonardo Costa, economista do ASA, viu uma comunicação dura na leitura do cenário, mas com a possibilidade de novos cortes mantida aberta. Ele destacou que a referência à inflação mais próxima da meta em 2028 deu flexibilidade ao Banco Central, preservando “máxima opcionalidade” para as próximas reuniões.

Editor

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