IA Revoluciona Liderança: Estratégia Ganha Espaço, Execução Diminui para Líderes e Equipes no Brasil

Liderança na era da IA exige mais estratégia e menos execução, aponta debate na BM&C News

A ascensão da inteligência artificial (IA) está promovendo uma transformação profunda no mundo corporativo brasileiro, impulsionando líderes e equipes a focarem mais em estratégia e menos em tarefas de execução. Essa mudança de paradigma foi amplamente discutida durante o 7º Innovation Day da PwC, evento que gerou o especial #121 MONEY REPORT, exibido pela BM&C News.

Participaram do debate nomes como Simone Sancho (Belong Be), Guga Stocco (Redmind Creative Capital), Emerson Lima (Ster), Marco Castro (PwC), Rafael Albuquerque (Zoox), Marcelo Amos (Kesh) e Guilherme Kato (TotalPass), com a mediação de Aluizio Falcão Filho. A conversa destacou como a IA redistribui o tempo dedicado à estratégia e à execução, um ponto crucial para empresas que buscam se adaptar e prosperar.

Historicamente, profissionais e empresas foram treinados para a execução, dedicando a maior parte do tempo a tarefas repetitivas. Com a inteligência artificial, essa realidade está mudando drasticamente. A automação de atividades operacionais, o suporte na produção de relatórios e códigos, e a capacidade de simular cenários rapidamente liberam os profissionais para atividades mais estratégicas.

A Nova Divisão de Tempo entre Estratégia e Execução com IA

A principal mensagem que emergiu do debate é que a IA tende a diminuir significativamente a carga de trabalho de execução, direcionando o foco para a estratégia, a formulação de perguntas inteligentes e a interpretação dos resultados gerados pelas máquinas. O modelo mental clássico, onde a maior parte do tempo era gasta executando, está sendo substituído por um que valoriza o pensar estratégico e a análise crítica.

O trabalho humano, com o avanço da IA, migra para a capacidade de formular as perguntas certas aos sistemas de inteligência artificial, decidir os rumos a seguir com base nas respostas obtidas e, crucialmente, interpretar os impactos dessas decisões em clientes, equipes e na sociedade. Essa transição, no entanto, apresenta um desafio, pois a formação tradicional muitas vezes não preparou os profissionais para essa nova dinâmica, focada mais no “fazer” do que no desenhar de problemas e no questionamento de modelos de negócio.

Jurídico e Desenvolvimento de Software na Linha de Frente da Disrupção por IA

Emerson Lima, CEO da Ster, apontou que os campos jurídico e de desenvolvimento de software são pioneiros na visível disrupção causada pela IA. No setor jurídico, ferramentas de IA auxiliam na pesquisa em larga escala de legislação, jurisprudência e doutrina, liberando tempo para a criatividade na aplicação da lei, aproximando a prática do que se vê em produções culturais.

Na área de tecnologia, a escrita de código deixa de ser um domínio restrito de especialistas. A IA agora auxilia na geração, revisão e teste de trechos inteiros de software, democratizando o acesso e acelerando o desenvolvimento. Rafael Albuquerque, da Zoox, compartilhou a experiência da empresa em reescrever seu framework de desenvolvimento, aceitando atrasos de curto prazo para centralizar a IA no processo.

Um aprendizado importante compartilhado por Albuquerque é que a IA pode “exponencializar” tanto a inteligência quanto a preguiça. Desenvolvedores juniores sem raciocínio crítico podem multiplicar erros rapidamente ao aceitar sugestões automáticas sem questionamento. A IA, portanto, exige um **pensamento crítico** apurado.

A Infraestrutura Invisível Necessária para a IA nas Empresas

Além de softwares e modelos, o programa destacou a necessidade de reconstruir uma “infraestrutura invisível” nas empresas. Isso inclui garantir que dados, conectividade, redes industriais e fluxos internos estejam aptos a interagir com soluções inteligentes. Emerson Lima ressaltou que muitas empresas ainda sofrem com um legado incompleto de transformação digital.

O dilema reside em querer resultados rápidos com IA “por cima” do que já existe, mas sem organizar dados e sistemas, o valor extraído é limitado. Empresas nativas em IA, como algumas seguradoras e negócios jurídicos já estruturados em torno de dados, capturam valor mais rapidamente por não terem “débito técnico” acumulado. Investir em IA sem mexer no legado tende a gerar gasto em ferramentas e pouco resultado prático.

Mudanças na Liderança para Capturar Valor da IA

Marco Castro, da PwC, explicou que a consultoria atua simultaneamente na implantação de IA para clientes e na incorporação da tecnologia em seus próprios processos internos. Para ele, a liderança que faz a diferença hoje estimula a **curiosidade** em vez de mera obediência a processos, incentiva o time a reaprender e a abandonar modelos passados, e trata a IA mais como um tema humano e organizacional do que puramente tecnológico.

Requalificar pessoas em escala demanda decisões de liderança claras, como redirecionar orçamentos, rever estruturas e, por vezes, aceitar algum atraso em entregas de curto prazo para reconstruir processos em um novo patamar. A liderança precisa estar preparada para guiar essa transição complexa.

Habilidades Humanas Essenciais na Era da IA

Simone Sancho destacou que, apesar dos avanços dos modelos de IA, elementos tipicamente humanos como empatia, leitura de linguagem corporal e a intuição – entendida como uma combinação de experiências e sinais não totalmente mapeados – continuam sendo diferenciais importantes. A IA aprende majoritariamente com dados da internet, o que levanta questões sobre a qualidade da informação e o risco de homogeneização de conteúdo.

Emerson Lima questionou se a sociedade continuará valorizando o contato humano em certas interações, citando a preferência de jovens por interações digitais assíncronas. A tensão surge entre a necessidade de reforçar a empatia e a responsabilidade humana nas decisões mediadas por IA, e a possibilidade de o mercado reduzir a demanda por interações presenciais mais ricas em nome da conveniência digital.

O Futuro da Interação: Agentes de Confiança e o Declínio do Smartphone?

Guga Stocco sugeriu que o smartphone como o conhecemos pode perder centralidade, abrindo espaço para “agentes de confiança” embutidos em dispositivos como óculos ou pulseiras. Esses agentes seriam capazes de ouvir comandos, entender o contexto ao redor, negociar com serviços e executar tarefas automaticamente, como compras e agendamentos.

Isso representa um desafio para modelos de negócio baseados em aplicativos e telas, pois a relação com o cliente pode migrar para esses agentes que escolherão fornecedores nos bastidores. A adaptação a essa nova dinâmica de interação é fundamental para a sobrevivência de muitos negócios.

A partir das experiências relatadas, um roteiro mínimo para empresas que buscam acelerar com IA inclui: 1. Rever a estratégia antes de adotar ferramentas; 2. Mapear a infraestrutura invisível de dados e sistemas; 3. Redesenhar papéis para focar em perguntas e decisões; 4. Investir em requalificação contínua; e 5. Delimitar o que é humano e o que é automatizável, preservando momentos de empatia e negociação.

Editor

Entusiasta ao marketing online, apaixonado por crédito e finanças pessoais