Reviravolta no Rio: Justiça Anula Eleição de Douglas Ruas para Presidência da Alerj e Impacta Governo Estadual
Justiça do Rio suspende eleição de Douglas Ruas na Alerj e adia definição de novo governador
A noite desta quinta-feira (26) trouxe uma reviravolta significativa no cenário político do Rio de Janeiro. O Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ) **anulou a sessão extraordinária** que havia eleito o deputado Douglas Ruas (PL) como novo presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio (Alerj).
A decisão, de caráter liminar, atende a dois mandados de segurança apresentados pelo PSD e pelo PDT, partidos que contestaram a validade do pleito. A juíza Suely Lopes Magalhães, 1ª Vice-Presidente do TJRJ e presidente em exercício do tribunal, foi a responsável por sustar os efeitos da eleição realizada às pressas.
Com a anulação, a posse de Douglas Ruas como presidente da Alerj e, consequentemente, como governador em exercício, fica suspensa. O impasse se desenrola em um momento de **vacância no governo estadual**, após a renúncia de Cláudio Castro e o afastamento e posterior cassação do mandato de Rodrigo Bacellar, que ocupava a presidência da Alerj.
Entenda o Risco de Intervenção e a Retotalização de Votos
A decisão da desembargadora Suely Lopes Magalhães considerou que a eleição na Alerj **não poderia ter sido deflagrada antes da retotalização dos votos** para deputado estadual, conforme determinado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) após a cassação do mandato de Rodrigo Bacellar. Essa retotalização, que pode alterar a composição da Assembleia, está marcada para ocorrer na próxima terça-feira.
“Aparentemente ao deflagrar a eleição administrativa antes da necessária retotalização dos votos para deputado estadual, a Assembleia Legislativa optou por acatar apenas em parte os efeitos imediatos do acórdão recém-prolatado pelo Tribunal Superior Eleitoral”, pontuou a magistrada em sua decisão.
Magalhães destacou que a eleição de Douglas Ruas, realizada sem o cumprimento integral da decisão do TSE, **interfere diretamente na escolha do futuro governador** do estado. A urgência e a relevância institucional do processo levaram à concessão da liminar, suspendendo todos os atos subsequentes à sessão anulada.
Douglas Ruas fica pouco mais de três horas na presidência
Douglas Ruas permaneceu como presidente da Alerj por **pouco mais de três horas**. A anulação impede que ele sequer assuma formalmente o governo estadual, pois não houve publicação em Diário Oficial. O posto vinha sendo ocupado interinamente pelo deputado Guilherme Delaroli (PL), aliado de Ruas.
A desembargadora ressaltou a importância da **cronologia lógica** para o cumprimento da decisão da Justiça Eleitoral: primeiro a retotalização dos votos para garantir a legitimidade da composição da Casa e, somente depois, o processo eleitoral para a escolha do novo presidente da Alerj.
Incerteza Política no Rio de Janeiro
A anulação da eleição de Douglas Ruas adiciona mais um capítulo à **instabilidade política** que assola o Rio de Janeiro. Com a presidência da Alerj em aberto e a iminência de uma eleição indireta para o governo, o estado vive um momento de grande incerteza quanto aos seus próximos passos.
A decisão do TJRJ sublinha a importância do cumprimento das determinações da Justiça Eleitoral e a necessidade de garantir a **transparência e a legitimidade** dos processos democráticos, especialmente em momentos de vacância de poder.
Governador em exercício pego de surpresa
O desembargador Ricardo Couto, que ocupa interinamente o governo do estado, foi **pego de surpresa** com a notícia da anulação da eleição de Douglas Ruas. Segundo interlocutores, ele estava a caminho de um evento com o presidente Lula quando soube da decisão.
Antes disso, Couto teria se reunido com Guilherme Delaroli, onde supostamente teria sido acordado o cumprimento do prazo determinado pelo TSE. No entanto, a sessão que elegeu Ruas ocorreu antes da retotalização dos votos, contrariando o combinado.
