Goldman Sachs eleva Brava Energia para compra e prevê alta de 16% nas ações BRAV3 com risco-retorno atrativo

Goldman Sachs vê Brava Energia (BRAV3) como oportunidade de compra com potencial de alta de 16%, apostando em risco-retorno atrativo após desvalorização.

O Goldman Sachs elevou a recomendação para as ações da Brava Energia (BRAV3) de neutra para compra. A decisão vem após um período em que os papéis da companhia apresentaram um desempenho inferior ao de seus pares locais e à própria commodity do petróleo. A análise do banco indica que, neste cenário, a relação entre risco e retorno se tornou mais vantajosa para investidores.

Apesar de a Brava Energia ser sensível às oscilações do preço do petróleo, o que a colocaria em posição de destaque em um cenário de alta do Brent, suas ações acumularam uma valorização de apenas 29% no ano. Em comparação, as petroleiras brasileiras no geral subiram 55%, e o próprio Brent registrou alta de 80% no mesmo período. Essa defasagem chamou a atenção do Goldman Sachs.

No momento da divulgação da notícia, por volta das 10h20, as ações da Brava Energia operavam em queda de 5,31%, cotadas a R$ 20,16. Essa desvalorização ocorria mesmo com o upgrade do banco, sendo influenciada pela notícia de um cessar-fogo entre EUA e Irã, que pressionou os preços do petróleo para baixo de US$ 100 o barril. Conforme informação divulgada pelo analista Felipe Moreira, o Goldman Sachs avalia que a estratégia de hedge da companhia para 2026 pode ter limitado o potencial de alta no curto prazo.

Estratégia de Hedge e Potencial de Fluxo de Caixa

Segundo o Goldman Sachs, cerca de 70% da produção de petróleo da Brava Energia está protegida por hedge a preços significativamente inferiores aos atuais da curva futura. Essa proteção limita o ganho no curto prazo. Contudo, o banco projeta que esse efeito deve diminuir gradualmente, visto que apenas 12% da produção está protegida para o ano seguinte, abrindo caminho para maior participação nos ganhos futuros com a alta do petróleo.

O banco estima um yield (rendimento) de fluxo de caixa livre de aproximadamente 25% em 2027. Essa projeção considera um preço médio do petróleo de US$ 72 por barril. Este valor representa um prêmio de 7 pontos percentuais acima da média observada em empresas brasileiras de exploração e produção que estão sob cobertura do banco. Embora a Brava Energia possa negociar com um certo desconto devido à menor duração de suas reservas e incertezas no crescimento da produção, o Goldman Sachs considera que esse prêmio é suficiente para compensar os riscos.

Desalavancagem e Perspectivas de Dividendos

A desalavancagem da companhia é outro ponto positivo destacado. Com a relação dívida líquida/Ebitda estimada em 1,4 vez para 2026, a Brava Energia tem espaço para aumentar a distribuição de dividendos. O Goldman Sachs prevê um yield de dividendos na casa dos dois dígitos médios entre 2027 e 2028, mesmo sem considerar eventuais vendas de ativos.

O banco também aponta que preocupações com a alocação de capital, como a tentativa de aquisição de participação na Tartaruga Verde e desafios operacionais em ativos como Atlanta e Papa Terra, podem ter impactado a performance recente das ações. No entanto, o Goldman Sachs vê potencial de crescimento de produção de cerca de 12% no próximo ano, impulsionado pela conexão de novos poços em Atlanta e Papa Terra prevista para meados de 2027.

Outras Recomendações no Setor

O Goldman Sachs reitera sua preferência por PRIO (PRIO3) no setor de óleo e gás, citando seu valuation atrativo e forte crescimento orgânico. Além disso, o banco mantém recomendações de compra para Petrobras (PETR4; PETR3), ainda que reconheça riscos de curto prazo relacionados à política de preços de combustíveis. Uma eventual venda de ativos onshore pela Brava Energia também poderia destravar valor, segundo o banco, ao aumentar a remuneração aos acionistas e permitir um foco maior em ativos com maior potencial de crescimento.

Redação Portal DBC

Estou aqui para trazer para você o melhor conteúdo, na hora certa.