PT Renuncia a Candidatura ao Governo do RS pela 1ª Vez Após Pressão de Lula, Apoia Juliana Brizola (PDT) e Enfrenta Críticas Internas
PT em Choque: Sem Candidato Próprio ao Governo do RS pela Primeira Vez, Partido Cede à Pressão de Lula e Apoia PDT
Em um movimento político sem precedentes desde sua fundação, o Partido dos Trabalhadores (PT) não apresentará um candidato próprio ao governo do Rio Grande do Sul. A decisão, que quebra uma tradição histórica, foi tomada após intensa pressão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a ameaça de intervenção na direção estadual do partido.
O acordo selado nesta quinta-feira, 9, prevê o apoio petista à candidatura da ex-deputada Juliana Brizola, do PDT. A exigência do PDT para integrar a campanha de Lula à reeleição foi justamente o aval dos petistas ao nome de Juliana Brizola, neta do icônico ex-governador Leonel Brizola.
A desistência do ex-presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Edegar Pretto, que era o pré-candidato do PT, ocorreu após muitas críticas internas ao que foi considerado um “enquadramento” vindo do Palácio do Planalto. Conforme divulgado pelo Estadão Conteúdo, a tendência é que Pretto assuma a posição de vice na chapa encabeçada por Juliana Brizola.
Racha Iminente: PSOL Discorda e Ameaça Deixar Aliança no RS
Apesar do acordo firmado entre PT e PDT, um novo obstáculo surge para a frente de oposição no Rio Grande do Sul. O PSOL, que inicialmente apoiava Edegar Pretto, manifestou forte discordância com a aliança com o PDT e agora ameaça abandonar a coalizão. A frente de oposição é composta por PDT, PT, PSB, PSOL, PCdoB, PV e Rede.
A resistência do PSOL reflete a insatisfação de parte da esquerda com a decisão. A resolução política aprovada pelo PT na terça-feira, 7, determinou que a tática política no estado fosse construída em conjunto com o PDT e aliados, sob a liderança de Juliana Brizola. Um trecho do documento, que passou pelo crivo da Executiva Nacional petista, enfatiza que “não há nada mais importante que a reeleição do presidente Lula”.
Divergência Interna: Dirceu e Pomar Debatem o Conceito de “Intervenção”
A decisão de abrir mão da candidatura própria no Rio Grande do Sul gerou um debate interno acalorado no PT, com divergências públicas entre importantes figuras do partido. O dirigente da corrente Articulação de Esquerda e diretor da Fundação Perseu Abramo, Valter Pomar, criticou o que chamou de “intervenção” na autonomia partidária.
Pomar divergiu abertamente do ex-ministro José Dirceu, que concorre novamente a deputado federal. Dirceu, por sua vez, divulgou uma nota argumentando que o caso gaúcho não configurava uma “intervenção”, citando outros estados onde o PT apoia candidatos de outros partidos em nome da aliança nacional, como Minas Gerais, Rio de Janeiro e Paraná.
“Grave é a desqualificação do debate político e as acusações indevidas, inclusiva contra a pré-candidata do PDT (Juliana Brizola), de violação da democracia partidária por parte daqueles que defendem a aplicação da política nacional ao Rio Grande do Sul”, escreveu Dirceu. Em resposta, Pomar rebateu: “Dirceu não acha que se trate de uma intervenção. Normal: em geral quem pratica uma violência não a reconhece como tal”, fustigou ele, relembrando a intervenção no PT do Rio de Janeiro em 1998.
Histórico e Cenário Eleitoral: O Legado do PT no RS e as Pesquisas Atuais
O PT possui um histórico significativo no Rio Grande do Sul, tendo governado o estado com Olívio Dutra (1999-2003) e Tarso Genro (2011-2015), além de ter administrado a Prefeitura de Porto Alegre por 16 anos consecutivos. Um dos argumentos que levaram à resistência petista em apoiar Juliana Brizola foi o fato de o PDT integrar o governo de Eduardo Leite (PSD), classificado pelos petistas como “neoliberal e de direita”, embora o PDT tenha entregado os cargos recentemente.
Eduardo Leite, que cogitou disputar a sucessão de Lula, decidiu permanecer no cargo de governador após o PSD lançar Ronaldo Caiado para a Presidência. Agora, Leite busca emplacar seu vice, Gabriel Souza (MDB), como candidato ao governo gaúcho. Uma pesquisa divulgada em 17 de março pelo instituto Real Time Big Data aponta o deputado Luciano Zucco (PL), aliado de Jair Bolsonaro, na liderança com 31% das intenções de voto. Juliana Brizola aparece em segundo (24%), seguida por Edegar Pretto (19%) e Gabriel Souza (13%).
