Gigantes Cósmicos em Jejum: Buracos Negros Supermassivos Comem 22x Mais Devagar Após Gás das Galáxias Secar

O universo jovem alimentava buracos negros supermassivos com banquetes de gás, mas agora eles lutam por petiscos, comendo 22 vezes mais devagar.

O ritmo cósmico mudou drasticamente. Os buracos negros supermassivos, que um dia foram os grandes devoradores de matéria no universo primordial, agora consomem alimento em uma velocidade impressionante, 22 vezes menor. A razão principal para essa drástica redução na dieta desses gigantes cósmicos é a drástica escassez de gás frio nos centros das galáxias. Essa mudança fundamental redefine nossa compreensão sobre a evolução galáctica e a atividade desses objetos enigmáticos.

Essa diminuição na alimentação dos buracos negros supermassivos não é resultado de um simples menor tamanho individual ou de uma redução no número de buracos negros ativos. A pesquisa aponta, de forma inequívoca, que cada um desses colossos está individualmente consumindo matéria em um ritmo muito mais lento. O combustível que antes era abundante, especialmente durante o chamado ‘meio-dia cósmico’, um período de intensa formação estelar quando o universo tinha menos de um quarto de sua idade atual, foi se esgotando progressivamente.

Conforme informação divulgada pelo Live Science, este estudo representa o maior esforço já realizado para desvendar por que os quasares, faróis do universo jovem, foram se apagando ao longo do tempo. Os resultados fornecem uma visão clara sobre a dinâmica evolutiva das galáxias e seus centros gravitacionais.

Onde foi parar o gás que alimentava os titãs cósmicos?

O gás frio, essencial para alimentar os buracos negros supermassivos, está sendo consumido por duas forças principais antes mesmo de chegar ao seu destino. A primeira é a própria formação de novas estrelas dentro das galáxias hospedeiras, que competem por esse recurso vital. A segunda são os ventos galácticos, jatos poderosos de partículas e radiação expelidos pelos buracos negros durante períodos de intensa atividade. Esses ventos varrem o gás para longe das regiões centrais, privando os buracos negros de seu sustento.

Com o envelhecimento das galáxias, também diminuíram as colisões e fusões galácticas. Esses eventos, no passado, eram responsáveis por impulsionar grandes quantidades de matéria para os centros galácticos, garantindo um suprimento constante de alimento para os buracos negros supermassivos. O resultado é que as refeições fartas deram lugar a ocasionais petiscos, como estrelas destroçadas que se aproximam demais ou pequenas nuvens de gás errantes.

Um buraco negro de 36 bilhões de massas solares está completamente dormente

O cenário se torna ainda mais intrigante com uma descoberta paralela. Em agosto de 2025, astrônomos identificaram um buraco negro ultramassivo com uma massa estimada em 36 bilhões de massas solares, mais de 10.000 vezes a massa do buraco negro central da Via Láctea. Apesar de seu tamanho colossal, este gigante está completamente dormente, sem emitir radiação ativa detectável. Esse achado, reportado pela Forbes, sugere que mesmo os principais motores gravitacionais do universo podem entrar em estado de inatividade prolongada quando privados de combustível suficiente.

É como um motor de avião parado em solo, com todo o potencial, mas sem ignição. A BBC, através de um vídeo narrado pelo Professor Brian Cox, já havia explorado a formação e a natureza de Sagitário A*, o buraco negro supermassivo no centro da nossa galáxia, conectando diretamente as descobertas atuais com o que acontece em nossa própria Via Láctea.

O que isso significa para o Sagitário A* e a Via Láctea?

Para a nossa galáxia, a conclusão é direta: o Sagitário A*, com cerca de 4 milhões de massas solares, já vive há bilhões de anos em estado de dormência pelos mesmos motivos identificados no estudo. Ele cresceu por dois processos principais ao longo de bilhões de anos: a acreção de gás e poeira e a absorção de estrelas. O resultado é que o Sagitário A* deve permanecer em dormência por trilhões de anos, a menos que uma fusão galáctica futura empurre novo combustível para o centro da Via Láctea.

Este estudo abrange os 75% finais da história cósmica e fornece a evidência mais robusta já reunida de que o universo está, lentamente, desligando seus motores mais poderosos. Os buracos negros supermassivos que um dia iluminaram o cosmos como quasares agora vivem na penumbra, alimentados apenas pelo que sobra. A ironia cósmica é que foram os próprios buracos negros que contribuíram para seu estado atual, ao expelir ventos galácticos durante os períodos de máxima atividade, ajudando a varrer o gás que um dia os alimentaria. O universo envelhece, e seus maiores predadores envelhecem com ele.

Editor

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