IPCA-15, PCE e Dados de Emprego nos EUA Podem Definir Rumos dos Juros Globais e Brasileiros
Semana decisiva para juros: IPCA-15, dados de emprego e PCE nos EUA ditam o ritmo das apostas futuras
A agenda econômica desta semana promete agitar os mercados financeiros com a divulgação de indicadores relevantes para a leitura da inflação, do mercado de trabalho e da atividade econômica tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. Esses dados são aguardados com expectativa pelos agentes de mercado, que buscam calibrar suas apostas sobre os próximos passos das autoridades monetárias.
No cenário brasileiro, o índice de inflação IPCA-15 de agosto é um dos destaques. O Departamento de Pesquisa Econômica (DPEc) do Banco Daycoval projeta uma deflação de 0,31% para o período, impulsionada principalmente pelos descontos na conta de energia elétrica, decorrentes do bônus de Itaipu, e pela queda nos preços dos alimentos. Além disso, o banco espera um recuo de 0,31% no IGP-M do mesmo mês.
Esses números, juntamente com os dados de emprego e contas públicas, oferecerão novos sinais sobre o ritmo da economia brasileira e podem influenciar as expectativas sobre a taxa Selic. Conforme informações divulgadas pelo Banco Daycoval, a expectativa é de que a inflação oficial feche 2026 em 5,0% e 2027 em 4,0%.
Mercado de Trabalho Brasileiro em Foco
A taxa de desemprego no Brasil também estará sob os holofotes. Para a PNAD Contínua, o Daycoval prevê um recuo do desemprego de 5,4% para 5,3% no trimestre móvel encerrado em julho. Na série com ajuste sazonal, a projeção é de estabilidade em 5,5%.
O Caged, por sua vez, deve indicar a criação de 110 mil empregos formais em julho. Apesar do resultado positivo, o banco estima que a média móvel de três meses permaneça abaixo de 100 mil vagas, um cenário considerado compatível com uma **desaceleração do mercado de trabalho**. Essa leitura pode ter implicações nas projeções de juros para o Brasil, onde a estimativa é de Selic em 13,75% no fim deste ano e 11,00% em 2027.
Indicadores Americanos Podem Impactar Decisões do Fed
Nos Estados Unidos, a atenção do mercado estará voltada para a divulgação da segunda leitura do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre e para o índice de preços de gastos com consumo (PCE), um indicador de inflação acompanhado de perto pelo Federal Reserve (Fed). O Daycoval espera um crescimento anualizado de 1,5% para o PIB americano no segundo trimestre, indicando uma desaceleração gradual da atividade.
Para o PCE de julho, a projeção é de uma alta mensal de 0,1%. Esses números ganham peso após a última reunião do Fed, que manteve a taxa básica de juros inalterada. A ata do encontro não trouxe mudanças relevantes, com os dirigentes mantendo a preocupação com a trajetória da inflação em um ambiente de pressões geopolíticas e mercado de trabalho em equilíbrio. Na avaliação do DPEc, a taxa dos Fed Funds deve terminar 2026 em 3,50%, recuando para 3,00% em 2027.
Agenda Americana Completa e Pronunciamento Chave
A agenda americana ainda inclui indicadores industriais, confiança do consumidor e expectativas de inflação. Na sexta-feira, um pronunciamento do presidente do Fed, Kevin Warsh, será acompanhado em busca de novas indicações sobre a condução da política monetária americana. Os agentes financeiros estarão atentos a qualquer sinal que possa antecipar os próximos movimentos do Fed em relação aos juros.
No Brasil, os dados de crédito também entram no radar. A expectativa do Daycoval é de que o saldo total das operações desacelere para 9,2% na comparação anual em julho, refletindo um menor ritmo do crédito para pessoas físicas e empresas. No campo fiscal, a projeção é de um superávit primário de R$ 10 bilhões para o Tesouro Nacional em julho, influenciado pela antecipação de pagamentos de precatórios.
A análise conjunta desses indicadores, tanto no Brasil quanto nos EUA, será fundamental para moldar as expectativas do mercado sobre a trajetória futura das taxas de juros e a performance da economia global e doméstica nos próximos meses.
