Mercados em Alerta: Ofensiva EUA-Israel contra Irã Desencadeia Aversão ao Risco e Dispara Preços do Petróleo para Cima dos US$ 100?
Mercados globais em alerta máximo com ofensiva contra o Irã, petróleo dispara e ações de energia e defesa sobem
Traders se preparam para uma semana de alta volatilidade e forte aversão ao risco nas bolsas de valores ao redor do mundo. A ofensiva militar conjunta entre Estados Unidos e Israel contra o Irã acendeu o sinal vermelho nos mercados, com o foco se voltando para empresas de energia e defesa como potenciais portos seguros. A expectativa é de perdas significativas em setores como o de viagens e outros ligados ao consumo, à medida que a instabilidade geopolítica se intensifica.
O movimento nos mercados do Oriente Médio durante o fim de semana já deu uma amostra do que esperar. O índice Tadawul All Share, da Arábia Saudita, registrou uma queda de 2,2%, com as perdas sendo parcialmente contidas pela alta da gigante petrolífera Aramco. Paralelamente, o principal índice do Egito recuou 2,5%, evidenciando a apreensão generalizada.
Conforme informações divulgadas pela Bloomberg, a escalada militar é o mais novo gatilho para uma possível disparada nos preços de petróleo e gás. Algumas estimativas apontam que, com a reabertura das negociações no domingo à noite, o preço do barril de petróleo pode saltar entre 10% e 15%. Estrategistas preveem que essa forte escalada militar promoverá uma ampla rotação para setores tradicionalmente defensivos, que tendem a se manter mais estáveis em períodos de turbulência econômica, como utilities e saúde.
Energia e Defesa: Os Setores em Destaque em Meio ao Conflito
A referência global do petróleo Brent já havia subido na sexta-feira, atingindo seu maior valor desde julho. Traders se preparavam para o conflito, o que impulsionou as ações de energia nos EUA a um recorde histórico. Grandes nomes do setor, como Exxon Mobil, Chevron, Shell e TotalEnergies, devem continuar registrando fortes ganhos. “A questão é, qual será o impacto da resposta do Irã sobre a oferta global de petróleo — ao menos temporariamente e, talvez, no longo prazo?”, questiona Rob Thummel, gestor de portfólio da Tortoise Capital. Um fechamento prolongado do Estreito de Ormuz, embora considerado menos provável, poderia empurrar os preços para acima de US$ 100 por barril.
O setor de defesa também se beneficia da crescente tensão geopolítica. As ações de empresas como Lockheed Martin e Northrop Grumman, nos EUA, e Rheinmetall, na Europa, já vinham em alta e devem atrair ainda mais investidores. “O mercado vai interpretar esse cenário como amplamente positivo para as ações de defesa europeias”, afirma o analista Jens-Peter Rieck, da MWB Research, embora ressalte que “qualquer movimento deva ser guiado mais por sentimento do que por mudanças nas estimativas de lucro”.
Metais Preciosos Como Refúgio e o Impacto nas Viagens
Em períodos de incerteza geopolítica, investidores buscam refúgio em ativos considerados seguros, como ouro e prata. Os preços desses metais preciosos, que já apresentavam forte rali, começaram a subir nas semanas que antecederam o conflito com o Irã. Ações de mineradoras como Agnico Eagle Mines e Barrick Mining devem atrair atenção. O índice canadense S&P/TSX Composite, com alta exposição a mineração e energia, pode ter um desempenho superior.
Por outro lado, o setor de viagens e transporte enfrenta desafios significativos. A alta do petróleo tende a elevar os custos de combustível das companhias aéreas, comprimindo suas margens. Ações de companhias aéreas dos EUA registraram sua maior queda desde abril na sexta-feira, antecipando o conflito. Companhias aéreas do Golfo Pérsico ampliaram a suspensão de operações, o que pode desorganizar o fluxo de voos internacionais. “O impacto imediato será sobre ações de companhias aéreas e do setor de viagens, à medida que surgirem notícias de fechamento de espaços aéreos no Oriente Médio e de possíveis cancelamentos de voos”, alerta Francis Tan, estrategista-chefe para Ásia na CA Indosuez Wealth Asset Management.
Impacto nos Lucros e na Logística Global
Para empresas como Delta e United Airlines, cada variação de 5% no preço do combustível pode se traduzir em um impacto de 5% a 10% no lucro por ação. No caso da American Airlines, o impacto pode ser de 35%. Operadoras de hotéis, como a InterContinental Hotels, também podem ser prejudicadas pela interrupção nas viagens. Empresas de frete como FedEx e UPS enfrentam o risco de margens menores devido a tempos de trânsito mais longos e custos de combustível mais altos. Em contrapartida, gargalos no transporte pelo Mar Vermelho e pelo Canal de Suez podem beneficiar armadores de contêineres, como a Maersk, permitindo o aumento dos fretes cobrados por seus serviços, conforme aponta Lee Klaskow, da Bloomberg Intelligence.
