Celular Domina Transações Bancárias: 8 em 10 Operações Via Mobile em 2025, IA e Nuvem Impulsionam Nova Era Digital
Brasil no Centro da Revolução Digital Bancária: O Smartphone como Nova Agência
O celular consolidou sua posição como o principal ponto de contato entre brasileiros e instituições financeiras. Em 2025, impressionantes 78% das transações bancárias foram realizadas por meio de dispositivos móveis, enquanto 83% ocorreram em canais digitais, conforme aponta a Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026. Esses números marcam uma nova etapa na transformação digital do setor bancário brasileiro.
Inicialmente, o foco esteve em migrar os clientes para os canais digitais. Agora, a disputa se concentra em aprimorar a eficiência, personalização e escalabilidade dessas operações, com o uso intensivo de inteligência artificial, análise de dados (analytics) e computação em nuvem. Essa mudança estratégica se reflete diretamente nos investimentos previstos pelo setor.
Os bancos projetam um aporte de R$ 50,4 bilhões em tecnologia para 2026. Desse montante, R$ 2,97 bilhões serão destinados a inteligência artificial, analytics e big data, e outros R$ 3,9 bilhões para migração para a nuvem. A pesquisa da Febraban ilustra como o celular deixou de ser um mero canal de atendimento para se tornar o centro da estratégia bancária.
Mobile Banking: O Coração das Operações Financeiras do Brasileiro
O dado de que 78% das transações são feitas pelo celular demonstra que o mobile banking se tornou o ambiente primário para as operações financeiras dos brasileiros. A relação com os bancos agora é menos dependente de agências físicas, caixas eletrônicos ou mesmo do internet banking tradicional. A digitalização atingiu uma escala que centraliza o sistema bancário no smartphone.
Os 83% de transações em canais digitais reforçam que essa mudança é estrutural, e não marginal. Para o setor, essa base consolidada exige mais do que apenas acesso digital; é fundamental aprimorar a experiência do usuário, agilizar processos, reduzir o tempo de resposta e utilizar os dados gerados nessa jornada de forma mais eficaz. É neste contexto que a inteligência artificial ganha ainda mais relevância.
Inteligência Artificial nos Bancos: Foco em Eficiência e Automação
A pesquisa indica que 52% dos bancos já empregam agentes de inteligência artificial em suas operações, sinalizando que a tecnologia saiu do campo experimental e está sendo integrada em diferentes níveis de maturidade. Contudo, o uso da IA está predominantemente concentrado em ganhos de produtividade e automação de processos.
Entre os bancos consultados, as principais aplicações de inteligência artificial incluem a automação de processos (60%), o atendimento ao cliente (52%), a análise de dados para tomada de decisão (48%) e a prevenção de fraudes (44%). Esse recorte evidencia que a IA está sendo primeiramente absorvida como uma ferramenta para otimizar a operação, permitindo que os bancos façam mais, mais rápido e com menor custo, antes de promover uma ruptura imediata no modelo de negócios.
Investimentos em Tecnologia: Mudança de Perfil com Ênfase em IA e Nuvem
Outro ponto crucial da pesquisa da Febraban é a mudança no perfil dos investimentos em tecnologia no setor financeiro. Além de ampliar o orçamento geral, os bancos estão reconfigurando a alocação de recursos. Os aportes em inteligência artificial, analytics e big data devem crescer 8% em 2026, enquanto os investimentos em cloud computing avançam significativamente, com uma alta projetada de 30%.
Esse deslocamento de recursos aponta para uma mudança de prioridade. A ênfase agora recai sobre a infraestrutura que suportará a próxima geração de serviços: processamento de dados, automação, escalabilidade e integração de sistemas. Na prática, isso se traduz na criação de uma base tecnológica robusta para desenvolver produtos mais personalizados, acelerar rotinas internas, aprimorar o atendimento ao cliente e fortalecer a capacidade de prevenção de fraudes. Paralelamente, o orçamento para frentes mais maduras, como Pix e Open Finance, apresenta crescimento menor ou até recuo, indicando uma fase de consolidação dessas agendas.
Qualificação de Equipes: O Fator Humano na Transformação Digital
A agenda tecnológica nos bancos não se resume a software, infraestrutura e orçamento. A pesquisa da Febraban destaca a qualificação de profissionais como um pilar essencial para o sucesso dessa transformação. Os bancos preveem investir R$ 29,4 milhões em treinamento e capacitação em IA e IA generativa neste ano, um aumento de 31%.
No ano anterior, o setor investiu R$ 100,4 milhões em treinamentos de tecnologia, capacitando 226,1 mil profissionais. Adicionalmente, 42% dos bancos planejam expandir suas equipes de TI, com um crescimento médio de 22%. Atualmente, cerca de 11% dos funcionários bancários já atuam na área de tecnologia. Os profissionais mais demandados incluem especialistas em dados, desenvolvedores de software, especialistas em cibersegurança e profissionais de IA e machine learning. Para Rodrigo Mulinari, diretor da Pesquisa Febraban, esses investimentos refletem o compromisso do setor com inovação, eficiência e segurança, onde o diferencial está nas pessoas e na capacitação para transformar tecnologia em resultados tangíveis.
