Lula se declara ‘indignado’ com captura de Maduro pelos EUA e questiona soberania sul-americana
Lula expressa profunda indignação com a captura de Nicolás Maduro por forças americanas e critica a falta de respeito à soberania da Venezuela.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou publicamente sua forte insatisfação com a operação militar conduzida pelos Estados Unidos, que resultou na captura do líder venezuelano Nicolás Maduro. A declaração ocorreu durante o 14º Encontro Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), em Salvador, e foi transmitida ao vivo pela internet.
“Sinceramente, eu fico toda noite indignado com o que aconteceu na Venezuela. Eu não consigo acreditar”, disse Lula, detalhando sua perplexidade com a ação. O presidente brasileiro questionou a forma como a operação foi realizada, citando a presença de milhares de soldados americanos no Mar do Caribe e a invasão de um quartel.
“Os caras entram à noite na Venezuela, foram até um forte, que é um quartel, onde morava o Maduro, e levaram o Maduro embora”, afirmou Lula, ressaltando o que considera uma grave violação à integridade territorial venezuelana. O presidente defendeu a América do Sul como uma região de paz, enfatizando que, apesar de não possuírem armas nucleares, os países sul-americanos têm “caráter e dignidade” e não se submeterão a ninguém.
MST condena “sequestro” e aponta interesses de recursos naturais
No início do evento do MST, militantes leram uma carta que condenou veementemente a captura de Maduro e sua esposa, Cilia Flores, classificando o ato como um “sequestro” e uma “mensagem atroz para os povos de todo o mundo”. O documento sugere que os interesses norte-americanos na região estariam focados no controle de recursos naturais valiosos, como petróleo, minérios e água.
Entenda a captura de Nicolás Maduro
Nicolás Maduro e Cilia Flores foram detidos por forças militares dos Estados Unidos em 3 de janeiro, em uma operação noturna em Caracas. O casal foi levado para Nova York, onde Maduro enfrenta acusações na Justiça americana, incluindo narcoterrorismo, tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro. Inicialmente, ele foi acusado de liderar o Cartel de los Soles, mas essa acusação específica foi retirada, sendo ele considerado culpado de “participar, proteger e perpetuar uma cultura de corrupção de enriquecimento a partir do tráfico de drogas”.
Acusações e defesa de Maduro
As penalidades para os crimes dos quais Maduro é acusado podem variar de 20 anos de prisão a prisão perpétua. Em audiência realizada em 5 de janeiro, em Nova York, o líder venezuelano declarou-se inocente de todas as acusações, afirmando ter sido detido em sua residência e que continua sendo o presidente de seu país. Nos dias seguintes à captura, o governo Trump passou a apoiar a vice de Maduro, Delcy Rodríguez, na presidência da Venezuela.
